[Prisões italianas] Ação do compa Alfredo Cospito em solidariedade com a Conspiração das Células de Fogo

Retirado de ContraInfo:

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A 30 de Agosto o preso anarquista Alfredo Cospito destruíu os vidros das divisórias da sala de visitas da secção de alta vigilância AS 2 da prisão de Ferrara, em solidariedade com xs presxs da CCF, recentemente condenadxs a mais de cem anos de prisão cada um/a por intenção de fuga das prisões de Koridallos. Segue-se o comunicado do companheiro:

Hoje, 30 de Agosto, passados quase quatro anos da minha detenção, quis celebrar o aniversário, oferecendo-me a destruição dos painéis da sala de visitas. Esta ação é a minha contribuição à solidariedade revolucionária com os meus irmãos e a minha irmã da CCF-FAI/FRI, condenadxs no enésimo julgamento a mais de 110 anos cada um/a pela tentativa falhada de fuga da prisão. O preso anarquista não é nenhuma bandeirazinha nem muito menos é necessário que se construa um monumento à sua volta, às vezes é um pedaço do nosso coração, às vezes não….de qualquer maneira continua a lutar, vivendo… Não há necessidade de o recordar, mas de o reivindicar, libertá-lo, ainda que ao fim e ao cabo também o possa fazer por si mesmx  porque pela sua natureza não pertence a nenhum rebanho…

Viva a FAI/FRI
Longa vida à CCF

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[Itália] [Op. Scripta Manent]: Endereços atuais dos anarquistas capturados a 6 de Setembro

Retirado de ContraInfo:

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A 6 de Setembro de 2016, a secção de Turim da unidade antiterrorista DIGOS  desencadeou uma operação anti-anarquista sob o nome “Scripta Manent” [por escrito é seguro]. Buscas domiciliárias foram levadas a cabo em várias regiões da Itália. Os anarquistas Alfredo Cospito e Nicola Gai, encarcerados desde Setembro de 2012 por tiro na perna a Adinolfi (Célula Olga – FAI / FRI), receberam uma nova notificação de detenção na prisão. Além disso, seis prisões foram realizadas cá fora (cinco no contexto desta operação, uma como resultado de buscas em residência).

Com a Operação Scripta Manent pretende-se atribuir aos/às acusadxs uma série de ações reclamadas pela FAI (Federação Anarquista Informal) em Itália. Por isso, xs companheirxs Marco, Sandrone, Anna, Danilo e Valentina, juntamente com Alfredo e Nicola, são susceptíveis de enfrentar a acusação de “associação subversiva com intenção terrorista”.

A seguir indicam-se os seus endereços para correspondência (que poderão mudar a qualquer momento):

Marco Bisesti
Alessandro Mercogliano
C.R. Rebibbia, Via Raffaele Majetti 70, 00156 Roma, Italia

Anna Beniamino
C.C. Via Aurelia nord km 79,500 n. snc 00053 Civitavecchia, Italia

Emiliano Danilo Cremonese
C.C. Via San Donato 2, 65129 Pescara, Italia

Valentina Speziale
C.C. Via Ettore Ianni 30, 66100 Chieti, Italia

Nicola e Alfredo encontram-se presos na ala AS2 da prisão de Ferrara:

Nicola Gai
Alfredo Cospito

C.C. Via dell’Arginone 327, 44122 Ferrara, Italia

Daniele, um editor da Croce Nera Anarchica [Cruz Negra Anárquica] foi capturado no mesmo dia, no âmbito de outra ação de detenção, após a polícia ter encontrado algumas baterias e um manual do eletricista no seu apartamento. Deverá deverá enfrentar acusações de “posse de materiais para a fabricação de dispositivos explosivos”.

O companheiro poderá ser contactado através da seguinte morada:

Daniele Cortelli
C.C. Regina Coeli, Via della Lungara 29, 00165 Roma, Italia

Fontes: Italiano: Informa-azione & CNA; Inglês: ActForFreedomNow

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[Prisões de Korydallos-Porto Alegre] Sacco e Vanzetti: Uma viagem através do tempo – Texto de membros da CCF para um evento organizado pela Biblioteca Anárquica Kaos

Retirado de ContraInfo:

Apresenta-se abaixo um texto escrito em Atenas, na Grécia – por vários membros presos da Conspiração de Células de Fogo – para um evento da Okupa Biblioteca Anárquica Kaos, no Brasil.

