5ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre

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Os últimos anos foram marcados pela eclosão e intensificação de lutas que têm como cenário a cidade. Ruas, bairros, praças são o palco de lutas de transversais, muitas vezes de grande amplitude. Uma série de questionamentos sobre o modelo de cidade e as formas de mobilidade, ocupação e apropriação do espaço urbano, há muito tempo presentes nas lutas, passaram à ordem do dia.

Em 2013 e 2014, as grandes cidades do país foram cenário de revoltas, e foram sacudidas desde baixo pela ação popular. As ideias libertárias pulularam entre as múltiplas pautas sustentadas pelas multidões nas ruas, bem como nas formas de articulação e organização, nas quais a influência das ideias e experiências anarquistas se fez presente e ativa, na reestruturação de um campo combativo desde a esquerda e desde baixo nas cidades.

Por outro lado, as cidades foram território de uma série de práticas repressivas e da violência do Estado. Algo daquilo que é o cotidiano das periferias e bairros pobres das cidades brasileiras, tornou-se também visível no centro das metrópoles, explicitando a lógica com a qual as cidades são geridas pelo Estado e o grande Capital. Em nossas lutas de 2014, nos deparamos com cidades sitiadas e monitoradas, com a restrição do espaço público, expulsões e remoções forçadas, ação policial ostensiva e violenta, restrição do direto de ir e vir, do acesso ao espaço urbano, do direito de reunião e associação – com perseguição efetiva, política, ideológica a coletivos e organizações anarquistas. Vimos, mais uma vez, a intensificação de um “apartheid” social, no qual políticas de urbanismo segregatório e gentrificador, bem como a violência contra a população pobre, jovem, negra e periférica foram constantes.

Para xs anarquistas, a cidade é, também, lugar de afirmação positiva de resistências. E é nesse ponto que se situa a 5ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre, resgatando uma história de apropriação do espaço urbano e de presença cultural e anárquica na cidade que remonta à 1ª Feira, de 2010.

A 5ª FLA vem atualizar e desdobrar essa história, colocando a cidade como foco temático, ocupando ruas e praças na construção de um espaço autônomo, comum e comunitário, tomando lugar na cidade como território em disputa.

O tema da 5ª FLA é, exatamente, a cidade como lugar chave da afirmação das lutas contra toda forma de opressão.

O que une xs anarquistas nos territórios de luta e resistência das cidades? Como podemos apropriar, transformar e lutar num espaço urbano onde possamos criar nossos territórios, zonas livres e autônomas, integrar experiências libertárias e comunitárias?

A 5ª FLA traz o tema da construção da cidade como lugar de disputa e de luta: territorialidades alternativas e libertárias, redes de espaços ocupados, territórios dos de baixo, que afirmam uma outra forma de habitar e construir a cidade. A cidade do poder popular contra a do poder municipal burguês. A cidade da vida coletiva autônoma e livre. A cidade como palco da democracia direta e do apoio mútuo.

A 5ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre lembra e homenageia o companheiro Robson Achiamé, incansável e generoso propagandista do anarquismo. Achiamé nos deixa aos 71 anos – dos quais, pelo menos 47 foram dedicados à propaganda libertária. As caixas de livros que enviava sem pedir o pagamento prévio (ou nem mesmo pagamento), aproximaram muitxs de nós das correntes libertárias e das ideias anarquistas. Sua memória se faz presente na 5ª FLA.

Proposição de atividades, oficinas, bate-papos, debates para somar à programação política, cultural e poética da 5ª FLA até dia 05 de dezembro, via e-mail ou pela página.

 Contato: 5flapoa@riseup.net

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[Toulouse, França] O bicho pegou!

Retirado de ContraInfo:

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Uma semana depois da manifestação de 1 de Novembro de 2014, terminada já em confrontos com a polícia, foi convocada outra manifestação a nível nacional contra a violência policial em Toulouse – a maior cidade nas proximidades de Testet, onde na noite de 25 para 26 de Outubro Rémi Fraisse foi assassinado pela bófia no decurso de confrontos.

