[Barcelona] Segundo comunicado de Individualidades Pela Dispersão do Caos – FAI/FRI

Retirado de ContraInfo:

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10 de Abril de 2016

“Sou amante da liberdade e só posso brindar o meu respeito e solidariedade aquelxs que, como eu, têm o valor e a dignidade de defender a sua própria vida com unhas e dentes “ – Claudio Lavazza

Ao passear pelas ruas desta metrópole morta chamada Barcelona quem esteja atentx pode fazer uma rápida análise da realidade vigente nesta como em outras cidades do mundo civilizado, nas ruas comerciais do centro tais como Paseo de Gracia, Portal del Angel ou Diagonal podemos observar como as massas aborregadas atestam cada centímetro do solo, como jovens e velhxs se idiotizam com tecnologia, como xs pobres e xs acomodadxs olham as mesmas montras, suspiram pelos mesmos objetos, usam a mesma moda e idolatram os mesmos ídolos sociais. No mesmo recanto podemos ver o luxo e o consumo mais absurdo enquanto a poucos metros, nalguma porta ou esquina, alguns/mas desgracadxs dormem entre papelão e lixo. Tudo isso acontece sob o olhar atento de centenas de câmaras de vigilância colocadas especialmente no centro e em áreas comerciais; exércitos de polícia também atestam as cidades, desde patrulhas de secretas a esquadrões de choque de metralhadora na mão, tudo isto para a segurança do cidadão/ã que felizmente se sente protegidx ao contemplar o estado policial.

Na sociedade de massas que se desenvolve no capitalismo pode-se estar cercado de milhões de pessoas e ao mesmo tempo sentires-te só e isoladx. Procura-se preencher o isolamento social e o vazio existencial – produzido pelo deserto da sociedade de massas – pela procura da aceitação, modas, pertença a “algo”, trabalho, ócio alienante, drogas e consumismo. Este isolamento social é constantemente confundido com individualismo, no entanto, que pessoa com uma consciência individualista toleraria o ataque que em si mesma a própria sociedade da obediência e das massas representa para x próprix indivíduo?

Após uma época de crise e agitação social – parecendo que tudo vai finalmente voltar ao normal – a vida é menos vivida do que nunca mas nada acontece porque x cidadão/ã dá graças por ainda quebrar as costas 8 horas ou mais no trabalho de merda, cobrando uma ninharia para continuar a pagar preços exorbitantes por alugar um quarto, comprar mercadorias ou simplesmente para continuar a comprar a merda que oferecem as montras. O/a cidadão/ã está convencidx de que “algo está a mudar” porque governa a cidade uma mulher, prefeita de um partido de esquerdas e progressista. Partidos que, aliás, foram incubados nos protestos de rua no período de convulsão, mostrando que a grande maioria da massa saíu à rua para reclamar mas que, apesar dos slogans incendiários e de terem nalguns casos chegado a aplaudir ou até mesmo participar nos motins, tiveram só uma momentânea frustração – ao verem o estado de bem-estar que lhes tinha sido prometido ir por água abaixo e basicamente tudo o que desejavam era terem mais uma vez a oportunidade de reviverem a sua antiga vida com as suas ilusões de trabalho, consumo, lazer estúpido e televisão. Aliás, esta nova normalidade já não é tão subtil como era dantes, este é a normalidade dos estados de emergência, o “nível de alerta 4 anti-terrorismo”, o encerramento das fronteiras, as macro – prisões a estourar, os militares patrulhando as ruas … o controle multiplicando-se em cada esquina da cidade. Uma normalidade que não aceitamos e da qual não vamos ser merxs espectadorxs.