A todxs xs companheirxs, a todxs xs nossxs irmãos e irmãs anarquistas presentes neste evento organizado pela biblioteca Anárquica Kaos. Deixem que os nossos pensamentos irrompam e viajem para o Brasil de forma a serem enviadas estas breves palavras, com a esperança de que possam sentir um pouco a nossa presença ao vosso lado.

Em resposta ao tema do evento a ter lugar durante a Semana Internacional de Solidariedade aos/às presxs anarquistas gostaríamos de lançar a nossa contribuição pessoal e histórica em relação ao caso de Nicola Sacco e Bartholemeo Vanzetti. A Conspiração de Células de Fogo foi desde o início um grupo anarquista de ação direta que aspirava a um recrudescimento da presença agressiva anarquista na Grécia. Assim, a CCF não hesitou em criticar muitas vezes aquilo que se acreditava estar a ser impeditivo da generalização dessa intensificação. Mas quando a opressão finalmente chegou à nossa porta, aí entendemos completamente que se não estivéssemos ao nível dos nossos padrões ter-nos-íamos recusado a defender a nossa identidade, os nossos pontos de vista políticos e a nossa própria substância. Além do mais, poderíamos ter acabado por estar em completo contraste com as nossas críticas contra outrxs no passado. Deste modo, sete anos após o dia em que a repressão se abateu sobre nós, continuamos na vanguarda da dignidade anarquista, pelo menos de modo que a percepcionamos. Recusamos-nos a nos desonrar de qualquer forma e defendemos o que acreditávamos que tínhamos de defender, pagando o preço da nossa atitude intransigente.

Voltando ao passado, numa época em que dois companheiros – os anarquistas da práxis forjados no fogo da revolta Nicola Sacco e Bartholomeo Vanzetti – foram presos com acusações de expropriação armada e assassinato, enfrentámos desafios que não são de modo algum inéditos. Um fato que beneficia de ampla evidência é que tanto Sacco como Vanzetti participaram em redes militantes informais de afinidade anarquista, todas elas foram afiliadas a publicações como o jornal anarquista Cronaca Sovversiva, em cuja publicação eles próprios ajudaram, publicação essa que apoiava a necessidade de propaganda pela práxis. Sabe-se também que estas redes militantes informais foram responsáveis por uma série de ataques que sacudiram os Estados Unidos de 1914 em diante, ataques esses que estavam a ser financiados por expropriações armadas. Finalmente, é um facto que alguns dos companheiros de Sacco e Vanzetti confidenciaram, após o assassinato dos dois companheiros, que eles eram dois dos cinco ladrões da fábrica de calçados em Braintree, Massachusetts. Um dos companheiros de Sacco e Vanzetti, Mario Buda, por exemplo, durante uma entrevista, quando lhe perguntaram sobre o financiamento do seu grupo, respondeu: “Nós geralmente íamos aos sítios onde poderíamos encontrá-lo (o dinheiro) e levávamo-lo“, ou seja, aos bancos e fábricas. Muitos anos depois, em 1955, ele recebeu a visita do anarquista Charles Poggi, que estava a investigar historicamente o caso de Sacco e Vanzetti. Na discussão entre eles, Buda admitiu, pelo menos, a participação de Sacco no roubo em Braintree com a frase “Sacco estava lá” (“Sacco c ‘era“). Poggi ficou também com a impressão de que Buda foi um dos assaltantes, mas devido à discrição daquele, não levantou a questão.

Os dois companheiros foram presos após uma perseguição e apesar de se encontrarem armados não havia elementos de prova de incriminação contra eles – sem a técnica de investigação de balística que não tinha sido aperfeiçoada ainda naquela época e uma vez as testemunhas não podiam testemunhar nada que fosse confiável. Assim, ambos os companheiros escolheram defender-se declarando que estavam inocentes do roubo, ainda que culpados como anarquistas – num tempo em que, por tão pouco que isto representasse, poderia ser prova suficiente para alguém ser processado, torturado, preso ou mesmo deportado – na medida em que a onda de ataques anarquistas que abalaram os EUA tinha levado o Estado a tomar medidas de emergência contra anarquistas e imigrantes anarquistas, através de uma série de leis.

