{"id":783,"date":"2013-12-14T03:08:07","date_gmt":"2013-12-14T02:08:07","guid":{"rendered":"http:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=783"},"modified":"2013-12-14T03:08:07","modified_gmt":"2013-12-14T02:08:07","slug":"escrito-de-gabriel-pombo-da-silva-de-janeiro-a-outubro-a-luta-segue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=783","title":{"rendered":"Escrito de Gabriel Pombo da Silva: De Janeiro a Outubro- A luta segue."},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-784\" alt=\"index\" src=\"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2013\/12\/index.jpeg\" width=\"213\" height=\"237\" srcset=\"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2013\/12\/index.jpeg 213w, https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2013\/12\/index-134x150.jpeg 134w\" sizes=\"auto, (max-width: 213px) 100vw, 213px\" \/><\/p>\n<p><em>Nota de Cumplicidade:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><i>\u201cA mem\u00f3ria viva n\u00e3o nasceu para servir de tinta. Tem mais a voca\u00e7\u00e3o de ser uma catapulta. N\u00e3o quer ser um porto de chegada, mas um porto de partida. N\u00e3o nega a nostalgia mas prefere a esperan\u00e7a, os seus perigos, suas intemp\u00e9ries&#8230;\u201d Jann-Marc Rouillan<\/i><\/p>\n<p><i>O companheiro anarquista Gabriel Pombo da Silva est\u00e1 h\u00e1 quase 30 anos em pris\u00e3o, uns 20 nas pris\u00f5es m\u00f3rbidas do Estado espanhol. Tem se enfrentado ( e segue fazendo-o) a muitos castigos e regimes de isolamento que disp\u00f5e aquele Estado para tentar sujeitar a\u00a0 quem n\u00e3o cede as suas exig\u00eancias. Gabriel forma parte daquelxs para quem o encarceramento n\u00e3o significa o fim da revolta! Motins e tentativas de fuga, nos anos 80 e 90, o sistema carcerario espanhol foi sacudido por numerosos atos individuais e coletivos de ofensiva. Por ter participado, Gabriel foi preso, como v\u00e1rixs outrxs, no regime FIES, destinado a erradicar toda tentativa de rebeldia. Em outubro de 2003, Gabriel decidiu n\u00e3o voltar a jaula depois de uma permiss\u00e3o. No dia 28 de junho de 2004, ap\u00f3s um controle da pol\u00edcia que acabou mal e em um tiroteio para n\u00e3o cair nas m\u00e3os dos policiais, foi preso em companhia da sua irm\u00e3 Bego\u00f1a e dos companheiros Bart de Geeter e Jos\u00e9 Fernandes Delgado (esse \u00faltimo tamb\u00e9m em fuga das pris\u00f5es espanholas).\u00a0 No dia 25 de setembro daquele ano Jos\u00e9-tamb\u00e9m \u00e9 acusado de assalto- \u00e9 condenado a 14 anos de pris\u00e3o, Gabriel a 13, Bart a 3 anos e meio e Bego\u00f1a a 10 meses de pris\u00e3o com remiss\u00e3o condicional da pena. Bart sai em 2007, Jos\u00e9 \u2013depois de v\u00e1rios traslados- se encontra atualmente na pris\u00e3o de Rheinbach (Alemanha), Gabriel cumpre a sua pena em Aachen, onde se nega a obriga\u00e7\u00e3o de trabalhar, pelo que permanece 23 horas sobre 24 em uma c\u00e9lula. Uma forma de escapar \u00e9 mantendo uma correspond\u00eancia com companheirxs de todos os horizontes.