[São Paulo] Ativistas invadem sítio e resgatam 100 chinchilas criadas para fazer pele

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Na noite de domingo (19 de outubro), cerca de 100 chinchilas foram libertadas de um criadouro num sítio em Itapecerica da Serra (SP) por um grupo de ativistas da Frente de Libertação Animal (ALF, sua sigla em inglês). Recentemente foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo um Projeto de Lei (PL) que “proíbe a criação e manutenção de animais com o intuito de usar sua pele”, e que precisa ser aprovado ou vetado pelo governador do Estado, Geraldo Alckmin. A seguir, comunicado da ALF sobre a ação direta.

C o m u n i c a d o:

Não acreditamos em petições, em PL, em lei, não acreditamos em nada que seja relacionado ao estado opressor, pois no mundo onde vivemos, não existe justiça, e não a alcançaremos se não lutarmos com as nossas próprias mãos por ela! Sendo assim a ação direta é a nossa escolha, pois com ela acreditamos ao menos passar perto do termo LIBERTAÇÃO ANIMAL, uma vez que, enquanto respondemos essas perguntas, centenas de milhares de vidas estão sendo arrancadas pelas mãos do homem opressor, não podemos ficar simplesmente “aguardando” ou nos manifestando “pacificamente”, acreditando em promessas vazias e em engravatados do poder, que lucram com a morte de todos esses animais. Nós somos a avalanche, que vem derrubando os muros dessa sociedade doentia capitalista.

Continuaremos salvando vidas, sendo livres, e livrando! Se querem mesmo nos ajudar, pedimos que se organizem melhor, de forma descentralizada, autônoma e libertária, livres de qualquer tipo de preconceito, políticos e instituições do governo, livres de exposições desnecessárias nas redes sociais, pois sofremos uma enorme perseguição, afinal, somos quem fere os interesses econômicos do país, ou seja, somos o inimigo n° 1 do estado, portanto, devemos nos cuidar e cuidar de todos que lutam por essa causa!

Não aceitaríamos de maneira nenhuma dar uma entrevista ou sequer registraríamos uma ação desse tipo se não houvesse um único propósito, o de abrir os olhos da sociedade, pois a cada dia que passa, conhecemos mais e mais pessoas que simpatizam com a libertação animal, porém, ainda precisam de muita instrução para executarem ações bem sucedidas!

Gostaríamos de deixar claro que não estamos sozinhos. Em todo lugar do mundo existem células A.L.F., informe-se, converse apenas com pessoas de sua total confiança, forme a sua célula, não combine nenhuma ação ou algo do tipo via redes sociais, telefones celulares… existem outros meios de comunicação, a mais segura de todas continua sendo a conversa pessoalmente! Lembrando, apenas com pessoas de sua total confiança!

Lembrando que: Nós não iremos alcançar a libertação animal de forma pacífica/passiva! As leis não favorecem nem a nós (animais humanos), Imaginem só esperar por leis que irão realmente favorecer a eles (animais não humanos)? Nós não iremos parar por aqui até que não exista mais exploração animal e da Terra. Portanto, não importa onde estivermos, estaremos resistindo e lutando por toda e qualquer forma de vida que ainda resta nesse planeta. Sendo assim… só nos resta a LUTA. Com amor…

Frente de Libertação Animal

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[RJ] 2nda edição do Tatoo Circus nos dias 28, 29 e 30 de novembro.

Retirado de CNA-RIO

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II Tattoo Circus Rio 2014

Contra todos os regimes que aprisionam nossos corpos!

Convidamos todxs para o II Tattoo Circus do Rio, um festival de tatuagem com artistas do Brasil todo em que parte da grana arrecadada vai para ajudar na luta anticarcerária.

O Tattoo Circus Rio convida para a segunda edição do festival de tatuagem em apoio axs presxs políticxs. O Tattoo Circus é um festival que nasceu em Roma, tendo se espalhado rapidamente, e que se foca na arrecadação de fundos para o apoio axs presxs políticxs, mediante a realização de tatuagens, piercings, escarificações ou qualquer forma de modificação corporal.