No pico da histeria anti anarquista, a que puseram o nome de Red Scare [Medo Vermelho], os dois companheiros tentaram equilibrar-se sem rede de modo a evitarem a pena de morte e a manterem a dignidade – uma vez que teimosamente se recusavam a perder a sua identidade, embora isso pudesse revelar-se suficientemente condenatório também.

Infelizmente, o caso de Sacco e Vanzetti é lembrado hoje exclusivamente como um exemplo de montagem do governo. A narrativa histórica que tem prevalecido está a tentar lançar um véu no contexto histórico mais amplo da era em que se deu o julgamento de dois companheiros referidos, induzindo deliberadamente em erro – retratando-os como meros sindicalistas organizados quando na verdade Sacco e Vanzetti e quase todxs xs companheirxs em torno da Cronaca Sovversiva tinham sentimentos profundamente anti – formalistas, distanciando-se das organizações oficiais anarquistas.

Em última análise, o caso dos dois companheiros foi sendo degradado tornando-o numa história onde se eleva o valor da vítima, em vez de ser um exemplo atemporal de uma orgulhosa insurreição anarquista. Tal tema é quase desconhecido até hoje. Naturalmente que cada companheirx mantém sempre o direito de não dar sequer um pingo de si mesmx para o inimigo, especialmente quando têm evidências insuficientes – se as houver até – para o/a condenar.

No entanto, isso é uma coisa outra coisa é o fetichismo político da vítima que omite deliberadamente e totalmente aquelxs que optam pessoalmente por defender o seu compromisso militante à anarquia. E se alguém tem dúvidas, deixem-nos saber os motivos porque é que os nomes dxs companheirxs de Sacco e Vanzetti continuam a ser lançados no esquecimento. Quantos ainda se lembram ou sabem sequer alguma coisa da “dinamite-girl”, a velha companheira de 19 anos de idade Gabriella Antollini, que reivindicou a responsabilidade do transporte de armas e explosivos? Quantos se lembram de Nicola Recci que perdeu quase toda a mão durante a fabricação de dispositivos explosivos? Com que frequência é Carlo Valdinoci mencionado, ele que morreu pela explosão de uma bomba que estava a planear colocar na casa do ministro da Justiça Palmer; ou Andrea Salsedo, que foi atirado de uma janela pela polícia, durante um interrogatório acerca de uma reivindicação de responsabilidade que foi descoberta na sua loja de impressão? Todxs estxs e muitxs mais, estavam destinadxs a ser deixados de fora dos livros de história, porque como realmente é o caso não eram “inocentes”.

Neste ponto, apesar do stress e de se declararem inocentes das acusações, nunca Sacco e Vanzetti denunciaram o seu património insurrecionário. Um fato comprovado pelo número das ações ofensivas em todo o mundo feito em nome da solidariedade aos dois companheiros. Desde o bombardeio, usando um carro com fios, de Wall Street até ao pacote-bomba enviado para o embaixador dos EUA em Paris, bem como dezenas de atentados de embaixadas americanas em diversos países. Os companheiros muitas vezes exortaram eles mesmos o movimento a fazer retaliações contra o Estado e juízes. Em Junho de 1926, numa edição da Protesta Umana, Vanzetti escreveu entre outras coisas: ”Tentarei ver Thayer morto antes do anúncio da nossa sentença” e pediu aos/às companheirxs “Vingança, vingança em nosso nome e em nome do nosso modo de vida e mortxs “. O artigo conclui com  “Health Is In You” [A saúde está em você] que foi o título de um manual sobre dispositivos explosivos publicado pela Cronaca Sovversiva (alguns dizem que traduzido por Emma Goldman a si mesma).

A rica contribuição da anarquia insurrecional no movimento de solidariedade com Sacco e Vanzetti está a ser, em grande parte, negligenciada até hoje. Na ocasião da chamada para a Semana de Acção Internacional pelxs anarquistas encarceradxs, vale a pena ser definitivamente lembrado em toda a sua perspetiva o legado de tal solidariedade militante. Quem acredita que a dissociação com atos militantes de solidariedade é nova ou tem falta de raízes, está profundamente enganadx.

