O Rebanho Eleitoral por Albert Libertad

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O rebanho eleitoral : Albert Libertad, 1906. L’Anarchie

Nota de Cumplicidade:

Mais de cem anos passaram desde que esse texto foi publicado e hoje, dia de eleições nesse território, onde as massas se dirigiram nas urnas, fazendo filas para escolher qual dos dois babacas vai dirigir as suas vidas, não é demais ressaltar a pertinência das palavras de esse Anarquista para quem, já nessa época, as eleições não fazia o menor sentido….

Retirado do site Protopia:

Albert Libertad

(Original em Francês)

Neste mesmo jornal, já detonei com o rebanho sindical, com o rebanho patriótico, com o rebanho dos cordiais, com o rebanho dos honestos. Agora é preciso tosquear o mais importante deles, o maior em sua estupidez, o rebanho eleitoral.

Sobre a pele do burro do tambor nacionalista, sobre o balão dos tamborins republicanos, amarrado as cordas do violão sentimental humanitário, sob o peso dos metais do trompete revolucionário, ali se encontra este saltitante rebanho, seus berros ovinos podem ser ouvidos por toda parte.

“Votem em Ciclano”, “votem em Beltrano”, “votem em Fulano”.

Em cada esquina há cartazes coloridos colocados lá para te lembrar e propagandear a meiguice, a coragem, e a lealdade de qualquer candidato. Estampados estão lá, o esquerdista progressista com um futuro brilhante[1], o ex-ministro economista de grandes caminhos[2], o militar colonialista de pinça e bisturi[3]. Todos eles pintados como grandes exemplos de virtude, honestidade e ternura.

Ainda que qualquer almofadinha poderia conduzir o rebanho desde que seja eloquente, o rebanho eleitoral gosta de elogiar o poder do cajado de Fulano, se impressiona com a força com que chicoteia Ciclano, aplaude as mãos fortes de Beltrano que seguram a corda.

O rebanho pondera e avalia também tudo quanto lhe é prometido; sem ignorar que nunca, jamais, nenhuma das promessas serão cumpridas. Porque é essa a forma que cada eleitor ovino, cada ovelhinha votante, encontrada para dar pra si próprio um pouco mais de ilusão. E os políticos seguem lhes prometendo a Lua, a felicidade, a diminuição dos impostos, a liberdade, estes e tantos outros devaneios nos quais ninguém acredita, mas que convém ao eleitorado fingir que tudo é possível e será realizado, fingir acreditar é o passa-tempo do rebanho.

Se maravilham os ovinos com as ilusões que lhes oferecem os aprendizes de pastoreio, depois de escolher o paraíso prometido sentados em um sofá ou numa mesa de bar. Mas no governo dos nacionalistas ou dos socialistas, os dados mostram o contrário. Dados que as ovelhas uma vez mais fingem ignorar.
Abrem as portas de suas casas, sentam-se a sala para ouvir religiosamente o orador-candidato que – em troca de pequenos débitos reformistas – promete e anuncia o reino da felicidade futura. E as ovelhas abrem suas bocas e orelhas para pastar um pouco mais.

– Prometo que banquetes de restos cairão em pedaços dentro de suas bocas! Suas casas velhas serão transformadas em palácios!! E vocês terão renda para viver sem trabalhar por trinta anos!!! – Diz o candidato.

– Ah! Ah! Que maravilha! Que maravilhas nos diz esse homem! É mentira o que está nos contando, porém nos faz tão bem, poder acreditar por um momento que será verdade. – Diz o eleitor.

As vezes pode acontecer que outro candidato lhe interrompa os sonhos para dizer:

– Isto não está certo! Vote em mim e prometo que banquetes de sobras cairão já ruminados dentro de suas bocas! – E o oviário segue atento ao debate apaixonante – Em pedaços ou ruminados? Como será preparado este banquete de sobras que jamais comerão?

Referências

  1. No original faz referência à Alfred Léon Gérault-Richard, jornalista e parlamentar socialista francês(N.T.)
  2. No original Maurice Rouvier, banqueiro, político e republicano francês(N.T.)
  3. No original a alusão é feita ao general Jean-Baptiste Marchand (N.T.)