<br \/>\nAgora se encontra na Gal\u00edcia, na pris\u00e3o de A Lama, no regime FIES, como nos relata nesta carta. <\/i><\/p>\n<p><i>Suas palavras atravessaram todos os muros das pris\u00f5es e fronteiras, desde o territ\u00f3rio dominado pelo Estado brasileiro, queremos abra\u00e7ar a sua firmeza frente a tantos anos de encarceramento&#8230; Por muito que nos separam os quil\u00f4metros,\u00a0 nas \u00e2nsias de romper, com a nossa solidariedade ,os quil\u00f4metros e as fronteiras que nos separam, difundimos por esses lares fragmentos de uma vida toda em combate&#8230; e fazemos nossa a historia daquele guerreiro! <\/i><\/p>\n<p><i>Morte ao Estado e que viva a Anarquia!<\/i><\/p>\n<p><i><br \/>\n<\/i><b>Escrito de Gabriel Pombo da Silva: De Janeiro a Outubro- A luta segue.<\/b><\/p>\n<p><em><b>Axs meus amigxs, irm\u00e3xs e\/ou companheirxs<\/b><\/em><\/p>\n<p>Ainda lembro como se fosse ont\u00e9m mesmo o dia no qual, por fim, abandonei (expulso) esse frio m\u00f3rbido ass\u00e9ptico e herm\u00e9tico que foi a pris\u00e3o de seguran\u00e7a m\u00e1xima de Aquisgran (Aachen) na Alemanha&#8230; No dia 16 de janeiro (2013) cheguei no aeroporto de Barajas (Madrid) escoltado pela Interpol; e da\u00ed me dirigiram aos Tribunais da Pra\u00e7a Castilla; n\u00e3o sem antes ter sido fotografado (com especial interesse no peito, pois esperavam, a toa, encontrar tatuado o acr\u00f4nimo da FAI\/FRI), \u201ctocado o piano\u201d (tirar as impress\u00f5es digitais) para se assegurar que, efetivamente, era eu&#8230; Devo dizer que deveria ter abandonado a Alemanha em dezembro e\/ou novembro; mas isso foi repentinamente \u201cbloqueado\u201d posto que a Republica da It\u00e1lia tinha interposto uma \u201cOEDE\u201d ante a Bundesanwaltschaft de Karlsruhe com a inten\u00e7\u00e3o de me extraditar pelo relativo \u00e0 \u201cOpera\u00e7\u00e3o Osadia\u201d&#8230; Por \u201csorte\u201d (ou pelo fato de ser juridicamente \u201ccidad\u00e3o espanhol\u201d, reclamado por uma OEDE apresentada com anterioridade por esse pais) os \u201cDigos\u201d(1) italianos tiveram que \u201cficar com vontade\u201d (moment\u00e2neamente), quando o tribunal alem\u00e3o (ap\u00f3s v\u00e1rias \u201cgest\u00f5es\u201d jur\u00eddico-policiais) decidiu que as \u201cacusa\u00e7\u00f5es indici\u00e1rias\u201d vertidas contra a minha pessoa pelo ROS eram (e s\u00e3o) insuficientes para conceder \u00e0 Republica italiana minha extradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, tive a sorte de me salvar de conhecer o \u201cBel Paese\u201d atrav\u00e9s das suas pris\u00f5es e sistema jur\u00eddico&#8230; \u201cIng\u00eanuamente\u201d acreditava que, finalmente, tinha me \u201ctirado de cima\u201d aos Digos com as suas delirantes acusa\u00e7\u00f5es e podia acabar de \u201cterminar\u201d resto do meu sequestro legal nesse pa\u00eds.<\/p>\n<p>Me resulta impossiv\u00e9l resumir em umas folhas de papel todas as impress\u00f5es-id\u00e9ias-emo\u00e7\u00f5es que senti quando deixei atr\u00e1s a pris\u00e3o de Aachen e a Alemanha no seu conjunto&#8230; ap\u00f3s oito anos e meio \u201csepultado vivo\u201d nesse pa\u00eds (23 horas por dia trancado em uma cela e uma hora de p\u00e1tio di\u00e1ria) por me negar em desempenhar \u201ctrabalhos for\u00e7ados\u201d e me vestir do uniforme de presid\u00e1rio (al\u00e9m de terem me roubado e sabotado sistem\u00e1ticamente minha correspond\u00eancia: com o qual me foi tirando a vontade de escrever de maneira gradual nos \u00faltimos anos&#8230;) acreditava que \u201co pior\u201d ficava definitivamente para tr\u00e1s&#8230; Finalmente ingressei na pris\u00e3o de \u201cSoto del Real\u201d a meia noite. Qual n\u00e3o seria a minha surpresa quando constato QUANTO tinham mudado \u201cas coisas\u201d\u00a0 nesses quase 10 anos de \u201caus\u00eancia\u201d (ex\u00edlio?) for\u00e7oso das masmorras hisp\u00e2nicas!