Um fato notável é que, enquanto certos círculos anarquistas na Argentina caluniavam Severino Di Giovanni, acusando-o mesmo de ser um fascista, a viúva de Sacco – numa correspondência, alguns dias após a execução de ambos os companheiros – expressava a sua gratidão pelo apoio daquele ao caso. Na mesma carta, indicava que o diretor de uma determinada empresa de cigarros com o nome “Combinador” se tinha oferecido para dar a um tipo particular de cigarros da marca o nome “Sacco e Vanzetti”, tentando obter descaradamente lucro da notoriedade do caso. Em 26 de Novembro de 1927, uma bomba colocada por Di Giovanni e companheirxs explodiu numa filial da referida empresa em Buenos Aires. Fazia parte desse mesmo grupo o companheiro de Sacco e Vanzetti Ferrecio Coacci, o qual tinha sido deportado dos EUA. Coacci também era suspeito no roubo pelo qual Sacco e Vanzetti foram condenados, tendo a sua casa sido a primeira a ser invadida na investigação do caso.

Esperamos que consigamos nestas poucas palavras incentivar o interesse dos/as participantes do evento, definindo as bases para um autêntica discussão de companheirismo sobre todas as questões acima mencionadas – uma vez que, infelizmente, estamos condenadxs a nada aprender da nossa história, condenando-nos assim ao mesmo erro, uma e outra vez.

Do coração, enviamos a todos vós as nossas mais calorosas saudações.

Por fim, devemos lembrar-nos da frase do anarquista Luigi Galleani, companheiro de Sacco e Vanzetti e um dos editores de Cronaca Sovversiva: “Nenhum ato de rebelião é inútil; nenhum ato de rebelião é prejudicial.

Os membros da Conspiração de Células de Fogo

Michalis Nikolopoulos
Giorgos Nikolopoulos
Haris Hatzimihelakis
Panagiotis Argirou
Theofilos Mavropoulos
Damiano Bolano

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[Grécia] Atualização da situação dos companheiros Kostas Sakkas e Marios Seisidis, recentemente presos

Retirado de ContraInfo:

A 17 de Agosto de 2016, Kostas Sakkas e Marios Seisidis enfrentaram em Atenas um julgamento – relativo às circunstâncias da sua detenção em Esparta (4 de Agosto).

Durante o julgamento que durou várias horas, com presença constante de companheirxs em solidariedade, Marios Seisidis e Kostas Sakkas declararam em tribunal que eram anarquistas, explicando as razões para a partir da lei se manterem fugitivxs. Ambos negaram as acusações assim como expuseram as mentiras das testemunhas de acusação (três da bófia). O acusador declarou que havia evidência suficiente – baseado somente nas crenças dos dois acusados – de que tinham cometido um ato punível.

Marios Seisidis foi condenado a 32 meses de prisão por utilização de bilhete de identidade falso assim como chapa de matrícula de veículo forjada, roubo de carro e resistência à autoridade; Kostas Sakkas foi condenado a 33 meses de prisão pelas mesmas acusações, além de uma multa de 200 euros por infração de trânsito.

Kostas Sakkas é agora mantido na prisão Korydallos (Atenas) e Marios Seisidis está actualmente encarcerado na prisão Malandrino (Phocis).

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ANARQUIA EM TEMPOS DE CRISE E DE DEMOCRACIA – pt. #1

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Mandado no email por Fação Ficticia

“Diferentemente dessa direita que emerge logo após nossas revoltas populares, não queremos reformas que garantam os privilégios das classe médias e altas enquanto esmagam ainda mais as classes baixas, as periferias urbanas, as populações negras e LGBTTQ, assim como indígenas e imigrantes. Divergimos também da esquerda autoritária e/ou partidária descolada quando ela quer reformas que custam nossa autonomia, abrindo mão de nos organizar e desenvolver nossas capacidade de construção coletiva para eleger alguém que “nos represente de verdade”, para “mudar o sistema de dentro”. Não queremos eleger outro “herói” ou “heroína” do povo, não queremos ninguém da nossa classe, cor ou gênero no controle das instituições que nos oprimem.”

a integra aqui

 

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[Sobre os protestos] Nota de Cumplicidade+ Porque alguns anarquistas estamos nas ruas (se ninguém nos chamou…) Uma posição sobre vandalismo, black-bloc e quebra-quebra… (texto) + Minha opinião sobre o “Fora Temer” (texto) + Algumas fotos dos protestos

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Protesto em Curitiba 2 de setembro

Nota de Cumplicidade:

