[Paraguai] Porque sim lutar! do Grupo Afin Anarquista Insurrecto

Nota de Cumplicidade:

Sexta 30 de março, o Congresso em Assunção, no Paraguai esteve em chamas. Milhares de pessoas nas ruas indignadas pela tentativa do atual presidente de modificar a constituição para poder postular de novo à presidente nas próximas eleições.  Muitas pessoas se indignaram temendo uma “volta da ditadura” e o partido da oposição ao governo, o “partido liberal radical” chamou ao “povo” a estar presente nas ruas, com certeza, procurando através disso, poder conquistar o poder.  Mais de 200 pessoas foram detidas no dia, entre elas muitos menores de idade, também foi assassinado um membro do partido liberal.

O texto que recebemos é um texto de companheirxs que relatam a revolta das ruas, transpira a rebeldia dxs compas que, mesmo sabendo das manobras e manipulações que os partidos políticos costumam fazer diante de cenários de “crises” políticas como estas, decidiram sair às ruas. Saudamos a rebeldia dxs companheirxs e esperamos que esses impulsos de liberdade fomentem a destruição do poder derrubando assim as artimanhas dos partidos que incansavelmente buscam conquistá-lo…

Recebimos o texto no email e traduzimos ao português:

“Porque sim lutar!”

Porque estamos alerta? Porque estamos movilizadxs? Porque estivemos na rua? Porque convidamos à mobilização social apesar do chamado de vários setores a não sair nas ruas? Não nos fazemos ilusões puristas respeito à conjuntura política atual. Sabemos que os setores enfrentados respondem a grupos de poder no qual toda a direita e uma parte importante da esquerda partidária têm uma grande responsabilidade.

Antigos golpeados convertem-se em golpistas e uma parte do golpismo converte-se em golpeado fazendo chamados a defender à constituição e a democracia. Seria igualmente de ingênuo negar que desde 2012 tem-se estado dando um enforcamento das faculdades do executivo que está exercendo uma espécie de ditablanda capaz de mudar à ditadura segundo seus interesses e segundo a circunstância contribuindo ao enfraquecimento das organizações sociais especialmente no campo com a militarização e ao saqueo transnacional dos recursos através das privatizações.

Não conseguimos frear a aliança pública privada em cujo dia de aprovação teve uma mobilização com milhares de pessoas que foi reprimida quase sem resistência. Não conseguimos frear a modificação da lei de defesa interna que coloca o exército à disposição do executivo que pode o utilizar à sua vontade. Super poderes comparáveis a aqueles possuídos pela ditadura stronista mas agora investida de uma maleabilidade tal que até soa a ficção.
Enquanto o setor mais purista da esquerda se submerge num interminável processo de acumulação de forças apresentando-a como única alternativa em direção à revolução mediante a constituição do CDP e a criação de um tal poder popular, o Cartismo avança a passos agigantados como ponta de lança dos grupos econômicos que representa.

Outra parte da esquerda, por seu caráter reformista e com ênfase no cálculo político e não social arrastrou a grande parte dos seus ativistas a uma tibieza tal ( senão conservadora) que a torna inepta na hora de enfrentar o terrorismo de estado que tem ido também realizando essa acumulação de forças. Ao nível macro-político a acumulação de força não se tem reflexado em um ataque real às estruturas repressivas do estado senão que as vezes até as reforça. Grandes mobilizações, juntadas de firmas, encontros simbólicos, microfones abertos e até alianças “estratégicas” têm demostrado a incapacidade da esquerda de tumbar o projeto cartista sem a ajuda de uma hipotética crise económica ou política.

Esta crise política presente é um momento propicio para mudar o paradigma vitimista e passivo das organizações diante do atropelo neoliberal, estão-se lançando nas ruas de forma espontânea coletivos e grupos auto-organizados numa atitude ofensiva contra o estado terrorista- valha a redundância. A imprensa somente fala da queima do congresso, a repressão e a morte de um militante liberal, mas não fala dos milhares de pessoas que se auto-convocaram com a maior das raivas iniciando uma luta nas ruas no micro-centro que demorou mais de cinco horas em ser controlada.

Construíram-se barricadas quase em cada rua do micro-centro ao grito de “ditadura nunca mais” e não escutamos a nenhum político falar de essa grande festa popular que não conseguiu ser dirigida por “caudillito” de nenhum signo. Pois, não somente os liberais disputaram o terreno ao impulso destrutor da raiva cidadã. Todos eles falavam de repressão, repressão e mais repressão. Quem se autoconvocou e lutou nas ruas essa noite sabemos que teve repressão, mas falemos do outro, falemos da revolta, da luta na rua, contra o braço armado do capital. Entendemos o medo que têm os poderosos que se expanda esse relato, por isso procuram artimanhas para desviar a atenção com o fim de evitar o mais possível uma nova explosão de ira. Os liberais sabem que não pode ser controlada por eles, os futuros cúmplices inibidos devem saber que a linguagem da sexta 31 é a única linguagem pela qual se poderá retroceder o crescente enforcamento do terrorismo de estado e porque não, uma nova ditadura.

Quem duvida e, tomar as ruas contra a repressão apesar de estar contra ela argumentando neste momento que seria como “ajudar” à direita, ou estão presos do medo ou não estão à altura da situação.

Abaixo o terrorismo de Estado! Abaixo o Estado! Abaixo o Estado e seus políticos! Abaixo o Estado e o capital! Fora Cartes! Fora todos!.

Arriba lxs que luchan!

Grupo Afín Anarquistas Insurrectos (GAAI)

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