<\/p>\n<p>Fiquei estupefato ao constatar\/ver que os pr\u00f3prios presos (verdadeiros auxiliares de carcereiros) encarregavam-se de registrar os meus pertences junto com os carcereiros. Esta primeira impress\u00e3o foi um duro golpe moral para mim. Surpreendentemente (j\u00e0 que eu contava com ser classificado em primeiro grau e inclu\u00eddo no FIES, nada mais ao chegar\u2026) no dia seguinte me recebem o diretor e subdiretor de dita pris\u00e3o para me comentar\/dizer que lhes tinham chamado desde a mesm\u00edssima \u201cD.G.I.P\u201d (literalmente me disseram que quando os \u201cchefes\u201d viram o meu nome se acenderam as \u201cluzes vermelhas\u201d) para que me perguntassem \u201ccom que inten\u00e7\u00f5es voltava\u201d. Com ironia respondi que as inten\u00e7\u00f5es minhas sempre tinham sido (e serem) as mesmas: conquistar a minha liberdade&#8230; Me notificam que cumpria \u201cminha\u201d pena (isso logo se\u00a0 notifica a mim, em um documento que se denomina \u201cliquidifica\u00e7\u00e3o de penas\u201d) no dia 10\/4 de 2015&#8230; e al\u00e9m disso que permaneceria no segundo grau e que me trasladariam a minha terra na maior brevidade poss\u00edvel&#8230;<\/p>\n<p>Que vou\u00a0 contar para voc\u00eas? No final \u201cpareceria\u201d que depois de mais de 28 anos de pris\u00e3o \u201cs\u00f3\u201d deveria esperar \u201capenas\u201d um par de anos para poder desfrutar da minha ansiada liberdade.<\/p>\n<p>Afastado ,isolado,\u00a0 segregado durante os \u00faltimos anos de sequestro na Alemanha, TUDO o que ia olhando-escutando-sentindo era simplesmente alucinante\u2026 Foi uma \u201coverdose\u201d auditiva, visual, sensorial, emocional, indescrit\u00edvel\u2026 Em certo sentido (e em compara\u00e7\u00e3o ao sofrido na Alemanha) j\u00e1 me sentia \u201cmeio livre\u201d e estava aprendendo de novo a me \u201cesclarecerr\u201d com isso de me ver sobrepassado pelo meu \u201cnovo\u201d entorno; com \u201ctanta gente\u201d, com tantas horas de p\u00e1tio, com tantas cores e as \u201clindas vistas\u201d at\u00e9 a Serra de Navalcernada&#8230; O \u201c\u00fanico\u201d negativo foi constatar que os carcereiros se tinham feito com os p\u00e1tios e a maioria dos presos tinham se tornado gestores da sua pr\u00f3pria pris\u00e3o, al\u00e9m de \u201cauxiliares de carcereiros\u201d&#8230; Obviamente, fui dirigido em um m\u00f3dulo de \u201cconflitivos\u201d e a\u00ed (M\u00f3dulo 5) pretenderam os carcereiros que dividiria a cela com outro preso&#8230; Dado que me neguei por completo em \u201cdividir cela\u201d com preso nenhum, fui dirigido ao Departamento de isolamento no dia 17 de janeiro pela noite&#8230; e al\u00e9m disso me castigaram com duas faltas \u201cmuito graves\u201d por (segundo eles) \u201camea\u00e7ar com golpear ao preso com o qual pretendiam que convivesse\u201d e \u201cme negar e\u00a0 resistir\u201d a obedecer \u00e0s ordens dos carcereiros.