Os protestos “Fora Temer”, e “contra o golpe”estão acontecendo em várias cidades deste território de forma cada vez mais “radical”, onde encapuzadxs quebram bancos, saqueiam lojas, usam as lixeiras de barricadas incendiarias e praticam futebol com as bombas de gaz lacrimo… Neste contexto, alguns anarquistas têm manifestado sua posição em relação a sua participação (ou não participação) aos protestos. Enquanto blog de Contra Informação que busca a propagação da anarquia via a ação direta, acreditamos que reflexões como as que se estão fazendo são necessárias para não cairmos numa “armadilha” política e sermos usados e recuperados pelo PT ( que em 2013 mandou a PM a nos reprimir, criou a lei anti-terrorismo, etc, etc, etc…) enquanto sua massa de manobra e carniça… Para não perdermos, diluirmos e sermos engulidos pelos que até agora considerávamos nossos inimigos. Não confundamos Fora Temer com Fora Todos nem Anarquia com Democracia…. Mas justamente para dar frutos ao debate, precisamos estar nas ruas, precisamos tomá-las e subverter as intenções dos partidos políticos… Precisamos transformar estes protestos contra o golpe em algo além da politicagem, em algo anárquico, em revolta e insurreição… Para isso, precisamos nos encontrar, propagar, quebrar, incendiar, romper com a normalidade e a passividade… e temos que fazê-lo expandindo nossas ideias, pixando as ruas, invadindo as paredes com cartazes e propagandas.

Difundimos estes textos porque achamos que vários pontos levantados são pertinentes para proporcionar reflexão individual e coletiva e debates entre anarquistas, vandalxs, blacks bloc e demais revoltadxs.

A seguir difundimos os textos : “Porque alguns anarquistas estamos nas ruas (se ninguém nos chamou) Uma posição sobre vandalismo, black-bloc e quebra-quebra” e “Minha opinião sobre o “Fora Temer” que recebemos no e-mail assim como diversas fotos dos protestos em várias cidades… Esperemos que os textos contribuam para reflexões e debates….

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São Paulo, 1 de setembro

Porque alguns anarquistas estamos nas ruas (se ninguém nos chamou…) Uma posição sobre vandalismo, black-bloc e quebra-quebra…

Que fique claro que não estamos saindo às ruas para defender um governo, nem o da Dilma, nem qualquer outro. Não fomos manifestar contra o golpe nem muito menos pra defender a democracia. Estamos nas ruas porque hoje, como qualquer outro dia, estamos lutando contra o capital, o estado e seus tentáculos. Desatando e contagiando para quem quiser se contagiar, a revoltosa e liberadora violência. Estamos nas ruas para nos encontrar com outros desajeitadxs sociais e criar cumplicidade no barulho das vidraças quebradas e no calor das lixeiras incendiadas…

Sabemos que as mudanças políticas (não somente neste território) apontam a uma repressão cada vez mais forte e uma violência descarada contra quem não se conforma com a realidade social que nos impõem. Somos cientes também que quem vão se foder mais ainda com o governo atual são os que já vêm se fodendo há anos (para não dizer séculos…).

Não negamos que haja diferenças entre um governo e outro, mas podemos enxergar muito claro que sobretudo há continuidades. No fim das contas, as premissas do governo Temer, as colocaram o governo do PT/PMDB da Dilma, com as reformas repressivas que adotou: as UPP nas favelas, a PEC 215, a lei anti terror etc… Agora o que vivenciamos, são também os resultados do governo do PT e da sua aliança com seus atuais “inimigos”: milicos fardados nas ruas, rei da soja no ministério da agricultura, mais e mais torturadores no congresso… PT, PSOL, PMDB, PP, PSB, PCB etc… para existir todos eles têm que “fazer alianças” entre eles, comprometer seus próprios princípios, suas próprias promessas para alcançar o “Poder”… Uma verdadeira guerra de trono. Todo governo e todo partido político é uma grande hipocrisia…

Mas, além disso, quem gosta de ser mandado? Quem gosta de ser governado, dirigido, oprimido? Todos os partidos são diferentes porcas e engrenagens da mesma maquinaria de dominação.

Fazemos vandalismo, sim, contra o capitalismo, a burguesia, e a dominação. E somos orgulhosxs daquilo.