A 8 de Novembro as autoridades da cidade decidiram proibir a manifestação enquanto as organizações e partidos ecologistas e de esquerda apelavam para que as pessoas não participassem nela. Mesmo assim, éramos mais de um milhar reunidos na praça Jean Jaurès, completamente cercadxs por centenas de polícias. Os esquerdistas do NPA (Novo Partido Anticapitalista) acabaram por negociar um novo percurso de algumas centenas de metros na avenida Jean-Jaurès. Apesar das vaias da multidão, toda a gente acabou por seguir naquela direcção a ver se era possível sair do cerco policial. Pouco depois, a bófia bloqueou completamente a estrada e todas as saídas da avenida, encontrando-nos presxs nas laterais. Os palhaços a fazer palhaçadas, os pacifistas a indignarem-se, outras pessoas a porem capuchas e os do NPA a tentarem negociar a sua saída.

Todo se manteve calmo durante um momento, depois a bófia começou a inundar de gás lacrimogéneo a praça. Toda a gente corre e as primeiras pedras voam enquanto se monta algo parecido com uma barricada. O lançamento de gás lacrimogéneo e de pedras durou aí uns vinte minutos tendo a manif sido separada mais ou menos a meio; uma das metades ficou presa na armadilha e o gás continuou a tombar. Alguns molotov voam em resposta, uma viatura pega fogo (ao que parece devido a uma granada lacrimogénea). Começamos a questionarmo-nos como se vai sair dali.

De seguida, o que restava da manifestação é novamente cortada em duas. Uma delas é repelida nas ruas à volta da praça Belfort, mediante grande reforço de lacrimogéneos, toda a gente corre sem ver nem respirar. Uma vez saída da nuvem de gases, esta parte do cortejo (essencialmente composta por pacifistas lamuriando “Paz, Respeito, Amor”) dispersa-se.

A outra metade, muito mais encapuçada, reuniu-se ao lado da estação de metro de Jeanne d’Arc e acabou por descer as ruas na direção da praça Esquirol e do Palácio da Justiça, levantando barricadas à passagem e destruindo os bancos, apanhando a polícia de surpresa. Apesar do cerco policial os manifestantes conseguiram tomar as ruas do centro da cidade. Fazer frente à presença policial permitiu sair do cerco e conduzir a manifestação a outros locais. Depois de algumas escaramuças as pessoas dispersam-se de novo.

A manifestação correu relativamente bem, apesar das condições adversas, coexistiram todas as práticas sem muitas dissociações (aparte dos do NPA, mas passamos por cima disso). Depois de ter acabado a manif, realizou-se uma concentração frente à delegacia da polícia em solidariedade com xs detidxs do dia.

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Uma nova grande manifestação contra as violências policiais está convocada para 22 de Novembro, em Toulouse. É importante conseguir manter um nível alto de conflito nas mobilizações e nas ruas de modo a que as práticas ofensivas se experimentem e se realizem em conjunto, evitando cair outra vez nas divisões entre manifestantes “bons” e “maus”. Aqui toda a gente se manifesta junto. Mais ou menos de maneira ofensiva, mas juntxs e de forma autónoma. E é isso que devemos levar adiante, procurando evitar a clássica separação que conduz o pessoal mais “tranquilo” à recuperação pelos partidos e organizações da extrema-esquerda clássica e o pessoal menos “tranquilo” às práticas mais especializadas e mais secretas da ação direta. Estas tendências mantêm-se juntas graças às manifestações, devido à capacidade de manter a força de maneira pública. Se nos tivermos de dividir um dia, cabe-nos a nós decidir isso em pleno conhecimento de causa.

Não tem a ver mais com a barragem mas com a nossa vida inteira.

Lutar contra o capitalismo e os seus mega projetos significa levar a luta à rua, na mente, no coração, de noite e de dia, contra todas as formas de dominação e exploração e com os meios que cada um ou uma tiver à mão.

Solidariedade com xs detidxs!

Morte ao Estado, que viva a anarquia.

 

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[Tlalnepantla-Mexico] Reacción Salvaje ataca a sede da Fundação Teletón México

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Retirado de Contra-Info:

É verdade, não somos nada altruístas nem caritativos, isso ficou claro na noite de 14 de Novembro quando decidimos detonar uma carga explosiva na sede da “Fundação Teletón México” em Tlalnepantla, Estado do México.

Próximo do dia em que a submissa e adormecida sociedade mexicana, volta a juntar-se em frente ao televisor para se compadecer dos meninos com falta de capacidades, utilizados para acumular grandes somas de dinheiro e para que as indústrias “benevolentes” não paguem impostos, decidimos detonar o nosso explosivo que, convenhamos bem, o mero acto não tem nada a ver com a “demanda ou justiça social”, nem tampouco tem tintas políticas, nem nada do estilo. Não fosse alguém o pensar.