 

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SÃO PAULO E A SECA: Progredindo rumo ao Colapso

Recebido no email:

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23 de Outubro de 2014

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Por meses temos acompanhado relatórios técnicos e reportagens mostrando que os reservatórios de água da cidade de São Paulo, uma das maiores do mundo, estão colapsando. Não há chuvas significantes caindo no estado de São Paulo por muitos meses. Neste dia 23 de outubro o complexo hídrico Cantareira, considerado a maior reserva de água do estado[1] encontra-se em 3% de sua capacidade e minguando.

Rios da região, como o Paraíba do Sul estão secando devido a drenagem para o abastecimento dos milhões de pessoas da região metropolitana. Como esperado a desigualdade na distribuição de água é alarmante: enquanto as mansões e coberturas seguem com suas piscinas e banhos de banheira, cada vez mais bairros das classes desprivilegiadas estão, há várias semanas sem água. Enfrentamentos com a polícia acontecem na capital e no interior. Diante da falta de água também cresceu a demanda por água transportada de caminhão para quem pode pagar, o que causou revolta em quem necessita de água e não tem como consegui-la. Na cidade de Itu distante 100 quilometros da capital, um caminhão de água foi cercado por grupos de pessoas que ergueu barricadas e tentou incendiar o caminhão.[2]

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 As soluções apontadas pelos técnicos para a seca giram em torno da vontade divina, um engenheiro consultado pela Folha de São Paulo (um jornal de grande circulação) afirmou que não há outra solução a não ser rezar para que chova.[3] A medida exotérica foi acatada por vereadores paulistas que se reuniram com o diretor da companhia de água para orar para Deus, para que este Papai Noel de gente grande lhes traga chuva sobre o estado de presente.[4]

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Nas propagandas políticas eleitorais a maioria dos brasileiros assistiu o PT (Partido dos Trabalhadores) atualmente sob posse do Governo Federal, responsabilizar a SABESP (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) sob controle do governo estadual do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) por não realizar obras de melhoria no sistema de águas que serve a cidade.[5] Mais da metade das instalações de água da cidade tem mais de 30 anos o que quer dizer que há muitos vazamentos. Em 2013 a companhia de água da cidade deixou vazar 950 bilhões de litros de água da rede de serviços. Mais de 31% de toda a água que saiu da estação de tratamento simplesmente se perdeu.[6]

 O mesmo governo federal (do Partido dos Trabalhadores) que critica o governo do estado recebe financiamento para campanhas eleitorais de grandes construtoras (responsáveis pela construção da Hidroelétrica de Belo Monte, o algoz energético dos povos do Xingu),[7] e de grupos vinculados ao agronegócio (como a Friboi) que enriquecem transformando no norte do país, florestas em campos, para pastagem de gado para exportação.[8]

 Estudos apontam para a correlação da seca no sudeste com o desmatamento de florestas, nesta e em outras regiões. A derrubada desenfreada de florestas em diversas regiões do país diminui o índice de umidade no ar e colabora com o processo de desertificação.

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Por sua parte a mídia tem feito seu papel de pacificar as massas com uma cobertura discreta e conivente com o estado corrupto que, entre outras coisas, tem apoiado políticas de desmatamento de florestas e assoreamento de rios, sobre as quais nada se fala.

O estado com suas mazelas e infinitos casos de corrupção privilegia o ganho econômico a qualquer custo e prefere ignorar este tipo de informação. Responsáveis pelo agravamento desta situação, os governos federais e estaduais, controlados por partidos rivais em tempo de eleição, tratam da crise hídrica de uma cidade de 14 milhões de habitantes como apenas mais um elemento no joguete eleitoral. O nome do jogo é “culpar e se eximir”, assim escapam de toda e qualquer responsabilidade sobre crise, se atacando, esperançosos por uma reeleição.

Os políticos, sem sombra de dúvida, têm grandes responsabilidades pela seca. A questão, no entanto, é tratada como se esta crise fosse se resolver com mais obras de infra estrutura, mais dinheiro investido em tubulações e estações de tratamento, nunca há qualquer referência sobre a correlação entre a destruição dos biomas e a falta de chuvas.

 Enquanto o governo do PSDB, em meio a sua evidente incompetência frente à crise, promulga multas para quem aumentar os gastos de água.[10] Eleitores paulistanos, dão provas cada vez maiores de alienação e permissividade, reelegendo o governador Geraldo Alckmin[11] – e provavelmente reelegerão também Dilma Rousseff do PT como presidente.