Quebramos os bancos, as lojas, os carros porque lembramos de cada ataque que cada e qualquer governo fez contra a gente. Porque quando uma vidraça estoura no meio da noite, é um pedaço da hierarquia, da autoridade, da propriedade e da dominação que caí com ela…. Cada pedra atirada, cada rojão que explota, cada lixeira virada é um ato de vingança contra violência estatal que vivemos cotidianamente…

Os vidros quebrados dos bancos Bradesco são um recado para os bilhões de reais que foram investidos nas olimpíadas, porque não esquecemos. Quebramos os bancos porque são símbolos do capital e instituições que perpetuam o colapso social e “ambiental” que estamos vivendo.

Cada pedra atirada é a expressão da indignação de todxs nós, cansadxs de sermos usados, manipulados e dominados pelos governantes, pela mídia, por multinacionais… Uma pedrada carrega raivas, frustrações e sobretudo a liberdade da desobediência, do desrespeito à propriedade. Uma pedrada numa vidraça é a expressão da insubmissão, dos instintos que não foram e nunca serão domesticados e apaziguados. É a capacidade de desbordar as margens do protesto cidadão no caminho da libre rebeldia. Uma pedrada carrega toda a coragem de sair da casa e sair do rol de espetador diante duma tela, pra correr nas ruas, torná-las um campo de ação política.

Nas ruas, onde nos encontramos, não são de ninguém, são da revolta. Elas nos abrem o caminho para retomar nossas vidas, abrem o caminho da insubmissão e da dignidade… Abrem as portas para que cada um possa ser responsável de si mesmo sem depender de nenhuma instituição, abrem o caminho do “foda-se o Estado” e da autonomia… e estamos nelas pra que nossa raiva se expanda, contra a ordem social, não contra o boneco que leva o título de presidente, mas contra toda a estrutura estatal… porque temos claro que as ruas gritam muito além de um “Fora Temer”.

Desde as ruas, somos incontroláveis, na cumplicidade do capuz somos mais fortes, e podemos viver intensamente um encontro onde os bancos nunca serão algo a defender, sem não instituições que lucram com a desigualdade, que se apropriam das vidas a golpes de cartões de créditos e de juros. Onde o carro burguês não é um sonho sem não o símbolo da ostentação. Onde uma loja vende privilégios e não simplesmente roupa…. onde somos capazes de atacar materialmente a dominação.

Que a repressão interna liderada por candidatos e afiliados a partidos políticos, não freiem nossa raiva, que no freiem a ações diretas…

Já chega de sermos mandadxs….

Não pedimos nada, vamos quebrar tudo…

Pelo descontrole, pela revolta, pela anarquia

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Porto Alegre, 3 de setembro

Minha opinião sobre o “Fora Temer”

O país está em ebulição com o impedimento. Vejo muitas pessoas, em larga escala da esquerda institucional, revoltadas convocando manifestações “radicais”, pedindo “ação direta” para derrubar o Temer.
Curiosamente, também vejo muitos que se indignam com os “radicais anarquistas e libertários” que não respondem ou fazem coro com esse chamado.
O argumento geral é que finalmente o povo está revoltado, querendo ir pra rua, e aqueles não somam para “radicalizar” juntxs. Como se “radicalizar”, para os que são contra o Estado e o capital, fosse simplesmente sair por aí a quebrar coisas qualquer que seja o motivo, sem estratégia, sem objetivo: exatamente o discurso da grande mídia.
Não entendem que a ação direta defendida pelos “radicais” tem por objetivo expor as contradições do Estado e do capital. Não vejo sentido algum em ir pra rua “radicalizar”, “destruir” o poder do Temer, para colocar outro qualquer no lugar.
Ah se fosse só isso! Pior ainda! Esse discurso expõe de forma fulcral quando, e pelo que, grande parte da esquerda está disposta a “radicalizar”: para trocar um governante por outro, e nada mais.
De 2013 para cá, inúmeros foram os chamados para “radicalizar”: contra a lei anti-terror da Dilma, contra a criminalização dos que lutam, contra a violência policial, contra o fascismo que emerge, contra as chacinas na periferia e muitos outros.
É frustrante, pra dizer o mínimo, que para tudo isso, para a luta que não gera dividendos eleitorais, não haja revolta alguma, mas para legitimar um Estado falido existe.
Portanto, não vou para nenhum “Fora Temer”. Vou sim tentar me organizar e lutar com os debaixo, contra o fascismo cotidiano do Estado, contra os cortes de qualquer que seja o governo e na luta por democracia real: a direta, construída desde baixo e fortalecendo o poder do povo contra qualquer que seja o governo.
GEOVÁ ALENCAR