Há muitxs anarquistas que se deixaram arrastar pelo espectacularidade das mobilizações de massas e das lutas de rua – sem parar para fazer uma análise da situação – cheixs de ilusões confiaram nas massas cidadãs e pensaram que a revolução estava ao virar da esquina. Anos mais tarde cada um/a de nós pode comprovar como estas mesmas massas se dirigiram às urnas para votar ou simplesmente seguiram a sua vida à primeira oportunidade que tiveram para recuperar um mínimo das miseráveis condições que tinham perdido, rastejando num servilismo voluntário ainda mais repugnante do que o que professavam antes. A tudo isto é necessário acrescentar que, após esta época de crise, o Estado não esquece nem perdoa aquelxs que quebraram a paz social e, portanto, neste momento, quando quase todo o panorama da luta foi desactivado e / ou recuperado, o aparelho policial atinge, com vários golpes, o entorno anarquista – a fim de incutir pânico e pô-los fora do caminho xs poucxs que ainda têm o desejo de continuar a luta. Assim, acreditamos que os principais fatores que influenciaram o sentimento atual de derrota do anarquismo no Estado espanhol foram, principalmente (entre outras razões) o fracasso das expectativas depositadas sobre “o povo” e os últimos golpes repressivos – para xs quais o meio anarquista não estava preparado.

Lamentavelmente para o Poder, permanecemos aqui e continuamos com o mesmo desejo (ou até mais) de manter o ataque até às últimas consequências contra o mundo do Poder e da sua sociedade de escravos consentidos – durante todo este período continuámos aqui a conspirar, atacando de diferentes formas, recolhendo recursos materiais e conhecimento técnico para a agudização da ofensiva anarquista. Temos assumido a repressão como algo inevitável, inerente à luta, há muito tempo já que deixamos de colocar as nossas vidas e futuro nas mãos da sociedade dxs servis e escravxs sorridentes que aceitam passiva ou ativamente que o existente se vá perpetuando.

Pouco nos importa que as condições não estejam maduras, aqui as condições somos nós que as escolhemos. Não importa que a maioria dos “anarquistas” tenham virado as costas à essência conflitual da anarquia e tenham optado por se submeter no mundo do medo, na paranóia ou rebaixando-se até posicionamentos reformistas e cidadanistas. Pouco importa que o Poder aponte as armas contra nós – nesta guerra nos recusamos a assumir um papel de vítima inocente, e assim, também apontaremos as nossas armas contra o poder e a sua civilização.

Tomamos posição ao lado dxs compas de todo o mundo que apostam no conflito permanente e multiforme, para viver a Anarquia aqui e agora, juntamos-nos a vós a internacional negra dos anarquistas da práxis e mais uma vez passamos ao ataque quotidiano e à recuperação das nossas vidas. Somente através do ataque anarquista multiforme somos capazes de experimentar sentimentos de liberdade num mundo enjaulado e a experimentação de liberdade merece o risco de prisão ou morte, risco que assumimos. À margem de diferentes tendências, posições e contextos compartilhamos o caminho com todxs aquelxs que optam pela coerência de levar a teoria a algo vivo e real, por isso compartilhamos cumplicidade com irmãos/ãs de todo o mundo – embora nunca tenhamos visto as suas caras, as suas ações, ataques e textos deram-nos a determinação e motivação para continuar na luta. Através da nova guerrilha urbana anarquista, da organização informal e do ataque difuso permanente, materializamos os nossos desejos e paixões em algo real e perigoso.

Por outro lado, e paralelamente, uma outra forma miserável se desenvolve, a que tenta transformar a anarquia na nova tendência social-democrata. Em toda a parte esta praga se espalha, sob diferentes nomes ou formas organizativas. Em Barcelona, cidade cheia de misérias pessoais e políticas, não poderia fugir à regra, aqui a ação direta, a sabotagem e ataques estão quase desaparecidos da linguagem e da prática, a coerência em qualquer projecto brilha pela sua ausência. Aqui, podem ser encontrados atos miseráveis de colaboracionismo com os media, discursos reformistas e pacificadores, colaboração aberta e clara com grupúsculos autoritários, esquerdistas e / ou patrioteiros, bem como “anarquistas” que votam ou pediram o voto, desfazendo-se em elogios a partidos políticos como as CUP ou Guayem …

Portanto, a nossa posição é clara em relação a todxs estxs cobardes e miseráveis: NÃO os reconhecemos como companheirxs, nem sequer como anarquistas, não nos importando nada o que eles tenham a dizer a nosso respeito e acerca dos nossos posicionamentos e ações. Podem manter os seus discursos de “poder popular” e o seu ativismo inofensivo de fim de semana, o seu radicalismo subcultural e o consumo de alternativismo (além do abuso de drogas e álcool) nas festas “auto-gestionadas” nas okupas, podendo continuar a jogar aos/às políticxs no seu micro-mundo da assembleia onde são “alguém” e rindo-se das graças do asco patriótico catalão.