 A combinação surgida no Brasil é resultado da incapacidade administrativa aumentando ainda mais os impactos terríveis das mudanças climáticas. Esta tendência política está levando o país na direção de um futuro funesto. Culturalmente acostumados a demandar do governo soluções, a maioria dos brasileiros corre o risco de não somente perder sua grade de serviços, como também suas cidades.

Caso nenhuma solução seja encontrada a curto prazo, êxodos urbanos podem ser esperados. E a médio prazo a grande São Paulo pode mesmo tomar o rumo de outras cidades perdidas do continente, se tornando no maior complexo de ruínas deste continente.

 

 

[1]Composto pelas represas de Atibainha, Cachoeira, Jaguari, Jacareí e Juqueri e responsável pelo abastecimento de boa parte da cidade de São Paulo e outros oito municípios da região.

[2]http://g1.globo.com/sao-paulo/sorocaba-jundiai/noticia/2014/10/manifestantes-cercam-caminhao-pipa-em-itu-e-colocam-fogo-em-volta-veja.html

[3]http://www.redebrasilatual.com.br/ambiente/unica-alternativa-para-a-crise-hidrica-e-rezar-5988.html

[4]http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,vereadores-e-diretor-da-sabesp-rezam-por-agua-em-franca,1577376

[5]http://www.ovale.com.br/crise-da-agua-vira-palanque-1.512747

[6]http://horia.com.br/noticia/por-que-a-falta-de-agua-em-sao-paulo-e-alarmante-—-e-a-culpa-nao-e-so-do-calor-recorde-e-da-seca

[7]http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/05/1451098-construtoras-bancam-75-das-doacoes-ao-pt-em-2013.shtml

[8]http://eleicoes.uol.com.br/2014/noticias/2014/08/10/campea-em-doacoes-friboi-virou-gigante-da-carne-com-r-10-bi-do-bndes.htm

[9]http://noticias.terra.com.br/brasil/cidades/causada-por-desmatamento-seca-em-sp-foi-prevista-ha-decadas,f793f21784f19410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html

[10]http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2014/04/geraldo-alckmin-anuncia-multa-quem-desperdicar-agua-em-sp.html

[11]http://eleicoes.uol.com.br/2014/noticias/2014/10/05/alckmin-e-reeleito-e-garante-6-mandato-consecutivo-do-psdb-em-sp.htm

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[São Paulo] Ativistas invadem sítio e resgatam 100 chinchilas criadas para fazer pele

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Na noite de domingo (19 de outubro), cerca de 100 chinchilas foram libertadas de um criadouro num sítio em Itapecerica da Serra (SP) por um grupo de ativistas da Frente de Libertação Animal (ALF, sua sigla em inglês). Recentemente foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo um Projeto de Lei (PL) que “proíbe a criação e manutenção de animais com o intuito de usar sua pele”, e que precisa ser aprovado ou vetado pelo governador do Estado, Geraldo Alckmin. A seguir, comunicado da ALF sobre a ação direta.

C o m u n i c a d o:

Não acreditamos em petições, em PL, em lei, não acreditamos em nada que seja relacionado ao estado opressor, pois no mundo onde vivemos, não existe justiça, e não a alcançaremos se não lutarmos com as nossas próprias mãos por ela! Sendo assim a ação direta é a nossa escolha, pois com ela acreditamos ao menos passar perto do termo LIBERTAÇÃO ANIMAL, uma vez que, enquanto respondemos essas perguntas, centenas de milhares de vidas estão sendo arrancadas pelas mãos do homem opressor, não podemos ficar simplesmente “aguardando” ou nos manifestando “pacificamente”, acreditando em promessas vazias e em engravatados do poder, que lucram com a morte de todos esses animais. Nós somos a avalanche, que vem derrubando os muros dessa sociedade doentia capitalista.

Continuaremos salvando vidas, sendo livres, e livrando! Se querem mesmo nos ajudar, pedimos que se organizem melhor, de forma descentralizada, autônoma e libertária, livres de qualquer tipo de preconceito, políticos e instituições do governo, livres de exposições desnecessárias nas redes sociais, pois sofremos uma enorme perseguição, afinal, somos quem fere os interesses econômicos do país, ou seja, somos o inimigo n° 1 do estado, portanto, devemos nos cuidar e cuidar de todos que lutam por essa causa!

