Grécia. “Apelo” do companheiro anarco-nihilista Spyros Mandylas no juízo pelo Projeto Fénix

Traduzido do inglês para o espanhol pelxs compas do blog “Irakunditxs” através do blog “Insurection News” e por Cumplicidade do espanhol ao português.

Nota de Insurrection News:

O projeto Fénix começou em Atenas, Grécia, no dia 7 de junho de 2013 quando um veículo, propriedade do diretor da prisão de Korydallos, Maria Stefi, foi explodido pela Conspiração Células de Fogo FAI-FRI e as Pandillas da Consciencia da FAI-FRI, célula “Sole Baleno”, que logo se fizeram conhecer lançando um comunicado que anunciava o projeto. Declarou-se como objetivo “o renascimento e a remontada dinâmica da guerrilha urbana”, um projeto que criaria as condições para o levantamento da Conspiração Células de Fogo a partir das cinzas que ficaram após a repressão da policia. O projeto Fénix, se estendeu aos ataques que acontecem novamente na Grécia mas também em outros lugares como Indonésia, Rússia, México, Reino Unido, Itália, Chile e Alemanha. O Projeto Fénix ainda está em curso, com a ação mais recente realizada no dia 10 de janeiro de 2016 no Chile, um ataque explosivo contra uma empresa de segurança privada em Santiago, reivindicado pela Célula Anarquista de Ataque Incêndiario “Fuego y Conciencia”- Federação Anarquista Informal/ Frente Revolucionário Internacional-Chile.

O companheiro anarco-nihilista Spyros Mandylas foi detidx junto com o companheiro Andreas Tsavdaridis na Grécia no dia 11 de setembro de 2013. Foi acusado de participar no Projeto Fénix em base a provas inexistentes e cargos ridículos, entre os quais se incluía a possessão de explosivos, os quais nunca foram encontrados. Spyros foi acusado de pertencer à Conspiração Células de Fogo, de um atentado homicida com paquete bomba contra Dimitris Chorianopoulos- ex chefe da agencia antiterrorista- que foi reivindicado pelo Comando “Mauricio Morales FAI-FRI”. Foi acusado também de tentativa de atentado (pelo paquete bomba enviado a Dimitris Chorianopoulos) e possessão de explosivos (pelo paquete bomba enviado a Dimitris Chorianpoulos). Spyros negou todos os cargos.

Sypros foi detidx preventivamente durante 18 meses, logo do qual foi libertado por falta de provas, poém mais tarde voltou a ser detidx e levadx de volta à prisão, e voltou a ser libertado mais uma vez na primeira metade do ano de 2015. Durante sua última prisão fez uma longa greve de fome que o teve muito próximo da morte. Finalmente, o dia 21 de dezembro de 2015, na sala especial da prisão de Korydallos, o apelo do anarquista-nihilista Spyros Mandylas pelo Projeto Fénix aconteceu, aqui está a transcrição completa.

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Presidente da Corte:  Você conhece os cargos. Que tem para nos dizer?

SpyrosMandylas: Antes de chegar no ato de processamento, primeiramente vou a mencionar a crônica das minhas ações políticas desde 2004 até a atualidade. Além disso, como já tenho dito no meu posicionamento político no primeiro dia nesta corte, durante uma perseguição política o único apelo que me representa é o de mostrar a minha atividade política.

Participei nos círculos anarquistas desde o ano 2004. Meu primeiro contato foi com o movimento em contra dos Jogos Olímpicos de Atenas no ano 2004. Depois de isso, participei em vários grupos coletivos e em lutas sobre muitos temas. Durante estes dez anos, organizei e participei de muitas ações diferentes, tais como chamados à manifestações, o reclamo de asilo político para xs refugiadxs políticos, o apoio a várias greves de fome de companheirxs anarquistas em prisão, a organização de eventos-debates, reuniões políticas anarquistas, gig para arrecadação de ajuda financeira para xs presxs anarquistas, distribuição de textos políticos, apresentações de livros e publicações.

Desde o ano 2005 participo do espaço anarquista Nadir e desde o ano 2008 estava participando no projeto de contra informação autoorganizado Radio-Revolta. Desde o começo de Nadir, nos propusemos a solidariedade com xs presxs anarquistas em guerra como um dos pilhares básicos. Concretamente, desde 2005 a 2009, participei de varias estruturas de solidariedade que se encarregaram de mais de 30 casos de presxs anarquistas.

