[Livro] Apresentação & Introdução de “Contra a Democracia”

Retirado de ContraInfo:

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Apresenta-se abaixo a tradução que fizemos da Apresentação & Introdução do livro “Contra la Democracia”. O livro tem 92 páginas e foi editado pelos Grupos Anarquistas Coordinados [G.A.C.: Grupos Anarquistas Coordenados]. Trata-se de uma análise da democracia – tanto a parlamentar como a alternativa – como expressão do sistema de domínio. Pode ser lido e descarregado o pdf aqui

Contra a Democracia

Apresentação

A pilha de folhas encadernadas que tens entre as mãos é suposto ser uma pequena contribuição dos Grupos Anarquistas Coordenados [G.A.C.: Grupos Anarquistas Coordenados] no combate à democracia – a atual e mais generalizada forma de domínio político (como a principal articulação de Estado e a mais aperfeiçoada), de mentalidade autoritária, delegativa e submissa, além de quadro jurídico ideal para o desenvolvimento da economia capitalista, fonte de exploração e miséria.

Há já um par de anos que levamos a cabo uma campanha contra esta monstruosidade dominadora e domesticadora que é suposto ser a democracia, seja pelos motivos expostos ou perante a sua alarmante procura  por parte de muitos sectores  – que nos últimos tempos têm começado a protestar e a desobedecer cada vez mais por uma mais e melhor democracia –  procura essa que quase sempre leva acoplada uma fagocitose* das lutas reais e radicais.

Estes textos, todos eles de elaboração nossa, são parte dessa campanha. Esperamos contribuir através deles, de forma modesta que seja, à gigantesca tarefa que implica combater o Estado, o capitalismo e qualquer forma de Autoridade em prole do alcance de um mundo novo sem dominadores nem dominados, em prole da Anarquia.

Uma saudação rebelde e esperamos que possas aproveitar a nossa pequena contribuição.

Grupos Anarquistas Coordinados
Primavera de 2013

*fagocitose é um processo micro-fisiológico em que as células engolfam e ingerem partículas

Introdução

Atacar a democracia porquê?

A democracia é justificada por princípios que não é pelo facto de se repetirem mil vezes que se convertem em verdades – essa justificação está tão interiorizada que até mesmo os seus adversários acreditam em tais princípios. Tanto a ideia inculcada no pensamento da população, acerca da bondade deste regime, como a imobilidade dessa mesma população, situam-nos perante a impossibilidade de mudança: ninguém planta hoje outras formas de organização ou até mesmo outras formas de viver.

A nós, filhxs da democracia, disseram-nos que este é o melhor dos regimes, xs nossos pais e avós viveram sob um sistema onde a coerção e a repressão eram mais directas e agora, que suavizaram as formas, somos obrigadxs a aceitá-lo, desde o nascimento.  Porque é que vamos ser uma geração mais empobrecida do que a geração anterior, sem uma guerra sequer pelo meio? Porque o futuro irremediável imposto pelo seu sistema nos conduziu a esta situação. A associação livre em que se diz fundamentada não é tal, já que a partir do nascimento somos obrigadxs a pertencer a este regime, sem possibilidade de escolher uma outra forma de vida – não nos associamos livremente com instituições de ensino, uma vez que não é legal aprender de outra maneira, não nos associamos livremente ao trabalho porque não controlamos o que produzimos nem o horário é por consenso, nem temos capacidade para nos organizarmos com xs companheirxs.

O sufrágio universal – conceito que ao longo dos tempos tem vindo a ser cada vez mais popularizado e exaltado como vitória – é uma contradição em si próprio, sempre afirmaram que o voto é livre quando na realidade é uma eleição condicionada, visto a consciência não ser livre, está dependente da propaganda do regime imperante e da cultura defendida pelos grupos de poder. Também nega a liberdade, na medida em que se reduz a dizer sim ou não ou a qual o partido que nos vai governar, negando-se a desenvolver outras propostas de coexistência. E porque é que é o voto é anónimo? não há liberdade de expressão?