Outrora, no âmbito anarquista, mesmo entre as suas tendências mais moderadas, eram aceites ou estavam generalizadas as práticas do saqueio, calote… em última análise, formas de recuperação da vida que ao mesmo tempo constituíam um ataque frontal contra a propriedade e contra o sistema em si mesmo.

Hoje em dia, no auge da coerência e da luta contra o estado / capital, a prática generalizada é a de se ir à procura de comida no lixo e viver em casas okupadas gratuitas – embora nalguns casos as casas estejam a cair aos pedaços – mas acima de tudo o que nestes dias é a cereja em cima do bolo são as fantásticas cooperativas e negócios “auto-gestionados”. Alguns/mas viram nesta gestão da miséria e sobrevivência das migalhas e sobras do capitalismo o novo evangelho anti-capitalista – quando na realidade estas práticas, além de não estarem fora da lógica do mercado livre, criando apenas um novo consumo “alternativo”, estão completamente vazias de discurso ofensivo contra o mundo do domínio e não representam ameaça alguma. Inclusivé a okupação – que antes se caracterizava pela sua combatividade – ficou vazia da sua essência de conflito e, até mesmo, de crítica contra a propriedade privada e do mundo que a produz.

Actualmente a okupação tornou-se um fim em si, cujo único objectivo é viver de graça dentro do capitalismo.

Que ninguém se equivoque: aquelxs que abertamente se posicionam em guerra contra o poder e a sua sociedade, incluíndo nós, não estamos livres de “pecado”. O ser anarquista coloca-nos em conflito com o existente, mas ainda assim vivendo dentro das margens do sistema de domínio e da sua sociedade, crescemos nele e nele aprendemos muitos dos valores, atitudes e papéis sociais que tentamos abolir. Não estamos imunes à influência do mundo dominante e é por isso que, ao mesmo tempo que levamos a batalha externa contra o poder, também travamos uma batalha interna connosco próprixs para nos desfazermos da lógica de dominação e dos seus valores. Além disso, quando dizemos que ser espectador é ser cúmplice é também aplicável a muitxs que só pelo mero facto de se considerarem anarquistas e compartilharem pensamentos e ideias subversivas já pensam que fazem “algo”. Simplesmente quantas vezes nos temos cruzado com pessoas que vestem de negro da cabeça aos pés, soltam discursos incendiários à esquerda e à direita, clamam pela revolta e a insurreição generalizada, e no momento da verdade o mais “ousado” que fizeram na sua vida foi um blog e desabafos na internet. A teoria sem prática converte-se em mera política, idealismo e charlatonice que morre na boca de quem o pronuncia.

Se há de procurar algum/a dxs responsáveis ou uma das principais causas da situação actual, devemos também olhar para nós mesmxs. Não é a repressão ou qualquer outra causa que perpetua a ordem existente mas sim as nossas decisões e actos, a maioria dos anarquistas são vítimas de suas próprias desculpas na hora de abordar o conflito.

Como anarquistas, entendemos como objectivo prioritário a destruição absoluta do poder existente – em qualquer das suas formas – e acreditamos que as práticas anarquistas devem ser dirigidas para esse objectivo assim como à criação de redes e estruturas que facilitem e tornem possível a agudização do conflito.

Limitar as expressões anárquicas a um simples activismo para calar a consciência, politicagem barata, ou uma extensão não-oficial dos serviços sociais do Estado, parece-nos desprezível.

