[Uruguai] Comunicado da assembleia aberta do Centro Social Autônomo “La Solidaria” ante o mandado de desalojo

Recebido no email:

Nestes dias chegou um mandado anunciando que o Centro Social Autônomo “La Solidaria” será desalojado no dia 21 de março.

A luta das pessoas para transformar a realidade não é um fenômeno novo, é um caminho antigo que recordamos com dignidade. O Estado genocida que foi criado e se impôs nestas terras, o saque da ditadura cívica-militar e sua continuação com os governos democráticos afiançando o capital financeiro, são parte de uma mesma história. A conhecemos porque somos parte dos que combateram contra esses poderes. Somos parte de cada luta pela liberdade e estamos feitos dela. Somos parte da luta pela diminuiç&atild e;o das horas de trabalho, contra o salário e seus donos. Somos parte da luta que conseguiu deter o serviço militar obrigatório, que se bateu na greve geral desobedecendo os dirigentes e somos parte da luta que se opôs a Aratirí [mineradora] e à devastação do terr itório.

E os ataques que nestes dias recrudescem são a tudo isto, não só a um local, a um punhado de refratários senão a um método e a uns princípios bem firmes de liberdade. A tentativa de desalojar “La Solidaria” para este 21 de março, é um esforço vão por deter a auto-organização social, sem partidos políticos ou igrejas, que possui seus lugares, tem suas lutas particulares e cria diariamente a resistência contra os projetos do Poder. A tentativa que mancomuna juízes, po liciais e financistas por restituir a propriedade privada e a ordem, se opõe a uma luta que demostrou várias coisas nestes cinco anos de ocupação. “La Solidaria” demostrou e demonstra diariamente que o mundo da sociedade de serviços pode ser combatido, que um mundo sem lu cro e competição pode sobreviver. Demostrou e demonstra que um mundo sem compromissos, que destroem igualmente toda individualidade assim como todo laço comunitário é atacável, burlável e pode ser vencido.

A casa onde funciona “La Solidaria” pode ser facilmente recuperada pelas forças do Estado e devolvida à especulação imobiliária, é um fato de relação de forças. Mas seus projetos de transformação não serão derrotados por este fato. Nos últimos anos os métodos de ação direta, de auto-organização se reproduziram e se, se perde um local só se perde uma pequena parte.

Nestes anos “La Solidaria” albergou diferentes estruturas auto-organizadas, grupos, atividades e iniciativas sempre com um caráter autogestionado, sem dinheiro e autônomo. Todas as atividades foram e serão sempre antiautoritárias, evitando todo racismo ou sexismo.

De muitas formas quiseram nos comprar e de muitas formas quiseram nos intimidar mas é um tecido muito forte o que nos mantêm. O que fez com que tudo continuasse com firmeza estes anos, apesar dos ataques do Poder, foi o complexo de relações solidárias criados durante estes anos. Muitas casas de similares características não suportaram os embates do processo de gentrificação, foi a capacidade para auto-organizar-se e a determinação o que fez com que “La Solidaria” tenha se mantido firme. Nossa responsabilidade é com tudo isso, com essa luta que vai muito além de nó s e que tem que ver com cada um de nós.

Às suas ofertas e aos seus cassetetes sempre opusemos um firme “não!”.

Voltem por outro quando queiram, sabem onde estamos!

Tirem suas mãos de nossos centros sociais!

Assembleia aberta do Centro Social Autônomo “La Solidaria”

Fonte: https://periodicoanarquia.wordpress.com/2017/03/03/comunicado-ante-cedulon-de-desalojo-de-la-solidaria/

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[Chile] Luta radical mapuche: Resistência ancestral contra o Estado e o Capital

Recebido no email por “Contra Toda Autoridad” e traduzido por ANA:

Cada individualidade, grupo, tribo ou povo originário tem suas formas de resistir a este sistema, tem suas próprias visões e formas de se organizar. Por outro lado tem o mesmo inimigo que os reprime e oprime e o fim último de suas lutas é viver livres e autônomos” – Companheiro Carlos Gutiérrez Quiduleo

1. Breve percurso de um caminho de resistência.

É de conhecimento geral que a luta do povo mapuche existe há centenas de anos. Inclusive antes de combater os conquistadores espanhóis já haviam freado o avanço do império inca impedindo sua investida ao sul do seu território hoje chamado Chile e obrigando-o a manter sua posição na zona central do “Chile”.