Numa democracia, abandonamos os nossos interesses, a satisfação das nossas necessidades e a organização das relações humanas e da vida nas mãos de outrxs. Presume-se que escolhemos aqueles que podem representar melhor os nossos interesses através do voto, mas aqui colide-se com a realidade: Os partidos políticos defendem os seus próprios interesses, de acordo com as normas estabelecidas por eles mesmos, procurando acumular cotas de poder político e económico, de forma a manter o seu domínio e influência sobre o resto da sociedade.

A crítica aos políticos é quase já universal, não existe confiança na sua justiça e a utilização desta é mais uma prova da incapacidade pessoal e colectiva de resolver os conflitos que apresenta, da sua incapacidade de convencer. As leis têm claramente intenções económicas, com o seu afã de cobrador- como é o caso das multas, a reforma laboral ou  a própria organização económica da sociedade – ao mesmo tempo que exercem um trabalho repressivo, um corte nas liberdades que alegadamente dizem defender (de associação, de imprensa, de reunião…) enquanto cada vez mais se amplia a ameaça de prisão (último código de circulação…).

Desta forma somos convertidxs de seres humanos em cidadãos/ãs (ou consumidorxs, ou usuárixs, ou clientes…segundo o âmbito da vida em que nos encontremos), impõem-nos direitos e obrigações de acordo com a dita denominação e, portanto, relegam-nos a uma mera mercadoria política.

O fundamentalismo democrático não se impõe somente dentro dos territórios que domina, pois o capitalismo tem necessidade de se expandir para perdurar tentando chegar a todos os cantos do planeta, impondo a democracia  que é o melhor caldo de cultura para o seu desenvolvimento. Não hesita em empreender campanhas bélicas contra territórios onde o capitalismo não se encontre enraizado, diabolizando os seus costumes e cultura, com vista à aprovação pela população do país atacante. Impõe pela força um modelo de vida, tanto dentro como fora das suas fronteiras, enquanto vende uma falsa ideia de liberdade. Nunca antes houve tantos meios repressivos e de controlo social, ao alcance de qualquer regime.

As políticas são feitas com base nas necessidades do mercado, em democracia a nossa escolha através do voto tem como objectivo claro apoiar um tipo de medidas políticas que xs nossxs governantes têm de levar a cabo, sejam elxs de direita ou de esquerda.

No momento histórico em que nos encontramos xs dirigentes políticxs não têm interesses opostos – independentemente da sua especificidade – já que todxs têm de favorecer a estrutura do estado na qual o capitalismo se desenvolve, e aplicar políticas segundo as necessidades do mercado, em vez das necessidades das pessoas, e mais ainda, em muitas ocasiões os políticos são beneficiários directos, quando pertencem eles próprios à classe empresarial.

Temos sido todxs testemunhas silenciosas de como o governo injectou milhões de euros na banca, enquanto a maioria das pessoas não tem trabalho ou está a sofrer um despejo. Também estamos acostumadxs a ouvir como os esquemas de corrupção relacionam directamente economia e política.

Sem papas na língua, e com pouco receio de esconder a realidade à população, Emilio Botín afirma que: “a partir de determinados níveis a relação entre empresa e política é directa, muito mais do que se suspeita, uma chamada directa de telefone, de telemóvel para telemóvel, sem secretarias pelo meio”. A democracia não se baseia no interesse comum mas sim no favorecimento de interesses de empresa, na hora de legislar.

Pelo exposto concluímos que a democracia não é o governo do povo mas sim o baile de máscaras atrás do qual se esconde a ditadura do capital.

SE ACREDITARMOS QUE A DEMOCRACIA É LIBERDADE, NUNCA DEIXAREMOS DE SER ESCRAVXS

DESMASCAREMOS ESTA GRANDE MENTIRA!

CONSTRUAMOS A ANARQUIA!

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[POA] Saiu a programação do Solidariedade a flor da pele 3ra edição Porto Alegre

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Mandado ao email:

Já foram duas edições do Solidariedade à Flor da Pele, o primeiro realizado em novembro de 2013 em Porto Alegre e o segundo em junho de 2014 em Pelotas, sendo encontros produtivos e que nos estimularam a seguir esta experimentação. Vivemos um momento conturbado de pós-copa e de eleições nacionais, onde a máscara da paz social neste país finge esconder todos os processos repressivos, os abusos de poderes contra xs pobres e todo o esquema de saqueio da Terra e seus bens naturais se intensificam, de maneira oculta mas progressiva. Por isso, e por todo nosso desejo de liberdade e de destruição das estruturas de domínio, é que existe a necessidade da continuidade de eventos/espaços de discussão e prática.