A ideia é juntar tatuadorxs próximos ao anarquismo e a contra-cultura, que estão à margem dos estúdios profissionais, espaços que enxergam a arte da modificação corporal como um nicho de mercado a ser explorado. Ao invés dos estúdios serem espaços de contestação e de experimentação, o que ocorre é que acabam reproduzindo diversos preconceitos presentes na sociedade, sendo assim espaços excludentes e não seguros para pessoas que fogem aos padrões impostos.

Pensamos o festival como um espaço tanto para a exposição dos trabalhos dxs tatuadorxs, como também um espaço de troca e aprendizagem. Queremos construir um espaço seguro para todxs, num ambiente libertário e de cooperação. Isso só é possível desconstruindo os preconceitos que a sociedade impõe, chega de exploração, chega de machismo, chega de racismo, chega de homofobia, chega de transfobia. O evento tem como proposta o fortalecimento da resistência a toda forma de controle e dominação.

Propomos um festival em que metade de todo o dinheiro arrecadado seja revertido axs companheirxs encarceradxs. Não cobramos nada para a organização do evento por entendermos x tatuadorx como umx trabalhadorx que vive de sua arte, precisa arcar seus custos de viagem e equipamentos. O Tattoo Circus Rio é aberto a todas as pessoas que desejem tatuar, desde que respeitem os procedimentos de higiene cabíveis na hora de realizar tatuagens e piercings. O evento será realizado nos dias 28, 29 e 30 de Novembro de 2014, ficaremos muito felizes com sua participação.

Mais info: http://tattoocircusrio.noblogs.org/

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[México] Comunicado sobre o fim da greve de fome de Carlos, Mario, Fernando e Abrahan

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Recebido no email:

A todas as pessoas solidárias Aos meios de comunicação livres:

De forma coletiva e coordenada decidimos encerrar na sexta-feira (17 de outubro) a greve de fome. Acreditamos que o caráter reivindicativo de negação e profundo desprezo as prisões e o sistema podre que o rege desde suas raízes, está cumprido, e seguiremos negando desde a cotidianidade de nossas vidas, seja dentro ou fora da prisão. Essa ação foi uma forma de romper com o isolamento e a dispersão, para sustentar e criar um lugar de luta e de demonstrar que, mesmo estando atrás das grades, eles não são capazes de intimidar nossos espíritos rebeldes. Como anarquistas, parte da ruptura que escolhemos realizar consiste em negar o Estado e qualquer forma de controle de autoridade e regulação que pretende exercer controle sobre nossos corpos e vidas. Somos nós, de maneira individual e consciente, que devemos decidir sobre nós mesmos, ninguém mais. Por isso, temos retomado o controle de nossos corpos, a greve de fome foi um exemplo claro disso. Podemos resumir o nosso ato como uma pequena contribuição para a guerra irredutível contra a dominação do poder estabelecido, pela dignidade de homens e mulheres que podem olhar diretamente ao inimigo sem baixar a cabeça. Um ato de rebeldia e desobediência, e não um ato de vitimização; um ato que une os nossos corações e que nos faz sentir parte ativa de uma luta consequente que não vai parar.

Não descartamos a possibilidade de voltar a empregar esta ou qualquer outra ferramenta que consideramos útil para levar a cabo nossas lutas. Agradecemos profundamente o apoio e a solidariedade de todas as pessoas que estiveram atentas durante o nosso protesto, lembrando que nem as prisões deterão nossa rebelião. Porque não basta falar sobre anarquia, devemos ser uma expressão de dita anarquia.

Até que todas e todos sejamos livres!

Mario González García

Carlos López Marín “Chivo”

Fernando Bárcenas

Abraham Cortés

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[Espanha] Nova agressão a Noelia Cotelo no cárcere

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Nota de Cumplicidade:

Reproduzimos aqui a carta da mãe de Noelia. Noelia Cotelio esta presa nas masmorras do estado espanhol. Para mais informações sobre o caso de Noelia ver aqui.