Conhecidas também são as batalhas e enfrentamentos com os conquistadores espanhóis, onde por mais de cem anos se levou uma guerra que pôs em xeque as pretensões dos conquistadores de dominar o território sem maiores obstáculos obrigando-os, após processos marcados pelo extermínio e cativeiro, a delimitar uma fronteira que permitisse aos mapuches manter seu território ao sul do rio Bio Bio.

Uma vez criado o Estado chileno, voltou-se a intensificar a opressão em território mapuche no que a história dos poderosos aparece denominando hipocritamente como a “pacificação da Araucanía”, o que na verdade se tratou de um extermínio étnico e cultural massivo com o objetivo de “civilizar” as terras dos “selvagens”.

Nas décadas recentes, a lógica do desalojo se intensificou após a instalação das políticas econômicas neoliberais impostas na ditadura, entregando terras ancestrais mapuches a empresas florestais e hidroelétricas, derrubando bosques, inundando terras, plantando pinhos que assassinam o ecossistema nativo e instalando plantas de processamento de celulose que devastam o território.

2. Despojo, repressão e resistência contra o Estado e o Capital.

Com a chegada da democracia se intensificou a lógica mercantil, mas como nos últimos séculos, a resistência mapuche voltou a emergir com propostas organizativas e ações diretas que apontam à autonomia do povo mapuche através da recuperação e defesa de seu território ancestral. Este objetivo tem tratado de se materializar através das últimas décadas com a articulação entre comunidades, assim como também com ação direta contra objetivos de diverso tipo, como os ataques incendiários a infraestrutura de empresas florestais, de latifundi&a acute;rios, casas de veraneio de políticos, igrejas etc. que fazem parte dos interesses dos capitalistas e do Estado chileno presentes na zona.

Heterogêneo é o panorama em que podemos chamar “luta mapuche”. Em sua paisagem encontramos ao mesmo tempo comunidades e grupos assimilados pela via institucional chilena, discursos vitimistas, comunidades em conflito, grupos de resistência armada, organizações político militares, propostas anticapitalistas/revolucionárias, ideias de liberação nacional, etc.

Em meio desta diversidade o Estado chileno busca aprofundar a resolução do conflito através da via das instituições, mostrando ao mesmo uma imagem de respeito da diversidade pondo pessoas mapuche ao lado das autoridades em discursos políticos, inserindo o idioma mapuche (o mapuzungun) em edifícios estatais e textos escolares, pondo pessoas de origem mapuche em cargos políticos na “zona de conflito”, etc.

Paralelo a isto, uma política de intensa repressão foi desatada há anos contra as comunidades mapuche em pé de luta que não se dobram às imposições e ofertas estatais. Elas são atacadas desde o Estado com invasões contínuas, agressões a crianças, encarceramentos, assassinatos, torturas, fiscais especiais, perseguições, escutas telefônicas, uso de testemunhos encobertos, uso de informantes em troca de benefícios, polícias militarizadas, grupos paramilitares e toda uma gama de recursos próprios da guerra contra-insurgente à serviç ;o do Estado e do Capital.

3. Resgatando experiências de uma luta sem tréguas.

Apesar de todas estas ferramentas repressivas, o Estado não conseguiu frear a luta mapuche em suas expressões mais radicais, com as quais nos fraternizamos conhecendo as diferenças que nos separam com qualquer posição vitimista e etnocêntrica que não ponha atenção à existência de outras tendências em guerra contra o Estado e o Capital.

Uma vez assumidas certas distâncias, resgatamos o acionar permanente contra os interesses estatais e capitalistas; e, inclusive, apesar da repressão, este acionar contínuo se estende e se intensifica sobrepujando toda a política de guerra anti-subversiva desenrolada na área mapuche com centenas de homens e milhões de pesos gastos em recursos humanos e técnicos para a repressão.

Podemos obter várias aprendizagens para nós mesmos olhando a contínua luta radical mapuche, elementos que sem dúvida poderiam nos aportar na luta insurreta contra toda autoridade. Seu ritmo de guerra é já um exemplo a seguir, intensificando e diversificando o combate, por um lado contra o despojo de séculos ainda vigente, e por outro lado como resposta aos golpes repressivos.

