{"id":3035,"date":"2017-03-23T19:52:34","date_gmt":"2017-03-23T18:52:34","guid":{"rendered":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=3035"},"modified":"2017-03-23T19:52:34","modified_gmt":"2017-03-23T18:52:34","slug":"chile-luta-radical-mapuche-resistencia-ancestral-contra-o-estado-e-o-capital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=3035","title":{"rendered":"[Chile] Luta radical mapuche: Resist\u00eancia ancestral contra o Estado e o Capital"},"content":{"rendered":"<p><em>Recebido no email por &#8220;Contra Toda Autoridad&#8221; e traduzido por ANA:<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-3036 size-full\" src=\"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2017\/03\/chile-luta-radical-mapuche-resistencia-ancestral-1.jpg\" width=\"600\" height=\"401\" srcset=\"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2017\/03\/chile-luta-radical-mapuche-resistencia-ancestral-1.jpg 600w, https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2017\/03\/chile-luta-radical-mapuche-resistencia-ancestral-1-150x100.jpg 150w, https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2017\/03\/chile-luta-radical-mapuche-resistencia-ancestral-1-300x201.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>\u201c<i>Cada individualidade, grupo, tribo ou povo origin\u00e1rio tem suas formas de resistir a este sistema, tem suas pr\u00f3prias vis\u00f5es e formas de se organizar. Por outro lado tem o mesmo inimigo que os reprime e oprime e o fim \u00faltimo de suas lutas \u00e9 viver livres e aut\u00f4nomos\u201d\u00a0<\/i>\u2013 Companheiro Carlos Guti\u00e9rrez Quiduleo<\/p>\n<p><strong>1. Breve percurso de um caminho de resist\u00eancia.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 de conhecimento geral que a luta do povo mapuche existe h\u00e1 centenas de anos. Inclusive antes de combater os conquistadores espanh\u00f3is j\u00e1 haviam freado o avan\u00e7o do imp\u00e9rio inca impedindo sua investida ao sul do seu territ\u00f3rio hoje chamado Chile e obrigando-o a manter sua posi\u00e7\u00e3o na zona central do \u201cChile\u201d.<\/p>\n<p>Conhecidas tamb\u00e9m s\u00e3o as batalhas e enfrentamentos com os conquistadores espanh\u00f3is, onde por mais de cem anos se levou uma guerra que p\u00f4s em xeque as pretens\u00f5es dos conquistadores de dominar o territ\u00f3rio sem maiores obst\u00e1culos obrigando-os, ap\u00f3s processos marcados pelo exterm\u00ednio e cativeiro, a delimitar uma fronteira que permitisse aos mapuches manter seu territ\u00f3rio ao sul do rio Bio Bio.<\/p>\n<p>Uma vez criado o Estado chileno, voltou-se a intensificar a opress\u00e3o em territ\u00f3rio mapuche no que a hist\u00f3ria dos poderosos aparece denominando hipocritamente como a \u201cpacifica\u00e7\u00e3o da Araucan\u00eda\u201d, o que na verdade se tratou de um exterm\u00ednio \u00e9tnico e cultural massivo com o objetivo de \u201ccivilizar\u201d as terras dos \u201cselvagens\u201d.<\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas recentes, a l\u00f3gica do desalojo se intensificou ap\u00f3s a instala\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas econ\u00f4micas neoliberais impostas na ditadura, entregando terras ancestrais mapuches a empresas florestais e hidroel\u00e9tricas, derrubando bosques, inundando terras, plantando pinhos que assassinam o ecossistema nativo e instalando plantas de processamento de celulose que devastam o territ\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>2. Despojo, repress\u00e3o e resist\u00eancia contra o Estado e o Capital.<\/strong><\/p>\n<p>Com a chegada da democracia se intensificou a l\u00f3gica mercantil, mas como nos \u00faltimos s\u00e9culos, a resist\u00eancia mapuche voltou a emergir com propostas organizativas e a\u00e7\u00f5es diretas que apontam \u00e0 autonomia do povo mapuche atrav\u00e9s da recupera\u00e7\u00e3o e defesa de seu territ\u00f3rio ancestral. Este objetivo tem tratado de se materializar atrav\u00e9s das \u00faltimas d\u00e9cadas com a articula\u00e7\u00e3o entre comunidades, assim como tamb\u00e9m com a\u00e7\u00e3o direta contra objetivos de diverso tipo, como os ataques incendi\u00e1rios a infraestrutura de empresas florestais, de latifundi&amp;a acute;rios, casas de veraneio de pol\u00edticos, igrejas etc. que fazem parte dos interesses dos capitalistas e do Estado chileno presentes na zona.<\/p>\n<p>Heterog\u00eaneo \u00e9 o panorama em que podemos chamar \u201cluta mapuche\u201d. Em sua paisagem encontramos ao mesmo tempo comunidades e grupos assimilados pela via institucional chilena, discursos vitimistas, comunidades em conflito, grupos de resist\u00eancia armada, organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edtico militares, propostas anticapitalistas\/revolucion\u00e1rias, ideias de libera\u00e7\u00e3o nacional, etc.