Reivindicamos a responsabilidade da seguinte ação – demonstrando uma vez mais que o ataque continua a ser possível, apesar das circunstâncias adversas:

– Noite de 26 de Janeiro, um veículo da empresa de segurança Prosegur é incendiado na Avenida Coll del Portell mediante acendalhas de incêndio nos seus pneus dianteiros e traseiros, no bairro Vallcarca. O fogo, sempre imprevisível estendeu-se a outros veículos estacionados – segundo informam os meios do poder, 20 veículos foram totalmente queimados, outros 20 parcialmente destruídos , além de outros danos pessoais. Ainda que o nosso objetivo inicial fosse a furgoneta da empresa de segurança, não iremos lamentar a destruição do resto das máquinas, de facto regojizamos-nos com isso e reivindicamos a destruição total ou parcial dos 40 veículos. La “cultura” do automóvel, o seu estúpido culto e consumo, tão enraizado nas massas, realiza às expensas de cada um/a cada vez maior degradação e destruição da Natureza selvagem. Se elxs não têm consideração por este facto nós tampouco teremos consideração na hora de se queimar as suas odiosas máquinas.

A guerra já nos tinha sido declarada há muito tempo, agora é questão de tomar o caminho do conflito ou continuar a abaixar a cabeça, enquanto se mantém uma pose radical. As cidades oferecem oportunidades de ataque, difuso e constante, em todos os sítios. Para aquelxs que queiram romper com o imobilismo e a passividade em todos os sítios existem objectivos falíveis de serem atingidos. Para aquelxs que não querem fazer nada e continuar a serem expectadorxs da sua morte em vida, em todos os sítios haverá desculpas..

COM XS NOSSXS PRESXS PRESENTES E XS QUE TOMBARAM NA MEMÓRIA !!
PELA INTERNACIONAL NEGRA DE ANARQUISTAS DA PRÁXIS!!
PELA EXTENSÃO DO CAOS E DA ANARQUIA!!

Individualidades pela Dispersão do Caos – Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional

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[REPÚBLICA TCHECA] ANARQUISTA IGOR CHEVTSOV SERÁ JULGADO POR INCENDIAR A CASA DO MINISTRO DA DEFESA E PELOS GRAFFITIS

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Este será o primeiro julgamento dentro da operação policial Fênix e acontecerá em 26 e 27 de abril na Corte de Justiça da Cidade de Praga. Igor é acusado de atacar (possivelmente inventado) a casa do Ministro da Defesa da República Tcheca, Martin Stropnítski, com coquetéis molotov.
Primeiramente, a Corte de Justiça Distrital passou este caso para a Corte de Justiça Suprema por causa de “qualificação insuficiente” – segundo a Corte de Justiça Distrital eram evidentes as marcas de um ataque terrorista.
A casa que foi atacada é a moradia do Ministro da Defesa da República Tcheca, onde ele reside com a sua família; assim, foi “criada ameaça à vida do Ministro e à defesa do país”.
A Corte de Justiça Suprema aceitou esta argumentação e passou o caso para a Corte de Justiça da Cidade de Praga, onde ele, possivelmente, será qualificado como terrorista.
Durante o assim chamado ataque ninguém se feriu, inclusive, nem a casa foi atingida; além disso, o próprio Igor não poderia estar naquela hora e naquele local. No momento do incidente – de acordo com o relato que o filho do Ministro mencionou em seu primeiro testemunho – Igor não poderia estar fisicamente próximo da casa. Apesar disso, Igor ficou 3 meses preso em uma
prisão tcheca e somente em setembro de 2015 foi libertado com uma fiança.
Ele teve que concordar em não sair do país e semanalmente passar pela verificação de presença em uma delegacia local.
Caso Igor seja declarado culpado ele poderá ficar preso por 15 anos. Se você está em Praga ou vai para lá nestas datas, chame amigos, amigas, e vá apoiar este companheiro, amigo e  anarquista!

A solidariedade é a nossa arma!

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[FRANÇA] ATAQUE SIMBÓLICO CONTRA DOIS LOCAIS DO PARTIDO SOCIALISTA (PS)

Recebido no email:

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Ontem à noite, enquanto Hollande vomitava seu discurso na TV, o comitê do PS em Lille, assim como a residência parlamentar de Bernard Roman, eleito pelo PS, foram cobertos de tinta, em ato contra a “lei Trabalho”.
Por este ato, atacamos o Partido Socialista integralmente, seja sua maioria ou sua ala à esquerda, representada por Aubry. O PS, como todos os partidos, são apenas os gestores de nossa miséria. Que limpem tudo!
Continuemos o levante.