Assim, por exemplo, em abril de 2016 enquanto o Estado, seus fiscais, polícias e agentes de inteligência ainda não paravam de celebrar e alardear após a detenção de um grupo de comuneiros acusadxs de participar no atentado incendiário onde morreram queimados dois latifundiários (2015), grupos de resistência mapuche realizaram diversos atentados incendiários que descolocaram o poder demostrando-lhe que o encarceramento não é sinônimo de derrota e que a luta segue e se intensifica.

Algo importante também a considerar é que esse contínuo acionar apesar das prisões e assassinatos de comuneiros mapuche, das invasões e contínuas perseguições a comunidades, inclusive da traição de mapuches que terminaram colaborando com o Estado, não tem necessariamente que ver com uma profissionalização militar mapuche – ainda que assim o poder o queira mostrar -. Pelo contrário, se trata de indivíduos e coletividades que com engenho e decisão tomam parte ativa na luta radical sem dar tréguas ao inimigo em uma guerra que começa no interior mesmo das comunidades em conflito que avançam na recuperação territorial e resistem às investidas policiais.

Essa atitude na luta, esse ritmo de guerra, são um exemplo para nós. Levar a guerra a todas partes desde nossa posição de contínua confrontação é algo sem dúvida temido pela autoridade. Quão fortes seríamos se mais companheirxs tivessem essa atitude de romper sua própria rotina e comodidade para passar a desatar a raiva contra a dominação, para devolver os golpes do inimigo e dar-lhe tudo na insurreição permanente contra o poder.

A experiência a temos perto, as vontades e a convicção dentro de nós.

Nos bosques, campos e cidades… A propagar a guerra contra a dominação!

> Texto publicado na revista Contra Toda Autoridad #4

contratodaautoridad.wordpress. com

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[POA] Tinta jogada na fachada da igreja luterana da rua Senhor dos Passos

Recebido no email:

Na madrugada do 21 de março, decoramos com tintas a fachada da Igreja Luterana na rua Senhor dos Passos no centro de Porto Alegre como gesto de força e solidariedade com os compas da Solidaria, um espaço okupado que abriu as portas para muitos encontros e possibilidades, para a cumplicidade e a insubmissão.
Para que sintam o calor da afinidade e segamos na turbulência da conflitividade permanente!

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Conspiração de Células de Fogo_ Projeto Nemesis_ Acto 2

Recebido no email:

Traduzido por Sin Banderas Ni Fronteras desde Insurrection News ao espanhol e por Cumplicidade ao português.

Conspiração de Células de Fogo_ Projeto Nemesis_ Acto 2

Nove anos depois da primeira aparição da Conspiração de Células de Fogo em janeiro de 2008.

Depois de mais de 300 ataques contra objetivos da dominação que resultaram em dezenas de bilhões de euros em danos e o traspasso do medo ao campo do poder.

Depois de mais de 60 detemções de companheirxs e outras pessoas durante anos, acusadxs de serem nossxs membrxs e dos milhares de anos de prisão que se lhes impus.

Depois de tantas vezes em que os ministros e chefes da policia declararam nos meios de comunicação que tinham conseguido nos “desmantelar” e que “a CCF terminou”.

Após a inclusão da CCF em listas de organizações “terroristas” por parte do Departamento de Estado nos Estados Unidos e da Europol na União Europeia

… nós seguimos ainda mais forte.

Com a criação de uma rede conspiradora internacional de células FAI e CCF em dezenas de países que levaram a cabo e seguem levando a cabo ataques de guerrilha.

Com ainda mais paixão e tenacidade não só para atacar a infraestrutura do sistema mas também as pessoas no poder.

Sempre contra a apatia social.

Sempre contra os opressores das nossas vidas.

Ainda não podem entender que a CCF é uma ideia e que a ideia não pode ser encarcerada porque é como a Hydra. Por cada companheirx encarceladx, novxs companheirxs estão dispostxs a tomar seu lugar e continuar no caminho do ataque.

Ainda temos a raiva…

Enviamos um paquete-bomba ao Ministro de Finanças alemã no contexto da campanha do segundo ato do Projeto Nemesis.

Um comunicado seguirá nos próximos meses.

Saudações fraternas aos grupos de ação direta da FAI no Chile e na Grecia por suas contribuções ao Projeto Nemesis.