Não aceitaríamos de maneira nenhuma dar uma entrevista ou sequer registraríamos uma ação desse tipo se não houvesse um único propósito, o de abrir os olhos da sociedade, pois a cada dia que passa, conhecemos mais e mais pessoas que simpatizam com a libertação animal, porém, ainda precisam de muita instrução para executarem ações bem sucedidas!

Gostaríamos de deixar claro que não estamos sozinhos. Em todo lugar do mundo existem células A.L.F., informe-se, converse apenas com pessoas de sua total confiança, forme a sua célula, não combine nenhuma ação ou algo do tipo via redes sociais, telefones celulares… existem outros meios de comunicação, a mais segura de todas continua sendo a conversa pessoalmente! Lembrando, apenas com pessoas de sua total confiança!

Lembrando que: Nós não iremos alcançar a libertação animal de forma pacífica/passiva! As leis não favorecem nem a nós (animais humanos), Imaginem só esperar por leis que irão realmente favorecer a eles (animais não humanos)? Nós não iremos parar por aqui até que não exista mais exploração animal e da Terra. Portanto, não importa onde estivermos, estaremos resistindo e lutando por toda e qualquer forma de vida que ainda resta nesse planeta. Sendo assim… só nos resta a LUTA. Com amor…

Frente de Libertação Animal

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[RJ] 2nda edição do Tatoo Circus nos dias 28, 29 e 30 de novembro.

Retirado de CNA-RIO

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II Tattoo Circus Rio 2014

Contra todos os regimes que aprisionam nossos corpos!

Convidamos todxs para o II Tattoo Circus do Rio, um festival de tatuagem com artistas do Brasil todo em que parte da grana arrecadada vai para ajudar na luta anticarcerária.

O Tattoo Circus Rio convida para a segunda edição do festival de tatuagem em apoio axs presxs políticxs. O Tattoo Circus é um festival que nasceu em Roma, tendo se espalhado rapidamente, e que se foca na arrecadação de fundos para o apoio axs presxs políticxs, mediante a realização de tatuagens, piercings, escarificações ou qualquer forma de modificação corporal.

A ideia é juntar tatuadorxs próximos ao anarquismo e a contra-cultura, que estão à margem dos estúdios profissionais, espaços que enxergam a arte da modificação corporal como um nicho de mercado a ser explorado. Ao invés dos estúdios serem espaços de contestação e de experimentação, o que ocorre é que acabam reproduzindo diversos preconceitos presentes na sociedade, sendo assim espaços excludentes e não seguros para pessoas que fogem aos padrões impostos.

Pensamos o festival como um espaço tanto para a exposição dos trabalhos dxs tatuadorxs, como também um espaço de troca e aprendizagem. Queremos construir um espaço seguro para todxs, num ambiente libertário e de cooperação. Isso só é possível desconstruindo os preconceitos que a sociedade impõe, chega de exploração, chega de machismo, chega de racismo, chega de homofobia, chega de transfobia. O evento tem como proposta o fortalecimento da resistência a toda forma de controle e dominação.

Propomos um festival em que metade de todo o dinheiro arrecadado seja revertido axs companheirxs encarceradxs. Não cobramos nada para a organização do evento por entendermos x tatuadorx como umx trabalhadorx que vive de sua arte, precisa arcar seus custos de viagem e equipamentos. O Tattoo Circus Rio é aberto a todas as pessoas que desejem tatuar, desde que respeitem os procedimentos de higiene cabíveis na hora de realizar tatuagens e piercings. O evento será realizado nos dias 28, 29 e 30 de Novembro de 2014, ficaremos muito felizes com sua participação.