O nosso grémio é outro, alguns sabem-no e muito bem. Atacámos a dita Fundação, porque é uma das instituições que juntamente com a iniciativa privada e os meios massivos de comunicação, implementam a alienação aos valores do sistema tecno-industrial tais como a “solidariedade promíscua”, a “paz”, o “progresso”, o “humanismo”, etc. Porque difundem em grandes doses a moral que a sociedade deve seguir para “acalmar os ânimos”, agora que no país se vive em crise política, económica e social.

A “Fundação Teletón”, também é um organismo que juntamente com as duas universidades mais prestigiadas do México (UNAM e ITESM), se encarrega de incrementar a inovação tecnológica e científica com fins terapêuticos, quer dizer, juntos agarram-se totalmente à ideia do progresso civilizado, para fazer com que este sistema siga o seu curso. Seguramente muitos se perguntarão: E que mal tem que exista este tipo de caridade para com as pessoas desprotegidas? Talvez xs inquiridorxs não se tenham dado conta de que o sistema se mascara sempre de “monja bem intencionada” para continuar, perpetuando-se dessa forma. A tecnologia complexa terá sempre o mesmo fim, em qualquer das suas formas, seja terapêutica ou de fabricação de armas, educacional ou de destruição massiva, medicinal ou tóxica (venenosa). E essa objectivo é o de continuar existindo, sobrepondo-se à natureza selvagem, por isso o nosso ataque.

Sem mais explicações: Não somos cristãos nem nos caracteriza a nobreza, somos selvagens, não procuramos nem defendemos a caridade de nada nem com ninguém!

Reação Selvagem
“Grupúsculo Caçador Noturno”

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[México] Novos protestos pelo desaparecimento dos 43 estudantes

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Cerca de 500 manifestantes incendiaram ontem (12) o Congresso de Guerrero, em Chilpancingo, capital do estado, em mais um dia de protesto pelo desaparecimento dos 43 estudantes da escola normal rural de Ayotzinapa, em 26 de setembro, na cidade de Iguala.

Os manifestantes, estudantes e membros do sindicato de professores, incendiaram as instalações da Secretaria de Educação, assim como da biblioteca local, uma sala de audiências e automóveis do Congresso de Guerrero.

Na terça-feira (11), centenas de manifestantes queimaram a sede do Partido Revolucionário Institucional (o partido do presidente Enrique Peña Nieto) em Chilpancingo. Durante o protesto, professores e estudantes, a maioria encapuçados e armados com paus, pedras e bombas incendiárias, enfrentaram policiais da tropa de choque. Por outro lado, no mesmo dia, no vizinho estado de Michoacán, estudantes também atacaram as sedes dos partidos Ação Nacional (partido de direita) e Nova Aliança.

Na segunda-feira (10), uma manifestação atraiu milhares de mexicanos, que convergiram para o aeroporto internacional de Acapulco, importante estância turística do sul do país, para um bloqueio. Houve duros confrontos com a polícia. Dezenas de policiais ficaram feridos.

No sábado (8), um grupo de manifestantes incendiou parcialmente a porta do Palácio presidencial, na cidade do México, depois de uma marcha.

 O caso

Os 43 estudantes da escola normal rural de Ayotzinapa desapareceram em uma emboscada feita por policiais e traficantes na saída da cidade de Iguala, após fazerem uma atividade de arrecadação de fundos em 26 de setembro. Os agentes e os criminosos alvejaram os dois ônibus onde estavam os estudantes. Na ação, seis pessoas morreram e outras 25 ficaram feridas. Minutos depois, os 43 alunos sumiram.

 Notícia relacionada:

http://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2014/10/27/mexico-pronunciamento-da-fam-diante-dos-acontecimentos-de-ayotzinapa

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[Espanha] Escrito de Mónica Caballero da prisão de Ávila

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“Nas mãos do Estado a força se chama Direito, nas mãos do indivíduo receberá o nome de crime. Crime significa o emprego da força pelo indivíduo; apenas por meio do crime o indivíduo pode destruir o poder do Estado, quando considere que está acima do Estado, e não o Estado acima dele.” Max Stirner

Atualmente, quando quase se completam 10 meses desde que estou na prisão nos cárceres do Estado espanhol, me é necessário entregar estas palavras a vocês, queridxs companheirxs que lutam pela abolição de toda autoridade e pelo desenvolvimento integral de cada indivíduo.