A terceira edição do evento Solidariedade à Flor da Pele será nos dias 16, 17 e 18 de janeiro em Porto Alegre, aproveitamos para convidá-los para construirmos juntxs essa nova edição, com as idéias mais afiadas, com as práticas mais intensas, e com as nossas afinidades… à flor da pele!

Programação:

Sexta 16: Abertura.

  • 16h: Troca de ideia com Iracema Kaingang. “Fortalecendo os nossos corpos.”
  • 19h: Show anti-artistico e Diskotekagem com DJ Dedeiuska.

Sábado 17: Tatoo e piercing ao longo do dia.

  • 10h: Oficina de Capoeira
  • 15h: Oficina de tatuagem
  • 16h: Contos e Historias para crianças
  • De noite: Gig e Rifa solidaria.

Bandas: KumbiaChori, Salto no Vazio, Pedra de Amolar senhora Elvira, Hemoragia Interna, Kretina, Abobora Sangrenta, kaotica e Nedd Ludd

Domingo 18: Tatoo e piercing ao longo do dia.

  • 10h: Oficina de Serigrafia
  • 15h: Projeção de video e troca de ideia: Intervenção corporal e identidades.
  • 16h: Pinturas corporais com as crianças.

Para as pessoas que querem se tatuar, pedimos que tragam o desenho do tamanho que vocês querem tatuar.

para imprimir e difundir a programação:

soli

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mais infos: http://aflordapele.noblogs.org/

contatos: aflordapele@riseup.net

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Prisões espanholas: Palavras da compa Mónica Caballero sobre a operação Pandora, a partir do C.P. de Brieva

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Retirado de ContraInfo:

A poder eleger uma vida distinta não mudaria esta, em nada.

Recordo-me perfeitamente do sentimento que me embriagava quando comecei a questionar a autoridade, recordo-me das muitas contradições e interrogações. Durante a descoberta dessas ideias encontrei muitxs que faziam delas práticas materiais, nas suas bibliotecas, publicações, ateneus, etc…na sua vida quotidiana… viver aqui e agora as ideias. Não demorou muito até que fizesse o mesmo.

Recordo-me da angústia que senti ao inteirar-me de que existiam companheirxs encarceradxs por levarem à prática as ideias de liberdade; irmãos e irmãs de ideias, nas garras da besta panóptica, em todos os cantos do mundo. Esse sentimento angustiante nunca mudou, mas agora é acompanhado do gesto solidário.

Somos muitxs, xs anarquistas que nos encontramos do outro lado do grande muro; essa lista tornou-se mais extensa na terça-feira, 16 de Dezembro.

Os tentáculos do Poder abateram-se sobre espaços anarquistas, ateneus libertários, casas okupadas e domicílios de várixs ácratas da Catalunha e Madrid. A caça capturou  onze companheirxs, dxs quais sete ficaram na prisão, acusadxs de pertença a grupo armado de carácter terrorista. Não se trata de coincidência o facto dxs detidxs fazerem parte do meu entorno – mais de metade visitam-me frequentemente na prisão. O malho judicial-policial castigou a solidariedade.

Não posso calar-me perante tanta miséria, a vingança repressiva estatal bordeja o delírio. Os meios de informação (porta-vozes dxs dominadorxs) falam de chefxs e de subordinadxs. Frizo que somos anti-autoritárixs, ninguém está acima de mim, nem eu estou acima de ninguém.

Os ataques aos espaços na Catalunha, esses tampouco foram arbitrários: por um lado, a Kasa de la Muntanya é um importante símbolo de ocupação, através dos seus 25 anos afastados da lógica capitalista; deram a sua contribuição a muitíssimas gerações de dissidentes deste sistema de terror. Os ateneus libertários e espaços anarquistas atingidxs jamais esconderam os seus ideais, oferecendo um terreno fértil onde semear as sementes de liberdade.