Mais info: http://tattoocircusrio.noblogs.org/

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[México] Comunicado sobre o fim da greve de fome de Carlos, Mario, Fernando e Abrahan

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Recebido no email:

A todas as pessoas solidárias Aos meios de comunicação livres:

De forma coletiva e coordenada decidimos encerrar na sexta-feira (17 de outubro) a greve de fome. Acreditamos que o caráter reivindicativo de negação e profundo desprezo as prisões e o sistema podre que o rege desde suas raízes, está cumprido, e seguiremos negando desde a cotidianidade de nossas vidas, seja dentro ou fora da prisão. Essa ação foi uma forma de romper com o isolamento e a dispersão, para sustentar e criar um lugar de luta e de demonstrar que, mesmo estando atrás das grades, eles não são capazes de intimidar nossos espíritos rebeldes. Como anarquistas, parte da ruptura que escolhemos realizar consiste em negar o Estado e qualquer forma de controle de autoridade e regulação que pretende exercer controle sobre nossos corpos e vidas. Somos nós, de maneira individual e consciente, que devemos decidir sobre nós mesmos, ninguém mais. Por isso, temos retomado o controle de nossos corpos, a greve de fome foi um exemplo claro disso. Podemos resumir o nosso ato como uma pequena contribuição para a guerra irredutível contra a dominação do poder estabelecido, pela dignidade de homens e mulheres que podem olhar diretamente ao inimigo sem baixar a cabeça. Um ato de rebeldia e desobediência, e não um ato de vitimização; um ato que une os nossos corações e que nos faz sentir parte ativa de uma luta consequente que não vai parar.

Não descartamos a possibilidade de voltar a empregar esta ou qualquer outra ferramenta que consideramos útil para levar a cabo nossas lutas. Agradecemos profundamente o apoio e a solidariedade de todas as pessoas que estiveram atentas durante o nosso protesto, lembrando que nem as prisões deterão nossa rebelião. Porque não basta falar sobre anarquia, devemos ser uma expressão de dita anarquia.

Até que todas e todos sejamos livres!

Mario González García

Carlos López Marín “Chivo”

Fernando Bárcenas

Abraham Cortés

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[Espanha] Nova agressão a Noelia Cotelo no cárcere

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Nota de Cumplicidade:

Reproduzimos aqui a carta da mãe de Noelia. Noelia Cotelio esta presa nas masmorras do estado espanhol. Para mais informações sobre o caso de Noelia ver aqui.

Recebemos no email:

Saudações companheiros/as

Hoje falei com minha filha, no dia 7 de outubro passado, recebeu outra nova surra, devido a que Noelia estava escutando da sua cela como outra companheira presa, com 19 anos e sua primeira entrada na prisão, gritava pois a estava sendo surrada pelxs nazis carcereirxs. Por isso Noelia passou a dar golpes em sua cela, para desta maneira desviar a atenção dos TORTURADORES para ela… e conseguiu… o resultado foi que Noelia sofreu a brutalidade desses mal nascidos… sofrendo lesões. O nariz quebrado, o tornozelo com uma fissura, que a fazem contorcer-se de dor, pois não a levaram ao médico, nem recebe medicação, ainda que o tornozelo tenha sido enfaixado e nas radiografias que ela mesma pode ver como o osso apenas se mantem unido, por isso teme que se parta totalmente. Voltaram a tirar-lhe as cartas, está desnuda e descalça. Noelia pede que se façam mobilizações no cárcere de Albolote, pedindo também a máxima difusão das denúncias pertinentes destes fatos. Noelia tinha escritas, várias cartas a amigos e pessoas afinadas a sua causa que também lhe tiraram, por isso pede a todas as pessoas que lhe escrevem que voltem a ter paciência que ela sempre responde e o fará quando lhe devolverem os materiais necessários para poder escrever.

ATÉ QUANDO E QUANTO VAMOS TER QUE AGUENTAR???… POIS À MINHA FILHA SE VAI

A VIDA E AS FORÇAS ENCONTRANDO-SE DE MORAL E ÂNIMO MUITO BAIXOS NESTES MOMENTOS.

 ABAIXO OS MUROS DAS PRISÕES… PRISÃO DEMOLIÇÃO!!

 A QUEREMOS SÃ, VIVA E LIVRE.

PEDIMOS A MÁXIMA DIFUSÃO.

GRACIAS POR VOSSA SOLIDARIEDADE E APOIO.