Recebemos no email:

Saudações companheiros/as

Hoje falei com minha filha, no dia 7 de outubro passado, recebeu outra nova surra, devido a que Noelia estava escutando da sua cela como outra companheira presa, com 19 anos e sua primeira entrada na prisão, gritava pois a estava sendo surrada pelxs nazis carcereirxs. Por isso Noelia passou a dar golpes em sua cela, para desta maneira desviar a atenção dos TORTURADORES para ela… e conseguiu… o resultado foi que Noelia sofreu a brutalidade desses mal nascidos… sofrendo lesões. O nariz quebrado, o tornozelo com uma fissura, que a fazem contorcer-se de dor, pois não a levaram ao médico, nem recebe medicação, ainda que o tornozelo tenha sido enfaixado e nas radiografias que ela mesma pode ver como o osso apenas se mantem unido, por isso teme que se parta totalmente. Voltaram a tirar-lhe as cartas, está desnuda e descalça. Noelia pede que se façam mobilizações no cárcere de Albolote, pedindo também a máxima difusão das denúncias pertinentes destes fatos. Noelia tinha escritas, várias cartas a amigos e pessoas afinadas a sua causa que também lhe tiraram, por isso pede a todas as pessoas que lhe escrevem que voltem a ter paciência que ela sempre responde e o fará quando lhe devolverem os materiais necessários para poder escrever.

ATÉ QUANDO E QUANTO VAMOS TER QUE AGUENTAR???… POIS À MINHA FILHA SE VAI

A VIDA E AS FORÇAS ENCONTRANDO-SE DE MORAL E ÂNIMO MUITO BAIXOS NESTES MOMENTOS.

 ABAIXO OS MUROS DAS PRISÕES… PRISÃO DEMOLIÇÃO!!

 A QUEREMOS SÃ, VIVA E LIVRE.

PEDIMOS A MÁXIMA DIFUSÃO.

GRACIAS POR VOSSA SOLIDARIEDADE E APOIO.

 Lola

Para escrever a Noelia:

Noelia Cotelo Riveiro
CP Brieva. Ávila
Ctra de Vicolozano
05194

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[México] Informe do estado de saúde de Carlos, Mario, Fernando e Abrahan, anarquistas em greve de fome + comício em apoio aos presos em greve de fome

Mandado no email

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Informe do estado de saúde de Carlos, Mario, Fernando e Abrahan,anarquistas em greve de fome

Carlos López já perdeu cerca de 7 quilos e continua na área de entrada, para onde foi conduzido desde o início da greve. Nos primeiros dias estava com outro prisioneiro, mas a partir do dia 5 se encontra só na cela. Apresenta refluxo, azia, fraqueza e um pouco de tonturas. Ele é transferido até 4 vezes por dia da cela para o serviço médico da prisão, principalmente na madrugada, onde somente pegam os seus dados e medem a sua pressão arterial, porque a escala não funciona e não tem o equipamento necessário para medir a glicose. Na segunda-feira, uma enfermeira tentou entrar com uma equipe de médicos solidários, mas foi negada a entrada, com o argumento que não estava autorizada a entrada. Nos próximos 10 dias vai ser ditada a sentença para ele, junto com Amelie e Fallon, dentro do processo local por ataques a paz pública.

Mario Gonzáles tem alguns problemas, principalmente no pâncreas, e mudanças observadas nos dias que antecederam a greve de fome nos rins e fígado; o médico da equipe solidária que o visitou na terça-feira considera seu estado estável​​, e segue com os mesmos sintomas que manifestou nos dias anteriores, só que a dor abdominal aumentou. O diretor da Torre Médica põe obstáculos para mostrar o expediente de Mario, embora o médico solidário hoje teve acesso a ele, e exigiu que façam mais estudos de laboratório. Ele já perdeu cerca de 7 quilos e aguarda a resolução de uma liminar contra a sentença.