A partir do ano 2009, como Assembleia do espaço Anarquista Nadir, consideramos que devíamos nos centrar no “Caso Halandri”. O “caso Halandri” era, em realidade, o começo das operações repressivas contra a Conspiração Células de Fogo (CCF). Estas operações começaram no dia 23 de setembro de 2009 com a invasão na casa situada em Halandri. Durante este período e depois de ter tido contato por telefono com xs 3 detidxs do caso, fizemos um evento na Politecnica de Tesalonica, onde todxs eles interviram telefonicamente. Ao redor de 200-300 anarquistas chegaram a esse evento, no qual um defensor do caso falou sobre a segunda modificação da lei antiterrorista.

Desde 2009 até faz pouco tempo escolhemos nos dedicar ao caso da Conspiração Célula de Fogo. Isso foi por duas razões, por um lado, queríamos falar das ações e das palavras da CCF. Por outro lado, este assunto tinha muitas extensões. Por exemplo, com este caso como pretexto, o Estado levou a cabo uma caça de bruxas contra muitxs companheirxs anarquistas. Além disso, as detenções de vingança no ano 2010 são bem conhecidas, quando o Estado esteve arrestando a qualquer pessoa depois de cada ataque da CCF.

Depois do primeiro evento, continuei o contato por telefone com mais membrxs de CCF que foram detidxs no período que seguiu. Mais tarde visitei a membros de CCF nos tribunais. Também a raiz de uma demanda ao Ministério de Justiça, tinha várias horas de visita com elxs dentro da prisão de Korydallos.

Presidente: Por favor nos diga em relação às horas de visita:

Mandylas: Ao redor de um ano antes da minha detenção, comecei a ter as horas de visita (aprox. 5) com o membro de CCF Christos Tsakalos. Durante estas horas de visita, falamos de vários temas, tais como várias questões relativas aos círculos anarquistas, a preparação de alguns eventos, inclusive temas que nem sequer estavam relacionados com círculos anarquistas.

Quero mencionar também algumas coisas relacionadas com ditas horas de visita.

 

Durante a última hora de visita discutimos em relação a um evento e a publicação de um livro anarquista. Estou falando da publicação do livro de Alfredo Bonanno, “O Prazer Armado”. CCF, que formam parte de Internacional Negra Edições, nos ajudou muito com esta publicação, que foi produzida por Edições Okupa Anarquista Nadir.

 

A apresentação do livro aconteceu em Nadir na quarta 3 de julho de 2013, e à qual assistiram muitxs companheirxs. Neste caso, 4 anarquistas presxs na Itália aportaram com seus textos e também teve uma comunicação por telefone com a companheira, parte da CCF, Olga Economidou. De forma resumida, este evento teve os seguintes temas:

  • Apresentação do livro de Alfredo M. Bonanno “O prazer armado”
  • Contribuição das redes de tradução à permanência da insurreição anarquista
  • Informação sobre a repressão na Itália

 

Neste ponto, quero dizer outra coisa, o evento que acabo de mencionar aconteceu uma semana antes da minha detenção. Este evento teve demasiados pontos de atividade, já que havia uma necessidade de coordenar muitas tarefas ao mesmo tempo.

Esto significa coloca-se em contato com companheirxs presxs em Grécia e Itália, escrever a introdução, o contato com os projetos de tradução que participam no evento, a recopilação de livros de diferentes edições, a realizações de flyers, edição e impressão do livro e muito mais.

 

Porque digo tudo isso? Devido a que no mesmo período de tempo os ataques com bombas me são atribuídos. Como era de esperar, ter toda esta carga de atividades mais as intervenções durante este tempo ( tenho mencionado nos meus textos a “discreta” intercepção da força antiterrorista), também devido às horas de visita nos tribunais e na prisão com CCF, seria praticamente impossível fazer qualquer outra ação. Porém, Dendias fez informes sobre meu arresto falando de um ataque levado a cabo por uma rede de terrorismo internacional. Em primeiros termos me acusaram por 3 ataques com bombas e um incêndio provocado na Indonésia…

No que se refere aos cargos, acho que o que sucedeu é que a maquinação estabelecido pelo Ministério de Justiça junto com a força antiterrorista ficou exposta. Desde o primeiro momento da minha detenção, se sabia que o dia no qual o paquete-bomba foi enviado desde Tesalonica (ao ex chefe da unidade antiterrorista, Dimitris Chorianopoulos), eu estava em Atenas durante uma hora de visita com Christos Tsakalos. Desde o primeiro dia, pelo tanto, havia um documento formal emitido pelo Ministério de Justiça e as autoridades da prisão de Korydallos que confirmam o fato de que eu estava em Atenas. Isso significa que minha coartada são o ministério e a prisão de Korydallos em se mesmos. Para os outros três ataques, como também sabem, os cargos já tinham sido demitidos 6 meses depois do começo da minha detenção preventiva. Ainda mais, não se encontraram minhas digitais nem meu DNA. Inclusive se teriam sido encontrados, não teriam comprovado nada, e digo isso porque muitxs anarquistas têm cargos por só uma digital ou uma parte de DNA encontrado em algum lugar.