 Lola

Para escrever a Noelia:

Noelia Cotelo Riveiro
CP Brieva. Ávila
Ctra de Vicolozano
05194

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[México] Informe do estado de saúde de Carlos, Mario, Fernando e Abrahan, anarquistas em greve de fome + comício em apoio aos presos em greve de fome

Mandado no email

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Informe do estado de saúde de Carlos, Mario, Fernando e Abrahan,anarquistas em greve de fome

Carlos López já perdeu cerca de 7 quilos e continua na área de entrada, para onde foi conduzido desde o início da greve. Nos primeiros dias estava com outro prisioneiro, mas a partir do dia 5 se encontra só na cela. Apresenta refluxo, azia, fraqueza e um pouco de tonturas. Ele é transferido até 4 vezes por dia da cela para o serviço médico da prisão, principalmente na madrugada, onde somente pegam os seus dados e medem a sua pressão arterial, porque a escala não funciona e não tem o equipamento necessário para medir a glicose. Na segunda-feira, uma enfermeira tentou entrar com uma equipe de médicos solidários, mas foi negada a entrada, com o argumento que não estava autorizada a entrada. Nos próximos 10 dias vai ser ditada a sentença para ele, junto com Amelie e Fallon, dentro do processo local por ataques a paz pública.

Mario Gonzáles tem alguns problemas, principalmente no pâncreas, e mudanças observadas nos dias que antecederam a greve de fome nos rins e fígado; o médico da equipe solidária que o visitou na terça-feira considera seu estado estável​​, e segue com os mesmos sintomas que manifestou nos dias anteriores, só que a dor abdominal aumentou. O diretor da Torre Médica põe obstáculos para mostrar o expediente de Mario, embora o médico solidário hoje teve acesso a ele, e exigiu que façam mais estudos de laboratório. Ele já perdeu cerca de 7 quilos e aguarda a resolução de uma liminar contra a sentença.

 Fernando Bárcenas já perdeu 3 quilos e 200 gramas. *Abrahan Cortés* já baixou 3 quilos e 900 gramas. Ambos permanecem na área de entrada da cela, onde estão desde sua prisão. Eles são levados para a revisão médica várias vezes na madrugada, por isso não descansam durante a noite. As ligações telefônicas para eles foram restringidas.

Cruz Negra Anarquista – México

Informação do comício em apoio aos presos em greve de fome  

A concentração em frente a Sub-secretaria do sistema penitenciárioaconteceu entre 12 e 13 horas [no dia 16 de outubro] com um comício em queforam dadas informações sobre os 4 presos anarquistas que mantem uma grevede fome desde o dia 1º de outubro, também foi feito um bloqueio na avenidaTlalpan no sentido do centro, aí denunciamos as represálias por parte dasautoridades dos presídios contra nossos companheiros em greve de fome.   Exigimos que deixem de impedir a entrada da equipe médica que os acompanhae responsabilizamos as autoridades do Sistema Penitenciário por qualquermal que sofram Carlos López, Mario Gonzáles, Fernando Bárcenas e AbrahamCortés; os funcionários que estiveram presentes disseram que se permitirá oingresso da equipe médica aos diferentes presídios, entretanto hoje mesmo,novamente negaram o acesso ao expediente de Mario da equipe médica, poroutro lado não deram nenhuma resposta ante a denúncia dos golpes que umagente deu em dias passados a nosso companheiro Fernando.   Por volta de 200 policiais tentaram amedrontar e prender as e osmanifestantes que foram a mobilização, e ante a decisão de nos retirarmosao final do comício, os granadeiros nos seguiram ameaçando com detenção enos “escoltaram” por algumas ruas, ainda que dissessem que era “porsegurança”.

 

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[Prisões italianas] Tudo o resto é aborrecido. Notas soltas sobre ação direta. De Nicola Gai

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Pensei em escrever estas notas, porque me parece que ultimamente, até mesmo entre nós anarquistas, se está a falar muito pouco da ação direta (e, infelizmente, a ser praticada pouco…), privilegiando-se as tentativas de encontro com as “massas” mais ou menos indignadas. Decidi fazê-lo na Cruz Negra, porque espero que esta possa converter-se num espaço de debate entre aquelxs que consideram a ação como o centro do seu caminho de luta. Espero, sinceramente, que a Cruz Negra se converta não na reunião das más sortes carcerárias mas sim no lugar onde se pode retirar informação e aprofundar sem meias palavras – a partir de diferentes pontos de vista e sobre questões que são consideradas úteis – para dar mais contundência à luta contra a autoridade. De fato, a ação direta é algo para agir e não para pontificar mas estou convencido de que esclarecer o que cada um de nós  realmente entende quando usa essa palavra pode ajudar a aguçar armas para isso atacar.
Para abordar a questão, sem me perder em torções inúteis de palavras, quero  esclarecer primeiro o que, para mim, não é a ação direta.