 Fernando Bárcenas já perdeu 3 quilos e 200 gramas. *Abrahan Cortés* já baixou 3 quilos e 900 gramas. Ambos permanecem na área de entrada da cela, onde estão desde sua prisão. Eles são levados para a revisão médica várias vezes na madrugada, por isso não descansam durante a noite. As ligações telefônicas para eles foram restringidas.

Cruz Negra Anarquista – México

Informação do comício em apoio aos presos em greve de fome  

A concentração em frente a Sub-secretaria do sistema penitenciárioaconteceu entre 12 e 13 horas [no dia 16 de outubro] com um comício em queforam dadas informações sobre os 4 presos anarquistas que mantem uma grevede fome desde o dia 1º de outubro, também foi feito um bloqueio na avenidaTlalpan no sentido do centro, aí denunciamos as represálias por parte dasautoridades dos presídios contra nossos companheiros em greve de fome.   Exigimos que deixem de impedir a entrada da equipe médica que os acompanhae responsabilizamos as autoridades do Sistema Penitenciário por qualquermal que sofram Carlos López, Mario Gonzáles, Fernando Bárcenas e AbrahamCortés; os funcionários que estiveram presentes disseram que se permitirá oingresso da equipe médica aos diferentes presídios, entretanto hoje mesmo,novamente negaram o acesso ao expediente de Mario da equipe médica, poroutro lado não deram nenhuma resposta ante a denúncia dos golpes que umagente deu em dias passados a nosso companheiro Fernando.   Por volta de 200 policiais tentaram amedrontar e prender as e osmanifestantes que foram a mobilização, e ante a decisão de nos retirarmosao final do comício, os granadeiros nos seguiram ameaçando com detenção enos “escoltaram” por algumas ruas, ainda que dissessem que era “porsegurança”.

 

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[Prisões italianas] Tudo o resto é aborrecido. Notas soltas sobre ação direta. De Nicola Gai

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Pensei em escrever estas notas, porque me parece que ultimamente, até mesmo entre nós anarquistas, se está a falar muito pouco da ação direta (e, infelizmente, a ser praticada pouco…), privilegiando-se as tentativas de encontro com as “massas” mais ou menos indignadas. Decidi fazê-lo na Cruz Negra, porque espero que esta possa converter-se num espaço de debate entre aquelxs que consideram a ação como o centro do seu caminho de luta. Espero, sinceramente, que a Cruz Negra se converta não na reunião das más sortes carcerárias mas sim no lugar onde se pode retirar informação e aprofundar sem meias palavras – a partir de diferentes pontos de vista e sobre questões que são consideradas úteis – para dar mais contundência à luta contra a autoridade. De fato, a ação direta é algo para agir e não para pontificar mas estou convencido de que esclarecer o que cada um de nós  realmente entende quando usa essa palavra pode ajudar a aguçar armas para isso atacar.
Para abordar a questão, sem me perder em torções inúteis de palavras, quero  esclarecer primeiro o que, para mim, não é a ação direta.

Concentrações, distribuição de folhetos, manifestações “determinadas e de comunicação”, tartes (pinturas, cuspidelas, etc) na face do infame de turno, ovos com cores e todo esse tipo de coisas não podem ser consideradas ação direta. Estou ciente de que uma lista deste estilo atrairá até mim as setas dxs que sustêm que todos os meios têm a mesma dignidade na luta, o meu discurso poderá parecer superficial, “militarista”, impregnado de uma óptica de eficácia e blá blá blá … Mas ninguém, honestamente, pode negar que neste momento ao fazer essas coisas se está a mimar a luta, renunciando-se a vivê-la realmente.