Algumas fotos…

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Belo Horizonte, 6 de setembro. “Nenhum governo é opção”

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Curitiba, 2 de setembro

Em Floripa:

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Em Porto Alegre:

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Em São Paulo:

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[ITÁLIA] TURIM: 7 ANARQUISTAS SÃO DETIDOS ACUSADOS DE PERTENCER A FAI

Recebido no email:

Na manhã desta terça-feira, 6 DE SETEMBRO, durante uma grande operação policial, foram detidos 7 anarquistas acusados de pertencer a Federação Anarquista Informal (FAI). A operação, denominada “Scripta Manent”, foi realizada pela DIGOS (Divisão de Investigação Geral e Operações Especiais) de Turim, encabeçada pelo Procurador Roberto Sparagna.
A acusação contra os anarquistas é de associação com fins terroristas. A investigação lhes atribui a colocação de três bombas. Uma na região de Turim, conhecida como Crocetta, no dia 5 de março de 2007. As outras duas ocorreram na região de Fossano, atingindo agentes da polícia no dia 2 de junho de 2006.

Ademais das detenções destas individualidades e onde outros 8
anarquistas foram postos sob investigação, houve ações de busca e apreensão em 29 moradias espalhadas pelas cidades italianas de Piemonte, Liguria, Lazio, Emilia Romagna, Lombardia, Sardegna, Abruzzo, Campania e Umbria.

Os anarquistas detidos seriam: Anna Beniamino (46 anos), Marco Bisesti (33 anos), Danilo Emiliano Cremonese (40 anos), Alessandro Mercogliano (43 anos) e Valentina Spaziale (39 anos). As outras duas pessoas se desconhece sua identidade, mas seriam duas mulheres e as estariam vinculando a FAI – “Núcleo Olga”, grupo que se adjudica o ataque a Roberto Adinolfi, em maio de 2012 em Gênova, onde os anarquistas Nicola Gai e Alfredo Cospito foram condenados a 9 anos, 4 meses e 10 anos, 8
meses de prisão respectivamente.

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[EUA-MÉXICO] DIA DE AÇÃO INTERNACIONAL PELA SAÚDE E LIBERDADE DE MUMIA ABU-JAMAL

Mandado no email:

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Na quarta-feira 7 DE SETEMBRO será um dia de ação internacional para exigir um tratamento imediato para Mumia Abu-Jamal com as novas drogas antivirais que podem curar a Hepatite C, uma enfermidade que ele padece junto com quase 6.000 presos no Estado da Pensilvânia e milhares mais nas prisões dos Estados Unidos.
No dia 31 de agosto, o juiz federal Robert Mariani se negou a ordenar dito tratamento por um tecnicismo, ao responder à demanda apresentada há mais de um ano pelos advogados Robert Boyle e Bret Grote. No seu parecer, o juiz Mariani, o que presidiu a audiência sobre o caso em dezembro de 2015, diz que a demanda nomeia pessoas que não têm a autoridade de implementar um mandato judicial, quando deveria nomear os
membros do Comitê de Atenção à Hepatite C do Departamento de Correções (DOC) do Estado da Pensilvânia. De acordo com o juiz, só este Comitê tem autoridade para atuar.
Por outro lado, o parecer do juiz mantêm que o DOC violou a Oitava Emenda da Constituição Federal que proíbe os castigos cruéis e inusuais, ao negar-lhe tratamento a Mumia e a outros presos que padecem Hepatite C Ativa.
A Campanha para Levar Mumia a Casa descreve o parecer como “mais um exemplo das contorções e acrobacias que se tem utilizado desde há muitos anos para negar justiça a Mumia e a milhares de outros acusados.”
Noelle Hanrahan da Rádio Prisão pergunta: “Como é possível que o DOC não seja responsável? Eles estabeleceram o Comitê de Atenção à Hepatite C e aprovaram suas recomendações. Como é possível que o juiz permita que o DOC evite sua obrigação constitucional para dar atenção médica aos presos, relegando sua responsabilidade a um subcomitê?”
O advogado Robert Boyle enfatiza que durante todo o processo o
Departamento de Correções nunca disse que às pessoas solicitadas lhes falta a autoridade para implantar uma ordem da Corte. Também afirma que a existência do Comitê só foi revelada ao final da audiência de dezembro. O grupo se reúne em segredo e toma suas decisões secretamente.
No entanto, Boyle destaca a importância de que o juiz Mariani tenha encontrado que o Departamento de Correções está negando às pessoas a adequada atenção à saúde, garantida pela Oitava Emenda da Constituição dos Estados Unidos. Em seu informe, Mariani diz que o DOC se mostrou “deliberadamente indiferente” aos riscos conhecidos associados com a Hepatite C não tratada.