<\/p>\n<p>Depois de um dia em isolamento, no dia 18 de janeiro me voltam ao m\u00f3dulo 5 e essa vez me d\u00e3o uma cela para mim sozinho\u2026 Por\u00e9m, no dia 30 de janeiro me notificam que fico inclu\u00eddo no FIES-5 (caracter\u00edsticas especiais). Isso o tomei com certo senso do humor, pelo menos (me disse a mim mesmo) n\u00e3o terei que\u00a0 buscar mais \u201ccastigos disciplinares\u201d pelo tema de \u201cdividir cela\u201d com algu\u00e9m&#8230; Bom&#8230; agora s\u00f3 esperava que chegasse o meu traslado \u00e0 Gal\u00edcia tal e como me tinham dito no momento do meu reingresso&#8230; No dia 16 de fevereiro me dizem que recolha as minhas \u201ccoisas\u201d que me ia de condu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o quiseram me dizer em que pris\u00e3o mas pensava que seria a qualquer das existentes na Gal\u00edcia. Qual n\u00e3o seria a minha surpresa quando me dou conta que me levam para Alicante? Em Alicante me notificam tamb\u00e9m a limita\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o das comunica\u00e7\u00f5es (telef\u00f4nicas, escritas etc.)&#8230; j\u00e1 n\u00e3o entendia nada.<\/p>\n<p>Os primeiros meses tanto no Soto do Real (Madrid) como em Villena (Alicante) p\u00f5em-me todo tipo de travas e impedimentos para comunicar e\/ou falar por telefone, tanto com a minha companheira como com a minha fam\u00edlia. Por\u00e9m a presen\u00e7a de v\u00e1rios presos da ETA fazem que minha estadia seja algo mais divertida&#8230; Supreendentemente no dia 20 de mar\u00e7o, a D.G.I.P decide me tirar da inclus\u00e3o no FIES-5 (C-E) e me levantar a sua vez, a interven\u00e7\u00e3o e limita\u00e7\u00e3o das comunica\u00e7\u00f5es&#8230; Inclusive me \u201cautorizam\u201d poder ligar para a minha irm\u00e3 por telefone, \u00e0 minha companheira e ao advogado&#8230; Por\u00e9m no dia 3 ou 4 de abril me dizem que volte a recolher as minhas coisas que vou de condu\u00e7\u00e3o. Inocentemente acho que finalmente me levam para Galicia&#8230; mas, qual n\u00e3o seria a minha surpresa quando me dizem que vou a Valdemoro? E que vou fazer eu em Valdemoro? A resposta n\u00e3o se faz esperar e no dia 9 de abril me levam ante a Audi\u00eancia Nacional: os \u201cDigos\u201d voltavam ao \u201ccontra- ataque\u201d. Me nego em prestar declara\u00e7\u00e3o nenhuma e recha\u00e7o o advogado (de of\u00edcio) que me d\u00e3o. No dia 16 de abril volto a ser citado, essa vez com o meu advogado. N\u00e3o tenho NADA que declarar sobre as acusa\u00e7\u00f5es das que sou objeto por parte do R.O.S, e&#8230; Por\u00e9m me decretam a \u201cliberdade provisional\u201d entretanto e enquanto ainda me encontro cumprindo pena nesse pais e para \u201cme extraditar tempor\u00e1riamente\u201d na It\u00e1lia se deve pedir uma \u201crogat\u00f3ria internacional\u201d a Alemanha (dado que eles me entregaram a Espanha e n\u00e3o aceitaram os ind\u00edcios supostamente incriminadores do R.O.S contra a minha pessoa) e devo cumprir \u201cminha\u201d pena na Espanha&#8230; O m\u00eas de abril, o passo praticamente em Valdemoro e \u00e9 aqui onde tenho as minhas primeiras comunica\u00e7\u00f5es, tanto com a minha irm\u00e3 como com a minha companheira. No dia 30 de abril me encontro de novo em Alicante. Finalmente no dia 31 de maio tenho o meu primeiro \u201cvis-\u00e0-vis\u201d com a minha companheira e se v\u00e3o regularizando periodicamente e com \u201cnormalidade\u201d tanto as chamadas como as visitas com outrxs companheirxs.