Estou convencido de que se está a afrontar de ânimo leve a luta, com um sorriso nos lábios: não se trata só de um jogo, mas nada mais sério há do que um jogo onde as apostas são representadas pela qualidade de nossas vidas e da nossa liberdade. Ninguém pode negar que a correspondência entre o pensamento e a ação deveria ser a característica fundamental de ser anarquista. Se pensarmos que a destruição deste mundo é necessária, então temos de agir em consequência, não podemos recorrer a truques baratos, simpáticos e inofensivos, para silenciar a luta, enganando as nossas consciências famintas de liberdade. Devemos ter a coragem de afirmar que a ação direta ou é destrutiva ou não é ação direta. Os muros que nos aprisionam não cairão por si, mas sim só se investidos forem pela onda de choque da nossa raiva. É inútil que a lista de turno nos recorde que a insurreição não é o resultado da soma aritmética dos ataques realizados por anarquistas, estou a falar de outra coisa. A nossa vida é demasiado curta para nos permitirmos desgastá-la com centenas de acontecimentos para despertar as massas adormecidas, para que estas se apresentem pontuais à citação no dia mágico: só quando atacamos concretamente o existente conseguimos arrancar pedaços de liberdade – mesmo que apenas por alguns momentos – libertando-nos das amarras impostas pela vida quotidiana e pela lei.

A nossa luta deve ser violenta, sem compromissos, sem possibilidade de mediações ou vacilações: a ação direta destrutiva, o único meio que deveríamos usar para nos relacionarmos com quem nos oprime. Mas as coisas, como sempre acontece na realidade, são um pouco mais complicadas, infelizmente a ação só por si não constituirá a panacéia para todos os males do nosso movimento. Ainda que esteja absolutamente convencido de que nenhum ato de revolta é inútil ou prejudicial, entendo ser fundamental questionarmos-nos sobre a projetualidade que as geram e, acima de tudo, sobre o significado que lhe dão aquelxs que as fazem. O próprio ato pode assumir significados muito diferentes, se concebido numa óptica de ataque ou de defesa. Vou tentar explicar com um exemplo prático: no ano passado, em Vale de Susa, assistimos a um aumento positivo das práticas de sabotagem na luta contra o TAV; perfeito, se entre as intenções daquelxs que fizeram tais ações estivesse presente a intenção de afirmar claramente que não está em jogo só impedir a construção de uma linha ferroviária, mas antes a necessidade de atacar e destruir todo o projecto do sistema tecno-industrial que a desenha. Outra coisa é o sentido do que se pode ler em alguns comunicados do movimento NO TAV – ou, o que é ainda mais desconcertante, no n º 5 de Lavanda, hoje desenhada por alguns/algumas companheirxs envolvidxs nesta luta. Tais ações poder-se-iam  interpretar como o último recurso de uma população que já utilizou todos os meios de pressão possíveis (e pacíficos …) sem obter a atenção dxs que xs governam. Estou convencido de que tal interpretação banaliza qualquer aspecto positivo e revolucionário de tais atos; de fato, sugere que, se o poder fosse mais “razoável” se fosse mais aberto ao diálogo, existiria a possibilidade de o “convencer” para mitigar os seus aspectos mais nefastos.

A ação direta só expressa todo o seu potencial de libertação quando é concebida numa óptica de ataque. Nós não golpeamos o inimigo pelo desgosto com o seu último delito, que se tornou insuportável, mas porque queremos ser livres, aqui e agora. Não necessitamos justificações para golpear, não podemos aceitar viver uma vida carente de sentido, como meras engrenagens desse sistema mortal, é simples. Devemos ser nós quem dita os momentos de luta, há todo um mundo para demolir e as chances de derrotar o monstro tecnológico estão a tornar-se cada vez mais pequenas, se em proporção ao seu desenvolvimento.

Quando falamos de ação direta estamos a falar da nossa vida, visto a rejeição que temos ao existente não ser uma moda, mas algo muito mais profundo em que colocamos em jogo toda a nossa existência. Por este motivo, acho realmente irritante quando nos referimos a qualquer ação, dizendo que “era o mínimo que se podia fazer.” Estou convencido de que não há nada que possa ser feito ao mínimo, pelo menos contra o que nos oprime, não podemos nos auto-impor limites de acção, esta deve ser sem restrições tal como a nossa sede de liberdade. Se nos encontramos perante um explorador assassino de uniforme, etc, e se decidimos manchar-lhe o vestuário com pintura, isso não é o mínimo que se podia fazer mas sim o que decidimos fazer. Trata-se de algo ditado por uma série de análises – que não dando mais força à ação ainda a minimizam: “as pessoas não nos entenderiam, não devemos dar um passo a mais que os restantes, é necessário começar por ações pequenas, as que são facilmente reprodutíveis”, etc.