Saudações rebeldes axs companheirxs da FAI na Italia e axs membrxs encarceradxs da CCF na Grécia que permanecem irredutíveis.

Adiante pela Internacional Negra dxs Anarquistas de Praxis.

Nada terminou, tudo continuá.

Viva a anarquia

Conspiração de Células de Fogo / FAI

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[POA] Novo espaço da Biblioteca Kaos.

Retirado de BibliotecaKaos:

Ocupamos de novo!

A Biblioteca Kaos tem novo espaço

O domingo 12 de março entramos na casa da Rua Coronel João Manoel 641, antes o morro da formiga. Casa que estava abandonada faz três anos, no meio do centro histórico de Porto Alegre, e que é parte das heranças  de duas das famílias mais burguesas, donos da cidade faz séculos: Chaves Barcellos e Wallig.

Temos a absoluta certeza de que estamos incomodando os poderosos que já apareceram para nos ameaçar e muito risivelmente para nos convidar a ser parte dos seus projetos de capitalismo alternativo. Nossa resposta é uma só: somos ocupas, anarquistas, e com a burguesia não temos conversa nenhuma.

Para nossa surpresa e alegria, a vizinhança apoia   totalmente a ocupação porque vieram que poucas pessoas arrumaram um espaço que faz anos estava sem uso. A interação com eles foi uma clara atitude de solidariedade e iniciativa não só nas palavras mas sobretudo na ação, participando pouco a pouco da limpeza do lugar e apoiando com sua presença em algumas das visitas dos donos.

Depois das ameaças dos Burgueses de nos jogar pra fora com seus capangas e pitbulls, as galera das outras okupas da cidade chegaram para nos fazer sentir sua solidariedade e ajuda.

Neste momento ainda estamos na briga pelo espaço mas nossa decisão desde o início é permanecer sem negociação, nem jurídica nem verbal com os proprietários. A ocupação é uma pratica subversiva que não pode ser engolida pelas normas de propriedade imobiliária, é a resposta efetivas à acumulação absurda da terra em mão de uns poucos privilegiados. Nossa determinação diante disto é clara: casa abandonada, casa ocupada.

Mandamos nosso salve à Solidaria  que enfrentam um desalojo nestes próximos dias, compas um desalojo, outra ocupação!!! Aos compas das Okupas, na Gracia, à okupa Nadir, e CCF, compas seguimos! Às Bibliotecas Flecha Negra na Bolivia, Sacco e Vanzetti e Sebastian Oversluij no Chile, e a todos os espaços autogestionados na procura da anarquia.

Desde um novo espaço, aqui seguimos onde sempre estivemos: na procura da liberdade e contra toda autoridade!

Biblioteca Anárquica Kaos.

Nos próximos dias difundiremos os horários e atividades da biblioteca.

 

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[prisões espanholas] Comunicado de Mónica Caballero e Francisco Solar (entretanto expulsos para o Chile a 7/03)

Retirado de ContraInfo:

Recebido a 10 de Março de 2017

Estas palavras (2/02) chegam-nos com o atraso próprio das comunicações restritivas nos centros de extermínio espanhóis. A 7 de Março de 2017, xs companheirxs conseguiram, finalmente,  ser expulsos para o Chile – depois de verem ser reduzida a sua pena de prisão, em Dezembro de 2016, a 4 anos e meio de prisão – onde foram recebidos com um grande despique jornalístico e ameaças repressivas. Hoje, por fim, Mónica e Francisco voltaram a pisar as ruas com a dignidade intacta.

*Afinidade e solidariedade contra o vitimismo e a autoridade*

Na luta para romper com o estabelecido, buscamos e criamos formas de nos relacionarmos que sejam contrárias à imposição e autoridade. Formas de nos fazer sentir cómodos para nos desenvolvermos autonomamente quando propomos e realizamos iniciativas de confronto diário. Assim, entendemos que a afinidade representa a maneira mais adequada de nos relacionarmos entre anarquistas, não sendo essa fruto de palavras de ordem vazias, repetidos até à exaustão, mas sim o resultado de práticas e visões compartilhadas que ajudam a gerar laços perduráveis de companheirismo e fraternidade que ultrapassam a simples amizade.