Hoje o anarquismo é uma das maiores preocupações em nível de segurança para muitos Estados ocidentais (e alguns orientais); nesta caça às bruxas de antiautoritárixs informais, tudo vale, e esta histeria repressiva é inerente à conquista da libertação total, é tão antiga como as ideias ácratas. Por isso toda pessoa que tente enfrentar ou simplesmente questionar a ordem imperante espera uma visita momentânea ou prolongada em algum dos agradáveis monumentos do extermínio humano. No meu caso, passar por uma jaula não é algo novo. Quanto se decide lutar contra o estabelecido, o castigo é uma de suas consequências, esta postura vai muito além da visão democrata de Inocente/Culpadx, que não tem espaço em alguém que quer destruir este mundo que está cimentado em leis nas quais não acredito. Não reconheço juiz nenhum, seu direito me transforma em escrava, sua justiça me torna prisioneira.

No interior das prisões vem à luz o maior lixo da sociedade. Aqui dentro se esmaga o indivíduo no mais profundo de sua essência, a chantagem e manipulação por parte dos tentáculos do Poder se mescla e transforma como política de reinserção social. Ante a esta política, a coerência é minha vitória, me manter incorruptível e digna é a luta diária.

Neste processo político-jurídico-policial que foi levado a princípio contra um grupo de companheirxs e por último contra meu amado companheiro e eu, os aparatos do Poder tem usado as mais diversas artimanhas, algumas beirando o ridículo, mas os que têm usufruído deste Sistema e tentam perpetuá-lo jamais compreenderão nossas formas. Formas que rompem a hierarquia, que não recebem ordens de ninguém, que crescem e se multiplicam como a vegetação rasteira em seu tranquilo e estéril jardim. O conjunto de ideias anarquistas se desenvolvem na complexidade da integridade individual, e este indivíduo livre associado com outros indivíduos acabam com esta podre sociedade.

As formas e os modos com que os indivíduos enfrentam o domínio são múltiplas e não tem limites, nenhuma é melhor ou pior, são apenas distintas. Nenhumx ácrata que se considere como tal pode impor o que fazer a ninguém, e muito menos permitir algum tipo de imposição.

No caminho da construção-destruição anarquista, não temos (e nem queremos) nenhum tipo de manual ou itinerário, construímos no dia a dia com nossxs afins. Para xs que acreditam que xs antiautoritárixs seguem a risca os postulados de algumx companheirx “renomadx”, lhes digo que não entenderam nada.

Se ao longo da história na luta contra a autoridade houve (e há) muitxs companheirxs valiosxs que tem feito grandes contribuições, isso não quer dizer que façamos algum tipo de culto a alguém.

Queridxs companheirxs, me encantaria dedicar palavras a vocês em mais ocasiões, mas ante as limitações em que me encontro, não tenho certeza se poderei me comunicar desta forma novamente.

Dentro de alguns meses se realizará nosso julgamento, e nesse momento tentarei me manter a altura das circunstâncias, jamais abaixarei a cabeça.

Mando um abraço fraterno às pessoas que se solidarizaram conosco, cada gesto solidário ilumina as sombras destas paredes frias.

Xs prisioneirxs políticxs subversivxs que se encontram nos cárceres do Estado chileno: sempre estão presentes em meus pensamentos, embora me encontre distante, estou com vocês. E a vocês, irmãxs livremente escolhidxs, logo voltaremos a cruzar nossos olhares.

 Mão aberta a companheirx, punho cerrado ao inimigo!

 Morte ao Estado e viva a anarquia!

 Mónica Caballero Sepúlveda

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Achiamé está morto, porém vive! Palavras do GEAPI e do Nucleo Sol

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Os anarquistas historicamente deram ênfase ao conhecimento e difusão da teoria libertária. Panfletos, jornais, peças teatrais, comícios, e…Livros. Livros! A vida de um homem foi dedicada quase que inteiramente à livros. Seu nome? Robson Achiamé.Caso você seja anarquista, caro leitor, talvez não tenha o conhecido, ou mesmo trocado nenhuma palavra com Achiamé, mas temos certeza que se olhar a sua estante destinada à teoria anarquista, certamente que encontrará um rico acervo de obras editadas por uma certa “Editora Achiamé”. O Camarada Robson, 71 anos, 47 dedicados à imprensa libertária morreu, porém vive. Observando os comentários de condolências, é possível entrever um homem bondoso, gentil, que enviava caixas de livros sem nem mesmo pedir o pagamento prévio (e por vezes, nem mesmo pagamento), um verdadeiro anarquista, que tinha prazer em divulgar as ideias libertárias.