Outra coisa que gostaria de dizer é que no arquivo tem uma referencia a que em Nadir se encontrou uma tapa de livro com uma arma de fogo. Este livro não é outro que a tapa do livro “O prazer armado”. Entreguei uma copia da criação da arte da tapa.

Sei que você me perguntará qual é minha posição em relação à violência. Minha posição neste assunto é clara. Estou de acordo com a violência revolucionaria armada. Todas as revoluções se fizeram pela força. Na minha situação poderia dizer outras coisas, mas neste caso não seria coerente com minhas ideias. Minha posição é clara. A insurreição anarquista se leva a cabo por qualquer meio e , obviamente com a violência também.
Procurador: Que opina você em relação aos danos colaterais? Por favor, nos diga sua opinião sobre o caso de Thanos Axarlian.

Mandylas: Para o caso especifico de Thanos Axarlian, a Organização Revolucionaria 17 de Novembro já tem falado a fundo sobre isso. Não tenho nada mais a dizer sobre isso. Sobre a questão dos danos colaterais, é obvio dizer que umx anarquista está em contra de tal lógica e praticas. Para ser mais específicos, grupos tais como CCF e a FAI são conhecidos por dar uma alta prioridade a este problema fazendo chamadas de alerta, etc.

Gostaria também dizer que a lógica de dano colateral é uma pratica dxs chefes. Embora não seja “obreirista”, o que vejo é que quem tem adotado esta tática são os patrões. Pelo geral numa fabrica, as medidas de segurança dxs empregadxs se reduzem para que o negocio tenha um maior benefício. Também ficamos sabendo de trabalhadores que morrem todo o tempo.

Procurador: Isso é certo…

Procurador: Você, como anarquista. Que é o que acredita que se deveria fazer? Qual é sua posição?

Mandylas: Sou anarco-nihilista. Acreditamos que primeiro devemos destruir tudo, só então vamos a falar sobre o como e o que vamos a criar. Se não acreditasse em isso, então eu acreditaria nas reformas e nas mudanças graduais, mas, obviamente isso não me representa, para nada.

Presidente: Durante a intercepção da policia, estava com você Andreas Tsavdaridis?

Mandylas: Com Andreas não tive contato muito intensamente. O conhecia desde faz 4 anos antes da minha detenção. Não estava com ele na intervenção que menciona.

Presidente: Qual é seu estado civil e qual é sua relação com sua família?

Mandylas: A que aponta esta pergunta?

Presidente: Quero formar seu perfil melhor para o juiz …

Mandylas: Só o fato de que não haja nenhuma prova contra mim no expediente do caso já é suficiente. Para terminar gostaria de falar de qual foi a racionalidade do Estado ao realizar a invasão a Nadir e ao proceder a minha detenção preventiva. Como falei no inicio, eu sou parte dos círculos anarquistas desde faz uns 10 anos. Em todos esses anos, os eventos e atividades que levamos a cabo enquanto Espaço Anarquista Nadir atraíram o interes das pessoas. O Estado, observando como nossa solidariedade se dirigia em direção aos grupos armados, quer derrubar esta comunicação. A vinculação entre o publico e o ilegal é considerada uma mistura explosiva.

Durante esses anos, depois de ter adquirido uma muito boa ideia das tácticas do Estado respeito à perseguição dxs combatentes, o que posso dizer é que esta é a única vez na qual, sem que uma peça só da prova, um anarquista esteve em prisão preventiva durante 18 meses.

Presidente: Que é o que a Conspiração Células de Fogo proclama ser?

Mandylas: anarquistas nihilistas. Porém, pessoalmente considero que uma das minhas virtudes é de não falar dxs demais, pelo qual, pode perguntar para eles diretamente.

Procurador: Você falou antes concorda com a violência revolucionaria armada. Creio que tudo isso cria uma situação de estancamento que não somente não conduz a nenhuma parte, mas à criação de novas leis e a que os direitos se reduzem ainda mais. Que pensa sobre isso?

Mandylas: Eu acho que a única maneira de resistir é lutar. Somente quando se luta se ganha. Os únicos que não têm culpa da constante criação de novas leis e da redução dos direitos são os que resistem.

Procurador: Creio que estas organizações são inofensivas e que o Estado não lhes teme…

Mandylas: Você quer dizer que os rebeldes não ameaçam ao Estado? Então me responda, qual é a razão que haja uma detenção uma trás outra de CCF e porque o Estado lhes mantém encarceradxs durante tanto tempo?

Procurador: Obrigado, não tenho nada mais que perguntar.

Presidente: Não tenho mais perguntas.

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