A confiança e carinho que subsiste do fato de se sentir e saber que se compartilham ideias em rebelião permanente são o sustento e a força da afinidade que se reforça e desenvolve, no conjunto de práticas anti-autoritárias. Essas ideias, por sua vez, são inseparáveis da nossa opção de vida, opção que reforça o pensamos e reafirma o que fazemos. É através destas relações que crescemos individualmente, ao ter a possibilidade inegável de actuar sem restrições, o que vai impedir a génese de comportamentos burocráticos e autoritários, cortando pela raiz qualquer tentativa de concentração de poder.

Os críticos a esta tomada de posição notam que, desta forma, é impossível incidir na “realidade social” e que se converte o anarquismo numa espécie de gueto. Nós respondemos que não entendemos o anarquismo como um partido político que se serve de todas as estratégias para engrossar quantitativamente as suas fileiras, a fim de alcançar certa hegemonia. Pensamos que os meios devem, necessariamente, ser coerentes com os fins, pelo que resulta contraditório pretender a libertação total com base nos meios que a coagem. O anarquismo é para nós, especialmente, uma tensão onde a iniciativa individual desempenha um papel central, não uma realização.

Nesta experiência de confinamento que agora chega ao fim, vivemos o nascimento, fortalecimento e consolidação de relações de afinidade. Os nossxs companheirxs deram conteúdo à palavra solidariedade, enchendo-nos de força e orgulho. Superando dificuldades, que têm sido muitas e variadas, foi possível tomar em conjunto posições e iniciativas, a partir das quais temos aprendido muito. A vontade e a determinação dxs nossxs companheirxs, embora soe repetitivo, destruiu muros, grades e quilómetros de distância, eliminou qualquer trama do poder destinada ao isolamento e à incomunicação. Tentamos, e acreditamos que foi conseguido estabelecer um ligação distante e contrária a condutas assistencialistas, onde x presx seja vistx como “uma pobre vítima do sistema, objeto de atrozes injustiças”. Partindo do princípio de que, como anarquistas, nos encontramos num confronto permanente com o poder e que isso tem as suas consequências, tornou possível implementar uma solidariedade ativa e combativa, com uma linha discursiva clara e inequívoca. A ideia – força “nem culpados nem inocentes, simplesmente anarquistas” refletiu e reflete o nosso posicionamento perante a prisão e a repressão, tanto para aquelxs que estão dentro como para com xs solidárixs e represaliadxs que se encontram fora. Representa uma forma de viver e estar na prisão ligada à intransigência, o que abre inumeráveis caminhos de ação para xs
companheirxs que trilham as ruas, caminhos que tentam destruir o poder por não entrar nas suas categorias e serem contrários à sua lógica predadora.

*Quando os golpes recebidos representam uma oportunidade*

A onda de repressão, consubstanciada nas operações Pandora e Piñata, representou o mais duro golpe recebido po anarquismo neste território desde os anos 80. Ele claramente tentou eliminar um sector do movimento anarquista pela via rápida que se refere ao assédio, perseguição e prisão. Claramente a magnitude do ataque estatal teve as suas consequências, como não poderia ser de outra forma. Foram muitas as iniciativas que se viram desfeitas, espaços que foram literalmente saqueados pela fúria repressora e o temor a se verem envolvidxs nas fantasias paranóicas do poder, gerando um certo imobilismo que pouco a pouco começa a ser superado.

No entanto, na nossa opinião, por grosseira e inconsistente que nestes casos tenha sido provado ser a teoria da polícia, este golpe representa uma oportunidade para destacar as debilidades do estado – que usa as suas estratégias clássicas de confinamento e intimidação para tentar reduzir e eliminar todxs aquelxs que não consegue domesticar. Junto com isso, acreditamos que estas operações estão intimamente relacionadas com o auge de movimentos de cidadãos e sua incorporação nas instituições; aquelxs que se recusam a jogar o jogo democrático aguarda-os a prisão. Portanto, ao se abordar o que significaram estes golpes e realizar a solidariedade, pensamos que é essencial entender que os movimentos de cidadãos transformados em partidos políticos – ao optarem pela via institucional – não representam em nenhum caso um aliado, antes constituem mais uma das engrenagem do poder com a qual não temos nada a ver.