Naturalmente, trata-se de considerações que precisam de um tratamento mais profundo e espero que haja forma de voltar a isto e discuti-lo seriamente, o que hoje queria dizer é que devemos sempre aspirar a fazer o máximo que as nossas habilidades consintam. Quando agimos, devemos fazê-lo essencialmente por nós mesmxs e da maneira mais resoluta possível, não somos distintos daquelxs a que de forma autoritária chamamos ” gente comum”, o que quer que façamos qualquer pessoa o pode reproduzir, desde que alimente o nosso próprio desejo de destruir a autoridade. Não devemos tentar convencer as massas da bondade de nossa tese, mas procurar cúmplices que queiram participar na obra de demolição. Não temos
de ter medo do nosso ódio, mas devemos lançar-nos à ação, conscientes de que o inimigo não hesita nem um segundo na sua guerra contra a liberdade.

Estas notas foram ditadas não tanto pelo desejo de desenvolver qualquer análise teórica inovadora mas mais pelo desejo de tentar compartilhar a ideia da centralidade necessária da prática destrutiva de ação direta na vida de qualquer anarquista revolucionárix. Tudo o que acabou de ser dito seria certamente óbvio se não existissem tantxs companheirxs a consumirem tantxs forças, girando como peões em ativismos a que falta qualquer projetualidade verdadeiramente revolucionária, marcada pelas feridas do assistencialismo e do oportunismo. No entanto, já existem antídotos para tudo isso: organização informal, o nihlismo, o individualismo, a recusa de líderes carismáticos, a recusa do poder extra assembleário, a comunicação através da ação. É preciso voltar a olhar para o que está a acontecer àq volta do mundo, como historicamente sempre têm feito xs anarquistas, inimigxs de todas as fronteiras, e dar-nos-emos conta de como companheirxs de todas as latitudes estão a experimentar novos modos de ação, libertando-nos dos grilhões das lutas sociais para nos lançarmos sem freio ao ataque do existente. Temos de redescobrir a alegria de atuar, parar de nos limitarmos a uma busca ilusória do consentimento popular; sem tantxs … teóricxs, o nosso objetivo deve ser simplesmente destruir o que nos destrói. Libertemo-nos da política, mesmo no seu declínio antagonista; deve ficar claro que não lutamos por um futuro brilhante, mas por um viver, aqui e agora, a anarquia deveria ser em primeiro lugar um ato individual que afectasse a nossa própria vida: devemos conspirar, alimentar cada pequeno fogo que possa incendiar toda a pradaria, atentar com todos os meios contra a ordem, civilizada e tecnológica, que o sistema tenta impor. Nesta luta, devemos utilizar todas as armas que tenhamos à nossa disposição, em primeiro lugar as que não faltam no arsenal de todx x anarquista: a vontade e a ação direta destrutiva.

Fray Nicola Ferrara [Nicola Gai]

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[Uruguai] Se constituiu a Liga Autogestionada de Luta em Montevidéu

