Achiamé está morto, porém vive! Palavras do GEAPI e do Nucleo Sol

robsonachiame

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Os anarquistas historicamente deram ênfase ao conhecimento e difusão da teoria libertária. Panfletos, jornais, peças teatrais, comícios, e…Livros. Livros! A vida de um homem foi dedicada quase que inteiramente à livros. Seu nome? Robson Achiamé.Caso você seja anarquista, caro leitor, talvez não tenha o conhecido, ou mesmo trocado nenhuma palavra com Achiamé, mas temos certeza que se olhar a sua estante destinada à teoria anarquista, certamente que encontrará um rico acervo de obras editadas por uma certa “Editora Achiamé”. O Camarada Robson, 71 anos, 47 dedicados à imprensa libertária morreu, porém vive. Observando os comentários de condolências, é possível entrever um homem bondoso, gentil, que enviava caixas de livros sem nem mesmo pedir o pagamento prévio (e por vezes, nem mesmo pagamento), um verdadeiro anarquista, que tinha prazer em divulgar as ideias libertárias.

No Piauí, cuja política é caracterizada por um forte monopólio da mídia por parte de oligarquias empresariais, a criminalização de movimentos sociais, e um tradicionalismo beirando aos czares russos, o anarquismo insiste em romper o solo árido da transformação social, e encontra resposta positiva entre trabalhadores, estudantes e populares. Foi por meio de um grande número de livros editados por Robson Achiamé que várixs companheirxs que hoje compõem o GEAPI adentraram nas lutas e na organização anarquista. Indiretamente, o GEAPI tem muito de Robson Achiamé, assim como tantos grupos de estudos, coletivos, associações, e tantas outras formas de anarquistas dividirem, partilharem e multiplicarem as lutas e os sonhos.

Acreditamos que a vida e a obra de Achiamé jamais serão “repetidas”, mas que sejam o espelho de novas experiências em edição de livros anarquistas no Brasil, assim como a dedicação, a amizade e o compromisso de Robson.

O anarquismo em língua portuguesa com certeza perde em muito com a morte do companheiro, mas não cessará. Esta talvez seja a forma de agradecer todo o esforço e dedicação de Robson Achiamé Fernandes: Militando, organizando e lutando por um mundo novo, o mundo que carregamos em nossos corações.

Que a terra lhe seja leve!

Para sempre, PRESENTE!

 Grupo de Estudos Anarquistas do Piauí – GEAPI

 Biblioteca Libertária

Livraria Itinerante Anarquista

Um editor solitário-estelar da anarquia, simplesmente anarquista!

Passarinho. Estrela. Essas eram palavras que um editor, torcedor da estrelasolitária alvinegra, gostava. Robson, apaixonado pela vida, pelas coisasboas da vida. Gostava de cachaça, de torresmo, de chouriço, de feijoada no Floresta, no meio da mata e do doce “mineiro de botas” no Aurora, seu barpreferido em Botafogo. Torcedor de radinho, de TV e de arquibancada.*Robinho*, mais um Chopp? Claro! Coloria seu alvinegro com o verde e rosada Mangueira e com o vermelho e negro da anarquia. Piadista, bonachão,glutão. Recebia a todos em sua casa com um almoço delicioso! Também umsaltimbanco iconoclasta. Homem de excessos e gigantesco em generosidades,sem o peso de pagar preços, apenas se entregava ao prazer de uma cachaça,de uma conversa, de uma companhia nos encontros sobre a anarquia,literatura, futebol, amor, paixão e amizades, sobre o planeta e suas coisasesquisitas. Homem imenso, não coube em si. Um insurgente!   Achiamé. Uma estrela solitária a editar palavras da anarquia. Interessadoem jazz e no amor livre, preocupado Achiamé. Uma estrela solitária a editarpalavras da anarquia. Interessado em jazz e no amor livre, preocupado ematiçar e alertar os desavisados, a sacudir o conforto dos covardes, dosomissos e dos doutrinários. Literatura e anarquia, parceria inseparável.Impaciente com o mercado, não tinha CNPJ e nem emitia nota fiscal. Editoumuitos clássicos, mas foi um dos únicos a editar anarquia hoje, emportuguês, de autores que o mercado editorial simplesmente desconhecia.Inventou uma revista, a letralivre, que conversava com as edições dos jornais históricos da anarquia no Brasil, ao mesmo tempo que se aproximavados fanzines anarco-punks. Foi responsável pela reativação do boletim do CCS-SP, encalacrado há mais de uma década, que sem ele segue sem serimpresso. Diagramou e imprimiu por conta própria. Distribuía suas edições ede companheiros pelo correio. Não existe história e memória da anarquia no Brasil sem ele. Brincava com as palavras impressas e as páginas de dizerese imagens como uma criança grande. Editor incontornável, homem extraordinário. A anarquia sabe o tamanho que ele tem. Um instaurador!   Robson Achiamé, amigo querido, sua grandeza estelar ficou impressa naspáginas que combateram e combatem a favor da liberdade e contra a pequenezde picuinhas. Nas suas edições não havia seletividades: publicava todas ascaras e ações dos anarquismos. A estrela solitária brilha, verde, rosa,branca, negra e vermelha. Daqui, saudamos e brindamos a sua existência!Tristes, pela certeza da impossibilidade do reencontro; alegres e fortes,pelo que imprimiu em cada um dos anarquistas. Amou as palavras para jamaisusá-las com soberba.

Um editor da anarquia! Simplesmente anarquista!

Núcleo de Sociabilidade Libertária – Nu-Sol

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