De acordo com o protocolo do DOC, um preso tem que estar perto da morte antes de receber o tratamento com os novos antivirais. Tem que ter cirrose e hipertensão portal, ou seja, o fígado tem que está tão calcificado que o sangue não possa entrar e as veias do peito e a garganta comecem a se romper.
Na audiência de dezembro de 2015, se estabeleceu que Mumia tem fibrose (fígado danificado) e que há uma probabilidade de 63% de que tenha cirrose. Considera-se que tenha o vírus de Hepatite C desde que recebeu uma transfusão de sangue na noite de sua detenção em 9 de dezembro de 1981, quando foi baleado e surrado a ponto de beirar a morte.
No momento da audiência, apenas 5 presos no Estado da Pensilvânia estavam recebendo o tratamento, e agora, são aproximadamente 30. A empresa Gilead recebe US$ 1.000,00 dólares por pílula da droga Sovaldi. Na Índia, no entanto, um país que não vive sob a tirania das leis de patente, a mesma pílula custa de US$ 3 a US$ 10 dólares. Para a droga Sovaldi, um tratamento de 12 semanas custa US$ 84.500,00 enquanto o
tratamento inteiro para o antiviral Harvoni, também produzido por Gilead, custa US$ 94.500,00.
Em uma conferência de imprensa, o advogado Bret Grote citou Mariani com relação ao protocolo do DOC: “[Este] alarga o sofrimento dos que foram diagnosticados com Hepatite C crônica e permite que a progressão da enfermidade se acelere para apresentar uma ameaça maior de cirrose, câncer do fígado e a morte do réu com a doença” em violação da Oitava Emenda.”
Ainda que a equipe legal esteja decepcionada que a Corte não tenha emitido um mandato judicial neste momento, opina Grote que o informe de Mariani “marca um poderoso precedente a favor do senhor Abu-Jamal.”
Explica que o juiz determinou que “os pacientes encarcerados que padecem de Hepatite C merecem tratamento com os novos medicamentos que curam a doença e que o protocolo atual do DOC viola a Constituição.”
E o que opina Mumia Abu-Jamal? Em uma mensagem gravada para a Rádio Prisão em 1º de setembro diz: “É um começo e um bom começo que um juiz federal reconheça que o que tem feito o Estado da Pensilvânia durante anos, não apenas é injusto, como também cruel. Anti-constitucional. Uma violação fundamental de uma equidade fundamental e do direito humano à vida. Então, é um começo e um bom começo. E queremos um bom final.”
Na Filadélfia, o Comitê Internacional da Família e Amigos de Mumia Abu-Jamal (ICFFMAJ), a Campanha para Levar Mumia para Casa, a organização MOVE e a Coalizão Mumia Abu-Jamal de NYC levarão a cabo uma conferência de imprensa e protesto em 7 de setembro para exigir tratamento imediato para Mumia. Também haverá ações em outras cidades do mundo.
Na Cidade do México nos somamos à demanda. Convidamos a todos para mostrar seu apoio por sua saúde e liberdade em um ato que acontecerá nas imediações da embaixada dos Estados Unidos na quarta-feira, 7 de setembro, ao meio-dia. Também atuaremos em solidariedade com as greves contra a escravidão nas prisões dos Estados Unidos, que acontecerão a partir de 9 de setembro em comemoração à rebelião e repressão no penal
de Attica em 1971. Dizemos NÃO à importação ao México do monstruoso sistema carcerário desse país.
Para assinar uma petição em apoio ao tratamento para Mumia, consultem:
https://campaigns.organizefor. org/petitions/life-saving-
treatment-now-for-mumia-abu- jamal [1]
Saúde e liberdade para Mumia! Tratamento imediato para sua Hepatite C! Presas e presos políticos, liberdade! Não à escravidão! Morte à prisão!

Imagem: Compa Colibri.

_AMIGXS DE MUMIA DE MÉXICO_

amigosdemumiamx.wordpress.com [2]

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