Fonte: https://lille.indymedia.org/spip.php?article29972

 

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[ESPANHA] PROÍBEM A PRISIONEIRA ANARQUISTA DE LER O LIVRO DE EMMA GOLDMAN “POR RAZÕES DE SEGURANÇA”

Recebido no email:

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A militante anarquista Noelia Cotelo, reclusa em Topas, Salamanca, leva mais de 8 anos na prisão. Foi presa para cumprir apenas 1 ANO e MEIO DE PRISÃO. O tempo restante corresponde a causas internas por não ter mostrado submissão perante as brutais violações de direitos que apresenta, copiosamente, o fascismo espanhol em todas instituições de
reclusão. A sua rebeldia e atitude frente aos torturadores geram um vendaval de solidariedade em diversos sítios do mundo. Recentemente, os carcereiros proibiram-na de receber o volume “Vivendo a minha vida”, de Emma Goldman, nascida na Lituânia e que foi uma mulher adiantada para a sua época. Desde a sua chegada a Nova York como costureira, aos 20 anos de idade, procedente da Rússia czarista até à sua passagem pelos enclaves
socialistas de Lower East Side de Manhattan, dedicou a sua vida aos ativismos a à agitação pública. Teve uma presença influente em acontecimentos políticos distantes, tal como a Revolução Russa e a Guerra Civil espanhola. “Vivendo a minha vida” é uma das grandes biografias do século e um fascinante relato de uma época de turbulências políticas e ideológicas. Os seus escritos e conferências abarcaram uma ampla variedade de temas, incluindo as prisões, o ateísmo, a liberdade de expressão, o militarismo, o capitalismo, o matrimônio, o amor livre, o controle da natalidade e a homossexualidade, desenvolvendo assim novas maneiras de incorporar a política de gênero no feminismo e no anarquismo.

A dispersão conhecida como “calesita”, na Argentina, levou Noelia a estar detida em várias cadeias do estado espanhol. Entre elas, Teixeiro, na Galícia; Brieva, em Ávila; Picasent, em Valência; Albolote em Granada; Soto Real, em Madrid; Mansilla de las Mulas, em León e Topas, em Salamanca. Numa delas, no centro penitenciário de Brieva, um carcereiro partiu-lhe o pulso, em 2013. Com o pulso partido, medicada com psicofármacos e algemada à cama, durante a madrugada, outro carcereiro
chamado Jesus – que tinha participado na agressão anterior – tentou abusar sexualmente dela. Noelia denunciou estes acontecimentos mas este ao ver-se surpreendido pela revolta das outras internas, fez uma contra-denúncia em que assegurava que foi esta que tentou agredi-lo. A denúncia desta violação, não só conseguiu que se agravara a sua situação na prisão, submetendo-a a um isolamento mais restrito, como
levou a que repartissem pelas demais internas a sua roupa e cobertores. Foi então que Noelia, pela sua denúncia de violações e torturas foi transferida para a cadeia de Albolote (Granada), a mais de 1000 km da sua terra, na Galícia. Começou, em seguida, outra greve de fome, como forma de luta ante os ataques que estava a sofrer em Albolote, estes relacionados com o tratamento desrespeitoso de uma guarda, problemas com o correio e
sanções sem sentido.
Perante os ataques seguidos à vida de Noelia através de golpes, da medicação forçada com metadona, descuido médico e submetendo-a ao “Ficheiro de Internos de Seguimento Especial” (FIES), tortura intensa e isolamento estrito, o coletivo Mujeres Libres da CNT Zaragoza, exigiu:

• que se investiguem os abusos sexuais sofridos por Noelia na cadeia de Brieva, assim como as lesões e torturas a que foi submetida e que se apurem responsabilidades.

• que não haja carcereiros homens nos módulos e cadeias de mulheres para que não se volte a repetir nunca nenhum episódio de violência machista, de humilhação, ou qualquer tipo de ataque sexual.