Mediante as operações Pandora e Piñata, como tem sido dito repetidamente, tentaram-se atacar algumas ideias e práticas que se lhe opõem radicalmente. Prova  disso é que nenhum dxs nossxs companheirxs imputadxs foi acusado de ações concretas. O que se pretende punir é um modo de vida, uma opção de luta para combater o estabelecido e uma atividade anti-autoritária permanente, que em menor ou maior grau, influenciou vários espaços e entornos. O continuar a transitar por caminhos de ruptura constitui, só por si, uma pequena vitória ao demonstrar que, ainda que o Estado nos mostre a sua pior cara, não nos dobra. Assim, acreditamos que a solidariedade com os represaliadxs deva ser transgressora e ofensiva, longe de discursos pessimistas e de vitimização. Usar toda a nossa criatividade, limitada apenas pelos nossos princípios anárquicos, é crucial na atividade de solidariedade e para que saiamos fortalecidxs desta experiência. Na guerra contra a dominação toda a ação é necessária.

Finalmente queremos enviar todo nosso carinho e força aos e às nossxs companheirxs na Alemanha, acusadxs de roubo a uma sucursal bancária e que durante estes últimos meses têm enfrentado um duro julgamento. Pensamos nelxs a cada momento – e o orgulho e a alegria que demonstram são também os nossos ao ter a possibilidade de sermos vossxs companheirxs.

Hoje e sempre mão aberta ao/à companheirx e punho cerrado ao inimigo

Mónica Caballero S.
Francisco Solar D.
Prisão Villabona – Asturias
2 de Fevereiro de 2017.
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[Chile] Mónica Caballero e Francisco Solar já estão em liberdade [Chile] Mónica Caballero e Francisco Solar já estão em liberdade

Recebido no email:

Os anarquistas chilenos Mónica Caballero e Francisco Solar chegaram na manhã de ontem (07/03) ao Aeroporto Internacional de Santiago como cidadãos livres, depois de terem sido expulsos da Espanha. O casal foi recebido por seus familiares e amigos.

Ambos passaram três anos e três meses encarcerados em diferentes prisões do Estado espanhol, sob a acusação de colocação de um artefato explosivo na basílica del Pilar de Zaragoza, no dia 2 de outubro de 2013.

A promotoria espanhola inicialmente buscou uma sentença de 44 anos para os acusados, mas eles receberam uma sentença de 12 anos em 2014. A defesa levou o caso de Mónica e Francisco ao Supremo Tribunal espanhol, onde a sentença foi reduzida a 4 anos e meio em dezembro passado.

Como recurso final, a defesa apresentou uma reclamação baseada na Lei Penal espanhola n.º 89, que estabelece que os estrangeiros podem ser deportados para o seu país de origem depois de terem passado um ano na prisão. A demanda foi aceita pelo Tribunal, resultando na expulsão de Mónica e Francisco ao Chile.

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[Chile] Santiago: Ataque incendiário a caixa de eletricidade em autopista do Projeto IIRSA

Recebido no email:

Na América do Sul e no Chile, a IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional da América do Sul) avança, e como indivíduos em guerra com a civilização e o poder não ficamos de braços cruzados.

Na cidade de Santiago, um de seus pontos de intervenção é a mega estrutura de cimento “Acceso Sur” que dá início à autopista que facilita o transporte de mercadorias desde o centro até o sul do país. Esta construção interveio com violência na paisagem cotidiana das populações que existem ao redor.

Na semana de agitação contra a IIRSA iluminamos a noite com fogo insurreto, incendiando uma caixa de eletricidade dessa asquerosa autopista, demonstrando que o poder e seus mega projetos seguem sendo vulneráveis.

Materializamos o ódio que sob o cimento das ruas atrás dos muros das prisões continua em resistência e ofensiva contra o poder. Por isso saudamos axs companheirxs Nataly Casanova, Juan Flores, Enrique Guzmán, axs companheirxs do “Caso PDI”, às companheiras Tato e Sol, axs companheirxs do “Caso Security”, à Mónica, Francisco, ao companheiro Joaquín García e a todxs xs companheirxs nos cárceres da Grécia, Espanha, Itália e do mundo.

Nem capitalismo verde nem Estados ecológicos.

A multiplicar os atos de autonomia e ataque direto contra o poder e seus projetos que destroem a Terra e buscam dominar nossas vidas.

Sabotadorxs do cotidiano pela anarquia.

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