<\/p>\n<p>No dia 15 de julho finalmente abandono a pris\u00e3o de Villena com destino a \u201cA-LAMA\u201d\u2026 chego na Gal\u00edcia no dia 25 de julho. No dia 27 me notificam a \u201cinterven\u00e7\u00e3o e limita\u00e7\u00e3o\u201d das comunica\u00e7\u00f5es (simplesmente \u201cporque sim\u201d) com data do dia 23 de julho! Quer dizer que ainda n\u00e3o tinha chegado a essa pris\u00e3o quando o subdiretor decide (a t\u00edtulo pessoal e contra da resolu\u00e7\u00e3o da D.G.I.P\u00a0 e o J.V.P de Villena) voltar mais um passo atr\u00e1s e n\u00e3o cumprir as pr\u00f3prias \u201cnormas\u201d, \u201cnormativas\u201d e \u201cdiretrizes\u201d dos seus superiores e do poder judicial. E dado que me nego em assinar dito acordo (unilateral e arbitr\u00e1rio) n\u00e3o\u00a0 lhe ocorre nada melhor que me voltar a incluir no FIES-5 no dia 9 de outubro!<\/p>\n<p>Simplesmente tenho decidido deixar de escrever ( o que sempre tinha sido minha janela at\u00e9 o exterior) desde que cheguei nessa pris\u00e3o, porque me nego a que um \u201cqualquer\u201d que exerce de pequeno chefe local, decida a quem e quando escrever e o que ler&#8230;<\/p>\n<p>A tudo isso e em sucessivas \u201cliquidifica\u00e7\u00f5es de pena\u201d, acabo por n\u00e3o entender que merda de sistema jur\u00eddico-penal \u00e9 esse que me concedem v\u00e1rias: a) ( a primeira) no Soto do Real com data de sa\u00edda 4\/4 partes cumpridas no dia 10-4-2015; b) ( a segunda na Villena-Alicante) com data de sa\u00edda no ano 2033!! E c) ( a terceira no A-Lama) onde p\u00f5e que cumpro (3\/4 condicional) em janeiro do 2015 e a total (4\/4 partes) no ano 2020. Obviamente tudo isso ( a nova inclus\u00e3o no FIES mais a interven\u00e7\u00e3o de correspond\u00eancia mais liquidifica\u00e7\u00e3o de penas) se encontra recorrido ante o JVP de Pontevedra. Se esse JVP aplica sua lei deveria ser posto em liberdade no ano que vem.<\/p>\n<p>A todxs xs companheirxs devo de dizer que al\u00e9m do que dizem seus \u201cpap\u00e9is jur\u00eddicos\u201d e suas sujas manobras pol\u00edticas, levando como levo 29 anos preso, n\u00e3o vou entrar nas provoca\u00e7\u00f5es destxs miser\u00e1veis agora que minha LIBERDADE est\u00e1 ao alcance da minha m\u00e3o&#8230; Me consta que o mero fato de escrever isso (a minha verdade) lhes pode dar P\u00e9 aos carrascos para novos \u201ctranslados\u201d (j\u00e1 sejam de m\u00f3dulo ou de pris\u00e3o) e\/ou \u201ccastigos\u201d de tipo administrativos.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria nesses \u00faltimos anos de \u201caus\u00eancia\u201d for\u00e7ada tenha mudado a tal ponto de que tudo est\u00e1 irreconhec\u00edvel para mim.<\/p>\n<p>Existe agora (come\u00e7ou faz alguns anos\u2026) em todas as pris\u00f5es do Estado espanhol uma \u201cnovidade\u201d que se denominam \u201cm\u00f3dulos de educa\u00e7\u00e3o e respeito\u201d e\/ou \u201cm\u00f3dulos de conviv\u00eancias\u201d. Em umas pris\u00f5es esses m\u00f3dulos ja s\u00e3o majorit\u00e1rios. Mas que quer dizer isso? Quem deseja que se aplique a lei ( o que lhes corresponde por lei e n\u00e3o pelo benef\u00edcio de uns usurpadores) devem de ir a um desses \u201cm\u00f3dulos de respeito\u201d onde assinam um contrato onde lhes \u201cprogramam\u201d as atividades que devem de fazer obrigatoriamente (o qual vai contrariamente \u00e0 L.O.G.P) como limpar, estudar, fazer esporte etc. Os pr\u00f3prios presos s\u00e3o os encarregados de executar as fun\u00e7\u00f5es de carcereiros e \u201ct\u00e9cnicos\u201d chegando a