<\/p>\n<p>Em meio desta diversidade o Estado chileno busca aprofundar a resolu\u00e7\u00e3o do conflito atrav\u00e9s da via das institui\u00e7\u00f5es, mostrando ao mesmo uma imagem de respeito da diversidade pondo pessoas mapuche ao lado das autoridades em discursos pol\u00edticos, inserindo o idioma mapuche (o mapuzungun) em edif\u00edcios estatais e textos escolares, pondo pessoas de origem mapuche em cargos pol\u00edticos na \u201czona de conflito\u201d, etc.<\/p>\n<p>Paralelo a isto, uma pol\u00edtica de intensa repress\u00e3o foi desatada h\u00e1 anos contra as comunidades mapuche em p\u00e9 de luta que n\u00e3o se dobram \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es e ofertas estatais. Elas s\u00e3o atacadas desde o Estado com invas\u00f5es cont\u00ednuas, agress\u00f5es a crian\u00e7as, encarceramentos, assassinatos, torturas, fiscais especiais, persegui\u00e7\u00f5es, escutas telef\u00f4nicas, uso de testemunhos encobertos, uso de informantes em troca de benef\u00edcios, pol\u00edcias militarizadas, grupos paramilitares e toda uma gama de recursos pr\u00f3prios da guerra contra-insurgente \u00e0 servi\u00e7 ;o do Estado e do Capital.<\/p>\n<p><strong>3. Resgatando experi\u00eancias de uma luta sem tr\u00e9guas.<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de todas estas ferramentas repressivas, o Estado n\u00e3o conseguiu frear a luta mapuche em suas express\u00f5es mais radicais, com as quais nos fraternizamos conhecendo as diferen\u00e7as que nos separam com qualquer posi\u00e7\u00e3o vitimista e etnoc\u00eantrica que n\u00e3o ponha aten\u00e7\u00e3o \u00e0 exist\u00eancia de outras tend\u00eancias em guerra contra o Estado e o Capital.<\/p>\n<p>Uma vez assumidas certas dist\u00e2ncias, resgatamos o acionar permanente contra os interesses estatais e capitalistas; e, inclusive, apesar da repress\u00e3o, este acionar cont\u00ednuo se estende e se intensifica sobrepujando toda a pol\u00edtica de guerra anti-subversiva desenrolada na \u00e1rea mapuche com centenas de homens e milh\u00f5es de pesos gastos em recursos humanos e t\u00e9cnicos para a repress\u00e3o.<\/p>\n<p>Podemos obter v\u00e1rias aprendizagens para n\u00f3s mesmos olhando a cont\u00ednua luta radical mapuche, elementos que sem d\u00favida poderiam nos aportar na luta insurreta contra toda autoridade. Seu ritmo de guerra \u00e9 j\u00e1 um exemplo a seguir, intensificando e diversificando o combate, por um lado contra o despojo de s\u00e9culos ainda vigente, e por outro lado como resposta aos golpes repressivos.<\/p>\n<p>Assim, por exemplo, em abril de 2016 enquanto o Estado, seus fiscais, pol\u00edcias e agentes de intelig\u00eancia ainda n\u00e3o paravam de celebrar e alardear ap\u00f3s a deten\u00e7\u00e3o de um grupo de comuneiros acusadxs de participar no atentado incendi\u00e1rio onde morreram queimados dois latifundi\u00e1rios (2015), grupos de resist\u00eancia mapuche realizaram diversos atentados incendi\u00e1rios que descolocaram o poder demostrando-lhe que o encarceramento n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de derrota e que a luta segue e se intensifica.<\/p>\n<p>Algo importante tamb\u00e9m a considerar \u00e9 que esse cont\u00ednuo acionar apesar das pris\u00f5es e assassinatos de comuneiros mapuche, das invas\u00f5es e cont\u00ednuas persegui\u00e7\u00f5es a comunidades, inclusive da trai\u00e7\u00e3o de mapuches que terminaram colaborando com o Estado, n\u00e3o tem necessariamente que ver com uma profissionaliza\u00e7\u00e3o militar mapuche \u2013 ainda que assim o poder o queira mostrar -. Pelo contr\u00e1rio, se trata de indiv\u00edduos e coletividades que com engenho e decis\u00e3o tomam parte ativa na luta radical sem dar tr\u00e9guas ao inimigo em uma guerra que come\u00e7a no interior mesmo das comunidades em conflito que avan\u00e7am na recupera\u00e7\u00e3o territorial e resistem \u00e0s investidas policiais.<\/p>\n<p>Essa atitude na luta, esse ritmo de guerra, s\u00e3o um exemplo para n\u00f3s. Levar a guerra a todas partes desde nossa posi\u00e7\u00e3o de cont\u00ednua confronta\u00e7\u00e3o \u00e9 algo sem d\u00favida temido pela autoridade. Qu\u00e3o fortes ser\u00edamos se mais companheirxs tivessem essa atitude de romper sua pr\u00f3pria rotina e comodidade para passar a desatar a raiva contra a domina\u00e7\u00e3o, para devolver os golpes do inimigo e dar-lhe tudo na insurrei\u00e7\u00e3o permanente contra o poder.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia a temos perto, as vontades e a convic\u00e7\u00e3o dentro de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Nos bosques, campos e cidades\u2026 A propagar a guerra contra a domina\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>&gt; Texto publicado na revista Contra Toda Autoridad #4<\/p>\n<p>contratodaautoridad.wordpress. com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebido no email por &#8220;Contra Toda Autoridad&#8221; e traduzido por ANA: \u201cCada individualidade, grupo, tribo ou povo origin\u00e1rio tem suas formas de resistir a este sistema, tem suas pr\u00f3prias vis\u00f5es e formas de se organizar. 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