Concentrações, distribuição de folhetos, manifestações “determinadas e de comunicação”, tartes (pinturas, cuspidelas, etc) na face do infame de turno, ovos com cores e todo esse tipo de coisas não podem ser consideradas ação direta. Estou ciente de que uma lista deste estilo atrairá até mim as setas dxs que sustêm que todos os meios têm a mesma dignidade na luta, o meu discurso poderá parecer superficial, “militarista”, impregnado de uma óptica de eficácia e blá blá blá … Mas ninguém, honestamente, pode negar que neste momento ao fazer essas coisas se está a mimar a luta, renunciando-se a vivê-la realmente.

Estou convencido de que se está a afrontar de ânimo leve a luta, com um sorriso nos lábios: não se trata só de um jogo, mas nada mais sério há do que um jogo onde as apostas são representadas pela qualidade de nossas vidas e da nossa liberdade. Ninguém pode negar que a correspondência entre o pensamento e a ação deveria ser a característica fundamental de ser anarquista. Se pensarmos que a destruição deste mundo é necessária, então temos de agir em consequência, não podemos recorrer a truques baratos, simpáticos e inofensivos, para silenciar a luta, enganando as nossas consciências famintas de liberdade. Devemos ter a coragem de afirmar que a ação direta ou é destrutiva ou não é ação direta. Os muros que nos aprisionam não cairão por si, mas sim só se investidos forem pela onda de choque da nossa raiva. É inútil que a lista de turno nos recorde que a insurreição não é o resultado da soma aritmética dos ataques realizados por anarquistas, estou a falar de outra coisa. A nossa vida é demasiado curta para nos permitirmos desgastá-la com centenas de acontecimentos para despertar as massas adormecidas, para que estas se apresentem pontuais à citação no dia mágico: só quando atacamos concretamente o existente conseguimos arrancar pedaços de liberdade – mesmo que apenas por alguns momentos – libertando-nos das amarras impostas pela vida quotidiana e pela lei.

A nossa luta deve ser violenta, sem compromissos, sem possibilidade de mediações ou vacilações: a ação direta destrutiva, o único meio que deveríamos usar para nos relacionarmos com quem nos oprime. Mas as coisas, como sempre acontece na realidade, são um pouco mais complicadas, infelizmente a ação só por si não constituirá a panacéia para todos os males do nosso movimento. Ainda que esteja absolutamente convencido de que nenhum ato de revolta é inútil ou prejudicial, entendo ser fundamental questionarmos-nos sobre a projetualidade que as geram e, acima de tudo, sobre o significado que lhe dão aquelxs que as fazem. O próprio ato pode assumir significados muito diferentes, se concebido numa óptica de ataque ou de defesa. Vou tentar explicar com um exemplo prático: no ano passado, em Vale de Susa, assistimos a um aumento positivo das práticas de sabotagem na luta contra o TAV; perfeito, se entre as intenções daquelxs que fizeram tais ações estivesse presente a intenção de afirmar claramente que não está em jogo só impedir a construção de uma linha ferroviária, mas antes a necessidade de atacar e destruir todo o projecto do sistema tecno-industrial que a desenha. Outra coisa é o sentido do que se pode ler em alguns comunicados do movimento NO TAV – ou, o que é ainda mais desconcertante, no n º 5 de Lavanda, hoje desenhada por alguns/algumas companheirxs envolvidxs nesta luta. Tais ações poder-se-iam  interpretar como o último recurso de uma população que já utilizou todos os meios de pressão possíveis (e pacíficos …) sem obter a atenção dxs que xs governam. Estou convencido de que tal interpretação banaliza qualquer aspecto positivo e revolucionário de tais atos; de fato, sugere que, se o poder fosse mais “razoável” se fosse mais aberto ao diálogo, existiria a possibilidade de o “convencer” para mitigar os seus aspectos mais nefastos.