controlar a seus pr\u00f3prios \u201ccompanheiros\u201d, a media\u00e7\u00e3o (eufemisticamente as drogas com que empinam aqui aos presos) \u00e9 cagueta-los por se levam drogas ilegais ou fumam (ou n\u00e3o trabalham) em zonas proibidas. Inclusive fazem \u201cassembl\u00e9ias\u201d onde uns se \u201ccaguetam\u201d dos outros. Ir por um desses m\u00f3dulos, sup\u00f5e renunciar (ou seja delegar tudo aos funcion\u00e1rios) aos \u201cdireitos\u201d contemplados na L.O.G.P que tantos mortos e sangue nos custou aos\/as \u201cvelhxs combatentes\u201d. Visto pelo visto ( e dado que nego a tragar aquela porra) prefiro conviver nos chamados \u201cm\u00f3dulos conflitivos\u201d e lutar pelos meus \u201cdireitos\u201d (aqueles pelos quais j\u00e1 lutei) e n\u00e3o \u201cdelegar essa responsabilidade\u201d a um grupo de traidores e carcereiros.<\/p>\n<p>Quero ressaltar que isso que aqui escrevo n\u00e3o pretende ser \u201c chamado \u00e0 solidariedade\u201d com a minha situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 t\u00e3o s\u00f3 uma \u201cradiografia\u201d da minha situa\u00e7\u00e3o ( e a de outrxs tantxs que n\u00e3o\u00a0 baixaram as cal\u00e7as) e uma constata\u00e7\u00e3o de que as suas \u201cleis e direitos\u201d s\u00e3o um lixo, papel molhado, algo com o qual pretendem se investir \u201celes\u201d de \u201cordem\u201d e \u201clegitimidade\u201d e assim mesmo justificar o monop\u00f3lio da viol\u00eancia (legal e armada).<\/p>\n<p>O que eu penso e acredito o fui ( e sigo fazendo em menor escala) refletindo nos meus textos e em cada ato da minha vida.<\/p>\n<p>Minha solidariedade \u00e9 agora (como sempre) com todxs xs que lutam: Jamais vencidxs, nunca arrependidxs!<\/p>\n<p>Em luta at\u00e9 que todxs sejamos livres!<\/p>\n<p>Pela Anarquia!<\/p>\n<p><i>A-Lama, Outubro de 2013<\/i><\/p>\n<p>Nota: N\u00e3o me chegam nem correio nem as publica\u00e7\u00f5es anarquistas, mas estou aproveitando para traduzir o livro do companheiro Thomas Meyer Falk.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>(1)Pol\u00edcia pol\u00edtica Italiana<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota de Cumplicidade: \u201cA mem\u00f3ria viva n\u00e3o nasceu para servir de tinta. Tem mais a voca\u00e7\u00e3o de ser uma catapulta. N\u00e3o quer ser um porto de chegada, mas um porto de partida. N\u00e3o nega a nostalgia mas prefere a esperan\u00e7a, &hellip; <a href=\"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=783\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":6952,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[36,1,34,4],"tags":[],"class_list":["post-783","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-gabriel-pombo-da-silva","category-guerra-social","category-memoria-combativa","category-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/783","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/6952"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=783"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/783\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":785,"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/783\/revisions\/785"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=783"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=783"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=783"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}