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*O esporte moderno*

O esporte moderno não mantém nenhum princípio que seja bom e ainda pior, forma um dispositivo que atenta contra a liberdade. Seu valor principal é o da competitividade dentro do espetáculo para que brilhem os patrões e seus produtos. Para a concepção moderna do esporte tudo tem que ver com competir, exceder aos demais e consumir. Se consome força, se consome competição e se consome todo tipo de coisas (as que sejam necessárias) para adaptar-se ao modelo imposto. Exemplo disso são as grandes competições que fazem os empresários (mundiais, torneios de alta gama, olimpíadas) que não são mais que um grande negócio. Nestes espetáculos multimilionários, todos (menos eles) perdem, aumenta o controle, se provam novas tecnologias de exploração, se apresentam empresas, se desaloja e mata gente… todo o necessário para manter e desenvolver o domínio do Estado sobre nossas vidas. As academias parecem existir para fazer mulheres fracas e homens musculosos que se adaptem bem ao modelo que o mercado impõe, nada que tenha que ver com alegria, o prazer e o desenvolvimento de capacidade que nos façam a todos um pouco melhores. Em suma, os espaços modernos vinculados ao esporte são um entretenimento para descansar do trabalho e ganhar força para retornar depois. Não se busca um verdadeiro crescimento pessoal, um desenvolvimento físico e psíquico, senão só competir, ser mais do que os outros. Se entra em uma maquinaria perversa onde se perde a individualidade e se potencia o ser um elo a mais, não parece haver nada mais parecido a um desportista hoje que um soldado. Os ídolos da sociedade atual são esportistas de alta gama, imagem falsa de saúde que igual aos cavalos de Maroñas [hipódromo de Montevidéu] são obrigados a correr nas pistas sabendo que sua vida útil será breve. Todo tipo de empresas participa do novo circo romano cujo ganho para o Estado é total. Com nada disso temos que ver, salvo com sua destruição.

Não queremos fazer o mesmo mas “entre nós”

 Não se podem mudar os valores da sociedade capitalista com slogans diferentes, fazendo o mesmo mas com “nossa” bandeira, há que se mudar as relações sociais e há que se acabar com o que as produz. As formas desde as quais nos movemos na liga são as de tentar sempre manter o respeito pelos outros, a solidariedade, o apoio mútuo e a liberdade total de cada quem. É por isso que não aceitamos sexismo, racismo ou outra forma de ignorância feita prática. É por isso que não concebemos o espaço como um lugar para desprender-se do longo dia de trabalho ou estudo senão para de alguma forma aprender a ser melhores. Como? Potenciando outros tipos de valores, outros tipos de práticas e contribuindo a um mundo que se opõe ao que nos quer negar a vida.

A autogestão das coisas que colocamos a disposição para os treinamentos, assim como dos modos pelos quais treinamos tem como finalidade uma só coisa: demonstrar como o conhecimento e os projetos podem gerar-se, manter-se e crescer sem amos de nenhum tipo, sem financiamento de nenhum poder e gerando ideias opostas a um mundo que nos nega. Ninguém nos presenteia nada assim que tudo conseguimos entre nós. Isso não deve confundir-se com usar as coisas como se usam as do Estado ou as das outras igrejas. O labor dos companheiros e seus esforços se respeitam, e o critério para o uso é tão simples como importante: a responsabilidade. A liga é autogestionada, isso quer dizer que o sustento das coisas se faz entre todos, cada um segundo suas possibilidades e vontade, mas não aceitamos patrões ou acomodados de nenhum tipo. Não somos democratas, colocamos o respeito em lugar da tolerância e o apoio mútuo no da lástima e da caridade. O trabalho se baseia no apoio mútuo e na solidariedade. Agora terminamos as palavras porque é tempo de usá-las…

Se te interessa, passa por La Solidaria (Fernandez Crespo 1813) aos Sábados às 16 horas.

 

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[RJ] Atelier de Visualidades Insurgentes

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Escola Autogestionada de Imagem! O A.V.I. (Atelier de Visualidades Insurgentes) surge na intenção de compartilharmos experiências com imagens (ver/fazer/reciclar – fotografia, vídeo, cartaz, cinema, etc.), pensamos nos usos dessas linguagens para expressar o cotidiano de forma revolucionária. Convidamos todxs que queiram participar e construir os encontros com trocas de ideias, projeções, prática de campo, etc. Onde aprenderemos produção de imagem e informação. Ao final, em Dezembro, teremos a materialização dos projetos germinados pelxs partipantes.

 Aula inaugural: 13 de Outubro.

Segundas e sextas, das 13h30 às 16h30, no Prédio do Relógio, Rua Visconde de Niterói, 354, Mangueira, Rio de Janeiro.

Assistam a chamada: https://www.youtube.com/watch?v=aOVT1AOO4hM

Mais infos: visualidadesinsurgentes.noblogs.org

 

 

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