Os custos desta luta pela recuperação das nossas vidas são muito altos, ninguém disse que seria fácil mas, sem sombra de dúvida, a poder eleger uma vida distinta não mudaria esta, em nada.  Nesta peleja contra a dominação não há jaulas nem muros que silenciem as nossas vozes, pelo contrário, vocês companheirxs transformam-se em ecos das nossas vozes.

Se alguma vez vocês, amadxs companheirxs recentemente encarceradxs, puderem ler estas palavras, digo-lhes que tenho a certeza que se manterão incorruptíveis e à altura das circunstâncias como sempre o fizeram.

Recordo todas as vezes que li ou escutei que a solidariedade é uma arma necessária para xs anarquistas. Hoje espero que essas recordações se tornem realidade, ao transformar as nossas ideias em ação.

Monica Caballero
Centro Penitenciário de Brieva, Dezembro de 2014.

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[Espanha] Operação “antiterrorista” contra o anarquismo em Barcelona e Madri + Cartaz solidário com xs detidxs na “Operação Pandora” no estado espanhol + Lista completa de endereços dxs companheirxs detidxs na “Operação Pandora” e conta solidária.

Retirado de ContraInfo e Mandado ao email:

Operação “antiterrorista” contra o anarquismo em Barcelona e Madri

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Nesta terça-feira, 16 de dezembro, às 5 horas da madrugada, a polícia espanhola realizou em Barcelona e Madri uma grande operação chamada “Pandora”, contra um suposto “terrorismo anarquista”, tendo como alvo o movimento libertário.

Em Barcelona, a polícia catalã invadiu a Kasa de la Muntanya, histórico espaço ocupado que está completando 25 anos de atividade, o Ateneu Libertário de San Andrés, o Ateneu Anarquista de Poble Sec e pelo menos 10 domicílios particulares, entre casas e apartamentos. Cumprindo ordens do Tribunal Nacional, mais de 400 policiais participaram na mega operação, até um helicóptero com um poderoso holofote foi usado para iluminar o espaço da ação. Diversas ruas foram bloqueadas.

Até agora (parte da manhã) foram presas 15 pessoas, a maioria em Barcelona, mas também outra pessoa foi detida em Madri. Na Kasa de la Muntanya os agentes registraram quarto por quarto do imóvel. A polícia apreendeu telefones, computadores, agendas e aparelhos eletrônicos.

 Lista completa de endereços dxs companheirxs detidxs na“Operação Pandora” e conta solidária

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A seguir, a lista completa com os endereços prisionais dxs companheirxs queforam detidxs no dia 16 de dezembro em Barcelona e Madri, durante a “Operação Pandora”, e a conta solidária que foi aberta para ajudá-lxs nosgastos jurídicos. Inicialmente 11 pessoas ficaram detidas na megaoperaçãopolicial, sendo que, após passarem pela “Justiça”, 4 foram soltas comcargos (comprovação de residência fixa e comparecimento semanal à delegaciade polícia), e as outras 7 presas preventivamente.

Beatriz Isabel Velazquez Dávila  e  Lisa Sandra Dorfer 

C. P. Madri VII – Estremera  Ctra. M-241  28595 Estremera  Madri – Espanha

Alba Gracia Martínez ,  Noemí Cuadrado Carvajal, Anna Hernandez del Blanco 

C. P. Madri V – Soto del Real  Carretera M-609, Km 3,5  28791 Soto del Real  Madri – Espanha

Enrique Balaguer Pérez 

C. P. Madri VI – Aranjuez  Ctra. Nacional 400, Km. 28  28300 Aranjuez  Madri – Espanha

David Juan Fernández 

C. P. Madri III – Valdemoro  Ctra. Pinto-San Martín de la Vega, km. 4,5  28340 Valdemoro  Madri – Espanha

 

Número da conta em solidariedade com xs companheirxs detidxs na “OperaçãoPandora” em Barcelona e Madri:   ES68 3025 0001 19 1433523907 (Caixa d’Enginyers)

Cartaz solidário com xs detidxs na “Operação Pandora” no estado espanhol:

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[México] Para que serve uma mordaça?

Recebido no email:

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Há 33 anos, um jovem afro-americano trabalhava como jornalista de rádio na cidade da Filadélfia [nos Estados Unidos]. Seu nome era Mumia Abu-Jamal, e o chamavam “a voz dxs sem voz”.