• que se termine com a impunidade e cumplicidades médicxs, de juízxs, psicólogxs, assistentes sociais e demais funcionárixs acólitos destas práticas.

• que se termine, de uma vez por todas, com os maus tratos e torturas como instrumento sistemático e quotidiano usado pelos carcereiros para fazerem funcionar a maquinaria penitenciária.

• que se termina com a dispersão como forma de chantagem da política fascista do Estado Espanhol.

• que desapareçam as cadeias e o sistema penal que o sustenta como castigo punitivo do Estado ao serviço do regime de dominação e exploração capitalista.

• a imediata libertação da companheira Noelia Cotelo.

O fascismo continua vivo na Espanha!

Sobre a proibição do livro, a mãe de Noelia, Lola Riveiro Lois, afirmou: “Não entendo como num estado democrático, como dizem ser a Espanha, proíbem aos/às presxs ter livros para ler. Hoje devolveram-me o livro, no qual está escrito “por razões de segurança”. Estão a anular totalmente os direitos dxs presxs e eu pergunto-me: isto é democracia, ou é mais tortura? Quero agradecer a todxs que com grande esforço me fizeram
chegar esses livros. Xs carcereirxs estão a querer ser justiceirxs. São a justiça e fazem o que lhes apetece. Eu não entendo porque não se pode ler livros, ainda mais livros que fazem parte do depósito legal”.
As proibições de aparência absurda; as leis repressivas; a perseguição feita a lutadorxs, sindicalistas, jornalistas e as cruéis cadeias espanholas, mostram que o fascismo continua robusto e a exercer toda a crueldade com o povo vulnerável. A Noelia é castigada pela luta incessante contra o regime monárquico-capitalista, onde os reis, políticos e juízxs conformam uma classe parasitária e opressora.
Assassinam elefantes e devastam seres humanos. Por isto lhes é perigoso o livro de Emma Goldman nas mãos de uma lutadora como Noelia. Porque foi Emma que disse: “uma mudança social real nunca foi levada a cabo sem uma revolução…

Revolução não é senão o pensamento levado à ação”.

Liberdade para Noelia!

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[RJ] Sobre o julgamento de Rafael Braga Vieira

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Nota de Cumplicidade:

No dia 12 de abril a audiência que ia determinar ou não se Rafael Vieira ia seguir em prisão foi prorrogada para o dia 11 de maio já que um testemunha da defesa não compareceu. Reuniu-se uma galera na frente do tribunal de justiça para dar uma força solidaria a Rafael e manifestar sua indignação.

Lembramos que Rafael foi preso durante as manifestações de junho de 2013 no Rio, acusado de porte de explosivos enquanto levava na mão uma garrafa de detergente pinho sol. Depois de passar mais de dois anos preso, sai às ruas com “arresto domiciliar” e logo foi forçado a usar um tornozelo eletrônico. Porém, foi pego novamente, de caminho à padaria, foi espancado e torturado. Logo, Rafael foi conduzido à 22ª Delegacia de Polícia (Penha). Somente ali, de acordo com o advogado, ele se deparou com 0,6 g de maconha, 9,3 g de cocaína e um rojão, cujo porte lhe foi falsamente atribuído pelos policiais que o prenderam.

A insistência do estado em querer deixar Rafael atrás das grades é uma expressão clara que neste território, a justiça se faz a base de racismo institucionalizado. O caso é tão absurdamente ridículo que deixa ainda mais claro a urgência que temos por criar nossos próprios códigos e valores, nossas próprias maneiras de fazer justiça também… Frente a esta violência racista institucional, solidariedade é ação direta!

Força e liberdade para Rafael!

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[POA] “ACTION DIRECTE” Quinta 28 de abril- Apresentação do livro “odeio às manhas” (traduzido ao português) de Jean-Marc Rouillan e projeção do video “Nem velhos, nem traidores”.

