{"id":3026,"date":"2017-03-23T18:57:07","date_gmt":"2017-03-23T17:57:07","guid":{"rendered":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=3026"},"modified":"2017-03-23T18:57:07","modified_gmt":"2017-03-23T17:57:07","slug":"prisoes-espanholas-comunicado-de-monica-caballero-e-francisco-solar-entretanto-expulsos-para-o-chile-a-703","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=3026","title":{"rendered":"[pris\u00f5es espanholas] Comunicado de M\u00f3nica Caballero e Francisco Solar (entretanto expulsos para o Chile a 7\/03)"},"content":{"rendered":"<p><em>Retirado de ContraInfo:<\/em><\/p>\n<p><a class=\"bbc_link\" href=\"https:\/\/es-contrainfo.espiv.net\/2017\/03\/10\/estado-espanol-comunicado-de-lxs-companerxs-anarquistas-monica-caballero-y-francisco-solar\/\" target=\"_blank\"><strong>Recebido a 10 de Mar\u00e7o de 2017<\/strong><\/a><\/p>\n<p><em>Estas palavras (2\/02) chegam-nos com o atraso pr\u00f3prio das comunica\u00e7\u00f5es restritivas nos centros de exterm\u00ednio espanh\u00f3is. A 7 de Mar\u00e7o de 2017, xs companheirxs conseguiram, finalmente,\u00a0 ser expulsos para o Chile \u2013 depois de verem ser reduzida a sua pena de pris\u00e3o, em <a class=\"bbc_link\" href=\"https:\/\/es-contrainfo.espiv.net\/2017\/03\/10\/estado-espanol-comunicado-de-lxs-companerxs-anarquistas-monica-caballero-y-francisco-solar\/\" target=\"_blank\"><strong>Dezembro de 2016<\/strong><\/a>, a 4 anos e meio de pris\u00e3o \u2013 onde foram recebidos com um grande despique jornal\u00edstico e amea\u00e7as repressivas. Hoje, por fim, M\u00f3nica e Francisco voltaram a pisar as ruas com a dignidade intacta.<\/em><\/p>\n<p><strong>*Afinidade e solidariedade contra o vitimismo e a autoridade*<\/strong><\/p>\n<p>Na luta para romper com o estabelecido, buscamos e criamos formas de nos relacionarmos que sejam contr\u00e1rias \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o e autoridade. Formas de nos fazer sentir c\u00f3modos para nos desenvolvermos autonomamente quando propomos e realizamos iniciativas de confronto di\u00e1rio. Assim, entendemos que a afinidade representa a maneira mais adequada de nos relacionarmos entre anarquistas, n\u00e3o sendo essa fruto de palavras de ordem vazias, repetidos at\u00e9 \u00e0 exaust\u00e3o, mas sim o resultado de pr\u00e1ticas e vis\u00f5es compartilhadas que ajudam a gerar la\u00e7os perdur\u00e1veis de companheirismo e fraternidade que ultrapassam a simples amizade.<\/p>\n<p>A confian\u00e7a e carinho que subsiste do fato de se sentir e saber que se compartilham ideias em rebeli\u00e3o permanente s\u00e3o o sustento e a for\u00e7a da afinidade que se refor\u00e7a e desenvolve, no conjunto de pr\u00e1ticas anti-autorit\u00e1rias. Essas ideias, por sua vez, s\u00e3o insepar\u00e1veis da nossa op\u00e7\u00e3o de vida, op\u00e7\u00e3o que refor\u00e7a o pensamos e reafirma o que fazemos. \u00c9 atrav\u00e9s destas rela\u00e7\u00f5es que crescemos individualmente, ao ter a possibilidade ineg\u00e1vel de actuar sem restri\u00e7\u00f5es, o que vai impedir a g\u00e9nese de comportamentos burocr\u00e1ticos e autorit\u00e1rios, cortando pela raiz qualquer tentativa de concentra\u00e7\u00e3o de poder.<\/p>\n<p>Os cr\u00edticos a esta tomada de posi\u00e7\u00e3o notam que, desta forma, \u00e9 imposs\u00edvel incidir na \u201crealidade social\u201d e que se converte o anarquismo numa esp\u00e9cie de gueto. N\u00f3s respondemos que n\u00e3o entendemos o anarquismo como um partido pol\u00edtico que se serve de todas as estrat\u00e9gias para engrossar quantitativamente as suas fileiras, a fim de alcan\u00e7ar certa hegemonia. Pensamos que os meios devem, necessariamente, ser coerentes com os fins, pelo que resulta contradit\u00f3rio pretender a liberta\u00e7\u00e3o total com base nos meios que a coagem. O anarquismo \u00e9 para n\u00f3s, especialmente, uma tens\u00e3o onde a iniciativa individual desempenha um papel central, n\u00e3o uma realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesta experi\u00eancia de confinamento que agora chega ao fim, vivemos o nascimento, fortalecimento e consolida\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es de afinidade. Os nossxs companheirxs deram conte\u00fado \u00e0 palavra solidariedade, enchendo-nos de for\u00e7a e orgulho. Superando dificuldades, que t\u00eam sido muitas e variadas, foi poss\u00edvel tomar em conjunto posi\u00e7\u00f5es e iniciativas, a partir das quais temos aprendido muito. A vontade e a determina\u00e7\u00e3o dxs nossxs companheirxs, embora soe repetitivo, destruiu muros, grades e quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia, eliminou qualquer trama do poder