A ação direta só expressa todo o seu potencial de libertação quando é concebida numa óptica de ataque. Nós não golpeamos o inimigo pelo desgosto com o seu último delito, que se tornou insuportável, mas porque queremos ser livres, aqui e agora. Não necessitamos justificações para golpear, não podemos aceitar viver uma vida carente de sentido, como meras engrenagens desse sistema mortal, é simples. Devemos ser nós quem dita os momentos de luta, há todo um mundo para demolir e as chances de derrotar o monstro tecnológico estão a tornar-se cada vez mais pequenas, se em proporção ao seu desenvolvimento.

Quando falamos de ação direta estamos a falar da nossa vida, visto a rejeição que temos ao existente não ser uma moda, mas algo muito mais profundo em que colocamos em jogo toda a nossa existência. Por este motivo, acho realmente irritante quando nos referimos a qualquer ação, dizendo que “era o mínimo que se podia fazer.” Estou convencido de que não há nada que possa ser feito ao mínimo, pelo menos contra o que nos oprime, não podemos nos auto-impor limites de acção, esta deve ser sem restrições tal como a nossa sede de liberdade. Se nos encontramos perante um explorador assassino de uniforme, etc, e se decidimos manchar-lhe o vestuário com pintura, isso não é o mínimo que se podia fazer mas sim o que decidimos fazer. Trata-se de algo ditado por uma série de análises – que não dando mais força à ação ainda a minimizam: “as pessoas não nos entenderiam, não devemos dar um passo a mais que os restantes, é necessário começar por ações pequenas, as que são facilmente reprodutíveis”, etc.

Naturalmente, trata-se de considerações que precisam de um tratamento mais profundo e espero que haja forma de voltar a isto e discuti-lo seriamente, o que hoje queria dizer é que devemos sempre aspirar a fazer o máximo que as nossas habilidades consintam. Quando agimos, devemos fazê-lo essencialmente por nós mesmxs e da maneira mais resoluta possível, não somos distintos daquelxs a que de forma autoritária chamamos ” gente comum”, o que quer que façamos qualquer pessoa o pode reproduzir, desde que alimente o nosso próprio desejo de destruir a autoridade. Não devemos tentar convencer as massas da bondade de nossa tese, mas procurar cúmplices que queiram participar na obra de demolição. Não temos
de ter medo do nosso ódio, mas devemos lançar-nos à ação, conscientes de que o inimigo não hesita nem um segundo na sua guerra contra a liberdade.

Estas notas foram ditadas não tanto pelo desejo de desenvolver qualquer análise teórica inovadora mas mais pelo desejo de tentar compartilhar a ideia da centralidade necessária da prática destrutiva de ação direta na vida de qualquer anarquista revolucionárix. Tudo o que acabou de ser dito seria certamente óbvio se não existissem tantxs companheirxs a consumirem tantxs forças, girando como peões em ativismos a que falta qualquer projetualidade verdadeiramente revolucionária, marcada pelas feridas do assistencialismo e do oportunismo. No entanto, já existem antídotos para tudo isso: organização informal, o nihlismo, o individualismo, a recusa de líderes carismáticos, a recusa do poder extra assembleário, a comunicação através da ação. É preciso voltar a olhar para o que está a acontecer àq volta do mundo, como historicamente sempre têm feito xs anarquistas, inimigxs de todas as fronteiras, e dar-nos-emos conta de como companheirxs de todas as latitudes estão a experimentar novos modos de ação, libertando-nos dos grilhões das lutas sociais para nos lançarmos sem freio ao ataque do existente. Temos de redescobrir a alegria de atuar, parar de nos limitarmos a uma busca ilusória do consentimento popular; sem tantxs … teóricxs, o nosso objetivo deve ser simplesmente destruir o que nos destrói. Libertemo-nos da política, mesmo no seu declínio antagonista; deve ficar claro que não lutamos por um futuro brilhante, mas por um viver, aqui e agora, a anarquia deveria ser em primeiro lugar um ato individual que afectasse a nossa própria vida: devemos conspirar, alimentar cada pequeno fogo que possa incendiar toda a pradaria, atentar com todos os meios contra a ordem, civilizada e tecnológica, que o sistema tenta impor. Nesta luta, devemos utilizar todas as armas que tenhamos à nossa disposição, em primeiro lugar as que não faltam no arsenal de todx x anarquista: a vontade e a ação direta destrutiva.

Fray Nicola Ferrara [Nicola Gai]

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