No Piauí, cuja política é caracterizada por um forte monopólio da mídia por parte de oligarquias empresariais, a criminalização de movimentos sociais, e um tradicionalismo beirando aos czares russos, o anarquismo insiste em romper o solo árido da transformação social, e encontra resposta positiva entre trabalhadores, estudantes e populares. Foi por meio de um grande número de livros editados por Robson Achiamé que várixs companheirxs que hoje compõem o GEAPI adentraram nas lutas e na organização anarquista. Indiretamente, o GEAPI tem muito de Robson Achiamé, assim como tantos grupos de estudos, coletivos, associações, e tantas outras formas de anarquistas dividirem, partilharem e multiplicarem as lutas e os sonhos.

Acreditamos que a vida e a obra de Achiamé jamais serão “repetidas”, mas que sejam o espelho de novas experiências em edição de livros anarquistas no Brasil, assim como a dedicação, a amizade e o compromisso de Robson.

O anarquismo em língua portuguesa com certeza perde em muito com a morte do companheiro, mas não cessará. Esta talvez seja a forma de agradecer todo o esforço e dedicação de Robson Achiamé Fernandes: Militando, organizando e lutando por um mundo novo, o mundo que carregamos em nossos corações.

Que a terra lhe seja leve!

Para sempre, PRESENTE!

 Grupo de Estudos Anarquistas do Piauí – GEAPI

 Biblioteca Libertária

Livraria Itinerante Anarquista

Um editor solitário-estelar da anarquia, simplesmente anarquista!

Passarinho. Estrela. Essas eram palavras que um editor, torcedor da estrelasolitária alvinegra, gostava. Robson, apaixonado pela vida, pelas coisasboas da vida. Gostava de cachaça, de torresmo, de chouriço, de feijoada no Floresta, no meio da mata e do doce “mineiro de botas” no Aurora, seu barpreferido em Botafogo. Torcedor de radinho, de TV e de arquibancada.*Robinho*, mais um Chopp? Claro! Coloria seu alvinegro com o verde e rosada Mangueira e com o vermelho e negro da anarquia. Piadista, bonachão,glutão. Recebia a todos em sua casa com um almoço delicioso! Também umsaltimbanco iconoclasta. Homem de excessos e gigantesco em generosidades,sem o peso de pagar preços, apenas se entregava ao prazer de uma cachaça,de uma conversa, de uma companhia nos encontros sobre a anarquia,literatura, futebol, amor, paixão e amizades, sobre o planeta e suas coisasesquisitas. Homem imenso, não coube em si. Um insurgente!   Achiamé. Uma estrela solitária a editar palavras da anarquia. Interessadoem jazz e no amor livre, preocupado Achiamé. Uma estrela solitária a editarpalavras da anarquia. Interessado em jazz e no amor livre, preocupado ematiçar e alertar os desavisados, a sacudir o conforto dos covardes, dosomissos e dos doutrinários. Literatura e anarquia, parceria inseparável.Impaciente com o mercado, não tinha CNPJ e nem emitia nota fiscal. Editoumuitos clássicos, mas foi um dos únicos a editar anarquia hoje, emportuguês, de autores que o mercado editorial simplesmente desconhecia.Inventou uma revista, a letralivre, que conversava com as edições dos jornais históricos da anarquia no Brasil, ao mesmo tempo que se aproximavados fanzines anarco-punks. Foi responsável pela reativação do boletim do CCS-SP, encalacrado há mais de uma década, que sem ele segue sem serimpresso. Diagramou e imprimiu por conta própria. Distribuía suas edições ede companheiros pelo correio. Não existe história e memória da anarquia no Brasil sem ele. Brincava com as palavras impressas e as páginas de dizerese imagens como uma criança grande. Editor incontornável, homem extraordinário. A anarquia sabe o tamanho que ele tem. Um instaurador!   Robson Achiamé, amigo querido, sua grandeza estelar ficou impressa naspáginas que combateram e combatem a favor da liberdade e contra a pequenezde picuinhas. Nas suas edições não havia seletividades: publicava todas ascaras e ações dos anarquismos. A estrela solitária brilha, verde, rosa,branca, negra e vermelha. Daqui, saudamos e brindamos a sua existência!Tristes, pela certeza da impossibilidade do reencontro; alegres e fortes,pelo que imprimiu em cada um dos anarquistas. Amou as palavras para jamaisusá-las com soberba.