O ex Pantera Negra tinha aprendido jornalismo enquanto trabalhava no periódico de sua organização. Dessa experiência, escreveu: “Aprendi bem o ofício do jornalismo. Exceto por uma coisa. Nunca aprendi a me submeter ao poder do Estado. Não escrevo da perspectiva dos privilegiados, dos estabelecidos, mas a partir de uma consciência da opressão e da resistência”.

Em 9 de dezembro de 1981, Mumia foi baleado, espancado quase até a morte e encarcerado pela morte do policial [branco] Daniel Faulkner. Neste momento, muitxs ouvintes contavam com ele para ter notícias verídicas sobre o que acontecia nos bairros negros, se informar sobre os protestos da organização MOVE quase diariamente, saber qual era o crime mais recente da polícia contra o povo, ou escutar suas entrevistas com figuras relevantes como Bob Marley, Julius Irving ou presxs políticxs Porto-riquenhxs.

Ao ser falsamente incriminado e julgado pelo assassinato de Faulkner, o juiz – um membro vitalício da Ordem Fraternal da Policia [FOP] – utilizou a presença do MOVE no tribunal e a história de Mumia com o partido dos Panteras Negras para espantar o júri para que dessem a pena de morte.

Um pouco depois, o preso político disse: “Não querem apenas minha morte, querem meu silêncio”.

Até agora, entretanto, graças à sua própria resistência e do movimento que o apoia, seus eternos inimigos na FOP não conseguiram sua morte, tampouco seu silêncio.

Mas com seus 33 anos de encarceramento, continuam tentando. Em 21 de outubro deste ano, a legislatura do estado da Pensilvânia aprovou uma nova lei mordaça especialmente para ele, mas que também afeta outras pessoas.

Para que serve a mordaça?

Para a polícia e seus aliados, esta lei serve para apagar a voz e o exemplo de Mumia Abu-Jamal da história. Também os ajuda a seguir com seus crimes contra o povo sem que haja uma voz clara que os aponte, sem que haja uma voz inteligente que dê um sentido de história aos eventos atuais, sem que haja uma voz digna que não conheça a submissão.

Sob a nova lei mordaça, chamada de lei de “revitimização”, se os livros de Mumia, ou seus ensaios, ou o som de sua voz na rádio, ou suas entrevistas, ou suas mensagens, ou suas apelações, ou sua própria vida lhe causarem “angústia mental” à viúva, ela ou a promotoria ou procuradoria podem obter a ordem de um juiz para que ele detenha a atividade “ofensiva”.

E esta lei não só afeta Mumia Abu-Jamal, mas a todxs xs presxs no estado da Pensilvânia!

E com respeito a elxs, para que serve a mordaça? Pois sem as vozes dissidentes dentro das prisões, seria muito mais fácil para as autoridades manter controle, seguir com seu regime letal de castigo, de humilhação, de degradação. Para as pessoas que se beneficiam do sistema carcerário, é conveniente calar estas vozes também.

Até agora, o Estado não tentou aplicar a nova lei mordaça. Entretanto, Mumia, Prison Radio, outrxs presxs e alguns grupos de direitos humanos, fizeram uma petição contra a promotoria e a procuradoria e chamam o movimento para ajudar a derrubar esta lei. Enquanto isso, ele segue escrevendo.

Este novo ataque contra Mumia Abu-Jamal e outras pessoas encarceradas vem em meio a uma repressão tremenda no México, como no caso de Ayotzinapa, com cada vez mais mortes, desaparecimentos forçados, encarceramentos, mas também em meio a uma onda de ampla resistência com centenas de milhares de pessoas protestando nas ruas.

Nos Estados Unidos, também vem em um momento onde ocorre um caso de terror policial atrás do outro, como os de Mike Brown em Ferguson e Eric Garner em Nova Iorque. E as pessoas estão saindo às ruas em uma cidade atrás da outra.

Neste novo cenário de insatisfação e rebelião, para que serve uma mordaça? Pois, para as pessoas dos movimentos sociais, não serve para nada. De fato, a perda da voz de Mumia Abu-Jamal, com suas análises, suas denúncias, suas mensagens de solidariedade e libertação, seria um golpe.