ARTE

Biblioteca Kaos convoca:

“ACTION DIRECTE” Quinta 28 de abril- Apresentação do livro “odeio às manhas” (traduzido ao português) de Jean-Marc Rouillan e projeção do video “Nem velhos, nem traidores”.
Musica ao vivo, rango vegan e rifa em solidariedade com xs presxs em luta…

mais infos no blog: https://bibliotecakaos.noblogs.org/post/2016/04/15/action-directe-quinta-28-de-abril-apresentacao-do-livro-odeio-as-manhas-de-jean-marc-rouillan/

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[ESPANHA] BARCELONA: UMA DETIDA E REGISTROS EM OKUPAS EM RELAÇÃO A ASSALTOS A BANCOS ALEMÃES

Recebido no email:

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No contexto atual de endurecimento da legislação em todos os níveis e do aumento da repressão policial contra os movimentos sociais; no âmbito do processo de blindagem do Estado contra qualquer tentativa de questioná-lo e em meio à campanha midiática, policial e política para aterrorizar as pessoas com ameaças de terrorismo¹, ontem, quarta-feira, 13 DE ABRIL,
desde as 5 horas da madrugada, forças repressivas do Estado têm
protagonizado o mais recente ataque contra a dissidência.

Houve registros no Centro Social Okupado Blokes Fantasma, no bairro da Salut, em um domicílio na rua Ros de Olano da Vila de Gràcia e em uma casa na rua Agudells, em Carmel, onde levaram detida uma pessoa que foi transferida para a delegacia de polícia de Les Corts, à espera de seu advogado para conhecer as acusações contra ela, desconhecidas até agora [ontem].

A operação está sendo coordenada pelo Tribunal Central de Instrução 3 da Audiência Nacional espanhola e, de acordo com uma nota emitida pelo departamento de comunicação da Polícia da Catalunha logo após o início da operação, responde a uma carta rogatória tramitada desde um tribunal da Alemanha.
Mas vindo de onde vem a ordem, seja qual for a desculpa, não nos enganam sobre suas intenções:
O que eles querem é normalizar estas práticas totalitárias, querem que nos acostumemos que arrebentem a porta de casa com qualquer desculpa, querem que não nos surpreenda de ver a cidade militarizada, com ruas fechadas e encapuzados com fuzis nas mãos. Querem que tenhamos medo e que calemos o que sabemos e o que pensamos.
Não podemos permitir isso, já nos tomaram tudo, só podemos perder o medo e ir para as ruas, e não esqueçamos: elas sempre foram nossas!
Os únicos terroristas que temos visto são do Estado capitalista e seus mercenários (Juízes / Juízas, Mossos d’Esquadra [polícia catalã] e outros).

Nem domesticados, Nem amordaçados. SOLIDARIEDADE REBELDE!

_HIEDRA NEGRA, ASAMBLEA LIBERTARIA DE VALLCARCA_

“Que é roubar um banco comparado a fundar um?” Bertold Brecht

[1] Recordamos que, simultaneamente, em todo o Estado está acontecendo a quarta fase da Operação Araña (nas fases anteriores, em 2015 e 2016, detiveram até 56 pessoas), onde detiveram pelo menos 7 pessoas por expressar seus pontos de vista em redes sociais. Outro exemplo do brutal corte de liberdade que vivemos atualmente.

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[Estados Unidos] Eco-prisoneira Rebecca Rubin liberada!

Retirado de Kataklysma:

Compartilhado e traduzido de Earth First! Newswire

Rebecca Rubin foi liberada e transferida para uma casa de passagem! Sentenciada em 2014 a 5 anos em prisão federal por inúmeras ações da Frente de Libertação da Terra e da Frente de Libertação Animal -incluindo as sabotagens ao Vail Ski Resort e Indústrias de “reflorestamento” dos US, bem como a libertação de cavalos e incêndio das instalações da BLM Wild Horses na Califórnia e no Oregon – Rebecca está fora da prisão quase um ano e meio antes da data de soltura esperada de setembro de 2017. Felizes por você estar fora, Rebecca!

Não esqueça o aniversário de Rebecca no dia 18 de Abril (Fique ligado para mais informações sobre a situação de Rebecca, endereço de e-mail e formas de apoio.)

Rebecca gostará de receber e-mails ainda na casa de passagem. Fique ligado para possíveis atualizações no endereço dela.

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