Um editor da anarquia! Simplesmente anarquista!

Núcleo de Sociabilidade Libertária – Nu-Sol

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[Argentina] Feira do Livro e Difusão Anarquista de Buenos Aires

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 Estamos organizando outra Feira do Livro e Difusão Anarquista de Buenos Aires para 6 e 7 de Dezembro.

Várias inquietudes nos impulsionam: O que motiva a necessidade de organizar este encontro? Onde estamos paradxs? O que estamos fazendo, é eficaz? O que queremos dizer com eficácia? Que recursos e oportunidades dispomos? Nós, reunidos nesta ocasião, achamos que a feira seria uma grande oportunidade para provocar uma instância de encontro a nível regional, para realizar uma análise e uma caracterização do contexto e da situação atual que nos sirvam para estimular novos projetos e para promover a formação de vínculos, articulação e intercâmbio. Convidamos a todxs xs expositorxs, editoras, grupos e individualidades que se dediquem à difusão de ideias ácratas, seja em qualquer formato, para participar do evento: com uma banquinha ou com apresentações de livros ou realizando algum tipo de atividade. Para isso buscamos atividades que sejam lúdicas e participativas, um pouco para sairmos da clássica estrutura de palestra-debate e um pouco para priorizar dinâmicas que potencializem a apresentação e a troca de experiência direta dxs presentes como corpos em luta. Queremos compartilhar experiências sobre projetos, situações e problemáticas nas diversas regiões da província, do país e do mundo, para colocarmos em dia, trocar experiências, conhecimentos, fortalecer nossos laços e gerar novos.

Como anarquistas, não só queremos expor nossa realidade, queremos aprender uns com os outros: Que problemas existem na sua região? Que sugestões você tem para abordá-los? Que ideias foram postas em prática? O que você pôde aprender com elas? Que alcancemos estes objetivos depende do interesse e contribuição de todxs. É por isso que estás mais do que convidadx para participar da forma que mais lhe agradar. Te convidamos também para participar da organização e da preparação da feira, e te encorajamos a espalhar o evento e que convide qualquer pessoa que tenha a intenção de compartilhar e participar. Qualquer ideia que tenhas para contribuir com o conteúdo ou a organização será bem-vinda. Somos poucxs e queremos fazer muito. Se você quiser espaço para uma banquinha, tem propostas para atividades, para consultar se há alojamentos durante o evento, ou para quaisquer outras perguntas, envie um e-mail para:feriaanarquistabsas@riseup.net.

Aguardamos vocês… Saúde e Anarquia!

fdlabsas.noblogs.org

Feira do Livro e Difusão Anarquista de Buenos Aires

Quando: 6 e 7 de Dezembro. Onde: No estacionamento da Facultad de Ciencias Sociales de la UBA (Marcelo T. de Alvear 2230).

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[Buenos Aires, Argentina] Condutas incivilizadas

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Retiramos de ContraInfo e Traduzimos:

Primeiro comunicado
Instinto primitivo: o silencio é o grito

1 de novembro de 2014
Buenos Aires, Argentina

I

Tudo tem seu momento. Existe momentos para falar e existem momentos para fazer silencio. Momentos de ficar quieto e momentos de atuar. A paciência foi e será o maior atributo dos selvagens. Hoje é momento de falar e por isso que temos algumas coisas que dizer.

II

A tecnologia é a morte. Tal e assim que dia a dia, durante milhões de anos, os avances tecnológicos vão multando, exterminando, transformando a Natureza Selvagem, fazendo deste mundo um lugar cada vez menos habitável, artificializando cada espaço de nossas vidas.

Está claro que a tecnologia não é um ente místico que baixa do céu e devora tudo em seu passo, são homens e mulheres os que tomam esta decisão. Existem instituições específicas onde se ensina, e pelo mesmo se aprende, como destruir o Selvagem, artificializando cada vez mais. Claro que estes homens e mulheres, apresentam sua magnífica obra com outras palavras, pretendem ser os salvadores da terra e da humanidade.