Por isso, nos 33 anos de encarceramento, haverá uma semana de eventos na Filadélfia para exigir sua liberdade e apoiar a luta para pôr fim à nova lei mordaça. Também haverá ações solidárias em outras cidades do mundo. Na cidade do México fizemos um ato em frente a embaixada dos Estados Unidos [no dia 9 de dezembro], onde queimamos mordaças, pintamos um tecido, lemos textos de Mumia, e cantamos música jaraneira e de rap, tudo amplificado com um bom bici-som.

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Também exigimos liberdade para todxs presxs políticxs do México, Estados Unidos e do mundo, e o fim da importação do modelo carcerário dos Estados Unidos no México.

Da esperança que nos Estados Unidos várixs presxs que segundo as autoridades, deveriam ter morrido na prisão, agora saíram depois de passar décadas encarceradxs. O mais recente é Sekou Odinga, acusado de participar da fuga de Assata Shakur, entre outras coisas. Também saíram Eddie Conway, Sekou Touré, Herman Wallace, embora moribundo, e Lynne Stewart, também doente de câncer.

Em seus recentes ensaios, Mumia Abu-Jamal segue escrevendo sobre parte destxs presxs e também sobre presxs comuns que fizeram fortes denúncias do sistema e por isso, são especialmente vulneráveis à nova lei mordaça, incluindo “os 6 de Dallas”.

Apesar de todos os torpes (mas cruéis) esforços do Estado, a voz de Mumia Abu-Jamal está mais clara e forte do que nunca. Estão para sair dois novos livros e segue escrevendo e difundindo seus ensaios. E como sempre, se solidariza com os movimentos que ganham força. Desde sua cela, faz parte destes movimentos.  Pelo bem de Mumia e de todas as pessoas afetadas, temos que derrubar a nova lei de mordaça, que só serve para reprimir.

 Amig@s de Mumia do México

Fonte e mais fotos: https://amigosdemumiamx.wordpress.com/2014/12/13/para-que-sirve-una-mordaza/

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[México] Carta de Fernando Bárcenas após um ano de sua detenção

PresosAnarquistas

recebido no email:

Segunda-feira, 15 de dezembro de 2014.

 Aos espíritos livres e rebeldes

Aos oprimidxs e marginalizadxs

Ao povo em geral

 No dia de hoje, completo oficialmente um ano de prisão. Em 10 de dezembro de 2014 fui condenado a cinco anos e nove meses de prisão, sob a acusação de ataques contra a paz pública e associação criminosa. Estas acusações foram sustentadas com nada mais que simples suposições e sem provas reais que declarem a minha culpabilidade. Quanto ao delito de associação criminosa, a única coisa que sustenta a acusação é o porte de objetos de protesto e de caráter anarquista, o que deixa claro que se trata de uma criminalização ideológica, tendente à difamação e ao desprestígio das ideias anarquistas e libertárias.

Historicamente, em todas as épocas, foram ocultadas uma série de ideias, pensamentos e informações em geral que não podiam ser pensadas pelos indivíduos de dita sociedade. Contudo, sempre houve pessoas e indivíduos que se recusaram a ser alineadxs, que não estão em concordância com o que é permitido fazer, ser e pensar, e decidiram arriscar suas vidas em busca de uma autêntica liberdade. E quando enfrentamos os problemas sociais, produtos da hierarquia, nos chamam de autores da desordem e nos enviam para encher as prisões.

No entanto, na prisão não se acaba com a rebelião, pois é na prisão onde o rebelde se determina completamente e todas as dúvidas e contradições que possam estar em seus pensamentos se dissipam, terminam por reforçar e ficar mais forte ideologicamente. Ao entrar na prisão acaba um ciclo de luta para começar um novo, mas desta vez mais radical, contundente e abrangente.

 Que caiam os muros e que a liberdade continue seu inexorável curso, até que todos sejamos livres!

 Fernando Bárcenas

Noticias relacionadas:

http://cumplicidade.noblogs.org/?cat=149

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[Cuba] Posição do Taller Libertario Alfredo López sobre a libertação de prisioneiros e o restabelecimento de relações diplomáticas pelos governos de Cuba e dos Estados Unidos

Recebido no email:

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1. A “normalização” de relações entre os poderes governamentais dos Estados Unidos e de Cuba deveria contribuir para eliminar numerosos e antiquados impedimentos impostos (por estes mesmos governos) aos relacionamentos humanos elementares entre ambas as nações.

2. Alegramo-nos conjuntamente com aqueles que saíram de trás das grades, e com suas famílias que acabam de receber em casa os entes queridos em liberdade – por fim! – depois de muitos anos de reclusão “legal”.

3. No entanto, desconhecemos os termos desta negociação. Trata-se de um passe de mágica que contribui para uma mentalidade milagreira, e nos deixa como espectadores passivos.

4. Preocupa-nos, ademais, que se criem novas oportunidades para que o capital explore “mais” e “melhor” as nossas gentes.

5. Que se intensifique o conformismo, a insignificância e a miséria, através de mais consumismo, mais devastação do meio ambiente e mais invasão da cultura de massas; e é que…

6. O imperialismo norte-americano segue em pé.

7. O autoritarismo cubano segue em pé.

8. A Base Naval de Guantánamo não foi desmantelada e continua a alojar uma prisão internacional dotada de um centro de torturas.

9. Assim, não basta libertar um grupo de prisioneiros, nem sequer bastaria com o fechamento de uma prisão especialmente odiosa: todas as prisões do mundo devem fechar.

10. Tampouco basta que os Estados Unidos desmobilizem a sua “guerra fria” e conciliem posturas sobre um conjunto de pontos: a verdadeira reconciliação entre os povos acontecerá quando deixarem de existir Estados.

11. Menos ainda basta acabar com o bloqueio dos mercados para que os detentores dos meios de exploração do trabalho alheio e da natureza negociem entre si: tal exploração deve desaparecer já.

12. Portanto esperamos que, agora que no horizonte se vislumbra o possível desmantelamento do bloqueio-embargo, que isto não se trâmite apenas desde as instâncias executivas, mas que todos os cubanos e estadunidenses tomem parte com suas vontades.

Continuaremos a nossa luta contra todas as dominações: luta ecologista, anti-imperialista, anticapitalista e antiautoritária, em solidariedade com os camaradas no resto do mundo. 

Liberdade sem socialismo é privilégio e injustiça; Socialismo sem liberdade é brutalidade e tirania.

Havana, 19 de dezembro de 2014 .Taller Libertario Alfredo López observatoriocriticocuba.org

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[SP] Ação direta ambiental : Contra a especulação imobiliária e a mercantilização da cidade

Recebido no email:

Rodrigomaciel

C o m u n i c a d o:

Somos do movimento pelo Parque Augusta em São Paulo (SP). Uma área privada com declarado interesse público e acesso a todos garantido por uma cláusula em sua escritura. Esta que é a última área verde no centro da cidade está ameaçada pela construção de prédios no local. Além de lutarmos para tirar dos dentes da especulação imobiliária e da construção civil esta reserva de Mata Atlântica, o realizamos através de assembleias horizontais, não temos líderes, somos anarquistas e queremos realizar a autogestão da área, ou seja, que o parque seja uma zona autônoma permanente e que viva sob suas próprias regras! O terreno encontra-se fechado e com seguranças particulares das construtoras Setin e Cyrela. Foi fechado há quase um ano (em 29/12/13) e desde então entramos algumas vezes em ação direta de desobediência civil para realizar performances e atos simbólicos, como mostra este vídeo linkado abaixo.

Em nossa luta contra a especulação imobiliária e a mercantilização da cidade fizemos esta ação direta de entrada no Parque Augusta para protestar contra a Copa do Mundo 2014 no Brasil e o fechamento do Parque Augusta. Dia 12 de junho, na exata hora em que começava o jogo de abertura da Copa no Itaquerão, entramos no Parque para nos divertirmos, para nos unirmos uns aos outros e à natureza, para celebrarmos o que de fato tem valor: o esporte para quem joga e não para quem assiste, a natureza que nos provê meios de sobreviver, a cidade para as pessoas e não para os carros e para fazer girar o capital especulativo!

Viva a Copa das Árvores! Para saber mais sobre essa luta, acessem www.parqueaugusta.cc/ja/

Vídeo:

 

 

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