III

Se bem no seu momento, o saber tecnológico e científico estava ao alcance de alguns poucos privilegiados, hoje em dia qualquer pode a ceder ao conhecimento científico/tecnológico, ao inscrever se em uma carreira universitária, seja publica ou privada,  um já pode ficar tranquilo que está no caminho da Civilização.

Cada vez são mais os países que, com suas Universidades, se somam à investigação em tecnologia a  nano escala, por exemplo, incorporando carreiras como Biotecnologia, Engenharia Robótica, criando-se instituições específicas relacionadas a Nanotecnologia.

A tecnología a nano escala se soma, além disso, à carreiras como engenharia Industrial, Urbanismo, Biologia, e demais merdas.

IV

Para terminar, nos fazemos cargo de algumas ações contra a Civilização realizadas em 2013-2014, que se mantiveram em silencio até hoje. Ameaça de bomba as oficinas de LAN, ameaça de bomba à Faculdade de engenharia, ameaça para Aníbal Cofone, secretario de Ciência e Técnica da Universidade de Buenos Aires, ameaça de bomba na Universidade Tecnológica Nacional, ameaça de bomba no aeroporto de Ezeiza, especificamente a um vôo de LAN com destino a Santiago de Chile (1). Também, em esta ocasião, nos adjudicamos um atentado com artefato incendiário frustrado contra um Subestação Elétrica no 22 de maio de 2013 (2).

Algumas das anteriores ações tiveram certa notoriedade nos meios de comunicação e outras não. Dentro destas últimas, sem embargo, se encontram aquelas que sabemos têm cumprido com nosso objetivo (3). Mais o chamativo disso e que em muitos casos mesmo sabendo da possibilidade da existência de um artefato explosivo, as autoridades das instituições ameaçadas fizeram caso omisso, evidenciando o pouco que os importam as vidas humanas (4).

V

Somos um grupo que temos tido processos individuais diferentes. Alguns de nos têm atuado baixo outros nomes e siglas, foram aderindo a Federação Anarquista Informal e/o ao Frente Revolucionário Internacional, foram reivindicando mortos e presxs anarquistas e de tendências similares, mais isso foi mudando.

Somos um grupo anti tecnológico que se propõe desestabilizar, com diversos meios, o normal funcionamento do Sistema Tecno industrial.

Em nossos comunicados não haverá citas de autoridade, o que tenhamos para dizer será dito com nossas próprias palavras (5).

Em nossos comunicados não se reivindicarám presxs nem mortxs.

Não somos anarquistas, nem primitivistas, nem unabomberistas.

Não nos somaremos a campanhas e datas supostamente importantes (6).

Isso tudo pelo momento, voltamos ao silencio.

Conductas incivilizadas

Notas:

  1. Cabe aclarar que o fato de que o vôo foi tido como destino a Santiago de Chile foi só por uma questão estratégica, não tem nada que ver com um ato solidário com grupos de ação o presxs de dita região.
  2. Em seu momento, esta ação não foi reivindicada pelo simples fato de que não cumpriu seu objetivo. Hoje pensamos diferente: todas as ações serão reivindicadas, tenham cumprido o não com seu objetivo, já que nos fazemos cargo de nossos atos sem importarmos as conseqüências.
  3. Exemplo disso e a ameaça de bomba ao vôo da LAN, que si bem não foi mediaticamente público, sabemos que o vôo esteve retrasado mais de três horas.
  4. Similar a esta conclusão e a que chegaram o “Grupúsculo Chuva de flechas”, trás a ameaça de bomba ao nono Encontro Nacional de Biotecnología.
  5. Não negamos a influencia de pessoas em nosso pensamento mais não queremos que nossas palavras sejam ditas por outros que não nos representam, nos representamos solos. Podemos ter certa proximidade com suas palavras o ações mais só isso, nada mas.
  6. Devemos reconhecer que a ação frustrada contra a Subestação Elétrica foi, em seu momento, para recordar ao anarquista Mauricio Morales. Si bem, com certas palavras de Morales ainda mesmo temos lembranças, não bastam para se solidarizar com uma pessoa, mas si essa pessoa está morta. Sabemos que alguns esquerdistas de turno se indignaram com nossas palavras. A realidade e que não queremos cair na miserabilidade que refletem muitos que usam o nome de um morto para alimentar seus próprios atos e obter prestigio o certo posicionamento na “guerra social”.
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