destinada ao isolamento e \u00e0 incomunica\u00e7\u00e3o. Tentamos, e acreditamos que foi conseguido estabelecer um liga\u00e7\u00e3o distante e contr\u00e1ria a condutas assistencialistas, onde x presx seja vistx como \u201cuma pobre v\u00edtima do sistema, objeto de atrozes injusti\u00e7as\u201d. Partindo do princ\u00edpio de que, como anarquistas, nos encontramos num confronto permanente com o poder e que isso tem as suas consequ\u00eancias, tornou poss\u00edvel implementar uma solidariedade ativa e combativa, com uma linha discursiva clara e inequ\u00edvoca. A ideia \u2013 for\u00e7a \u201cnem culpados nem inocentes, simplesmente anarquistas\u201d refletiu e reflete o nosso posicionamento perante a pris\u00e3o e a repress\u00e3o, tanto para aquelxs que est\u00e3o dentro como para com xs solid\u00e1rixs e represaliadxs que se encontram fora. Representa uma forma de viver e estar na pris\u00e3o ligada \u00e0 intransig\u00eancia, o que abre inumer\u00e1veis caminhos de a\u00e7\u00e3o para xs<br \/>\ncompanheirxs que trilham as ruas, caminhos que tentam destruir o poder por n\u00e3o entrar nas suas categorias e serem contr\u00e1rios \u00e0 sua l\u00f3gica predadora.<\/p>\n<p><strong>*Quando os golpes recebidos representam uma oportunidade*<\/strong><\/p>\n<p>A onda de repress\u00e3o, consubstanciada nas opera\u00e7\u00f5es Pandora e Pi\u00f1ata, representou o mais duro golpe recebido po anarquismo neste territ\u00f3rio desde os anos 80. Ele claramente tentou eliminar um sector do movimento anarquista pela via r\u00e1pida que se refere ao ass\u00e9dio, persegui\u00e7\u00e3o e pris\u00e3o. Claramente a magnitude do ataque estatal teve as suas consequ\u00eancias, como n\u00e3o poderia ser de outra forma. Foram muitas as iniciativas que se viram desfeitas, espa\u00e7os que foram literalmente saqueados pela f\u00faria repressora e o temor a se verem envolvidxs nas fantasias paran\u00f3icas do poder, gerando um certo imobilismo que pouco a pouco come\u00e7a a ser superado.<\/p>\n<p>No entanto, na nossa opini\u00e3o, por grosseira e inconsistente que nestes casos tenha sido provado ser a teoria da pol\u00edcia, este golpe representa uma oportunidade para destacar as debilidades do estado \u2013 que usa as suas estrat\u00e9gias cl\u00e1ssicas de confinamento e intimida\u00e7\u00e3o para tentar reduzir e eliminar todxs aquelxs que n\u00e3o consegue domesticar. Junto com isso, acreditamos que estas opera\u00e7\u00f5es est\u00e3o intimamente relacionadas com o auge de movimentos de cidad\u00e3os e sua incorpora\u00e7\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es; aquelxs que se recusam a jogar o jogo democr\u00e1tico aguarda-os a pris\u00e3o. Portanto, ao se abordar o que significaram estes golpes e realizar a solidariedade, pensamos que \u00e9 essencial entender que os movimentos de cidad\u00e3os transformados em partidos pol\u00edticos \u2013 ao optarem pela via institucional \u2013 n\u00e3o representam em nenhum caso um aliado, antes constituem mais uma das engrenagem do poder com a qual n\u00e3o temos nada a ver.<\/p>\n<p>Mediante as opera\u00e7\u00f5es Pandora e Pi\u00f1ata, como tem sido dito repetidamente, tentaram-se atacar algumas ideias e pr\u00e1ticas que se lhe op\u00f5em radicalmente. Prova\u00a0 disso \u00e9 que nenhum dxs nossxs companheirxs imputadxs foi acusado de a\u00e7\u00f5es concretas. O que se pretende punir \u00e9 um modo de vida, uma op\u00e7\u00e3o de luta para combater o estabelecido e uma atividade anti-autorit\u00e1ria permanente, que em menor ou maior grau, influenciou v\u00e1rios espa\u00e7os e entornos. O continuar a transitar por caminhos de ruptura constitui, s\u00f3 por si, uma pequena vit\u00f3ria ao demonstrar que, ainda que o Estado nos mostre a sua pior cara, n\u00e3o nos dobra. Assim, acreditamos que a solidariedade com os represaliadxs deva ser transgressora e ofensiva, longe de discursos pessimistas e de vitimiza\u00e7\u00e3o. Usar toda a nossa criatividade, limitada apenas pelos nossos princ\u00edpios an\u00e1rquicos, \u00e9 crucial na atividade de solidariedade e para que saiamos fortalecidxs desta experi\u00eancia. Na guerra contra a domina\u00e7\u00e3o toda a a\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>Finalmente queremos enviar todo nosso carinho e for\u00e7a aos e \u00e0s nossxs companheirxs na Alemanha, acusadxs de roubo a uma sucursal banc\u00e1ria e que durante estes \u00faltimos meses t\u00eam enfrentado um duro julgamento. Pensamos nelxs a cada momento \u2013 e o orgulho e a alegria que demonstram s\u00e3o tamb\u00e9m os nossos ao ter a possibilidade de sermos vossxs companheirxs.<\/p>\n<p><strong>Hoje e sempre m\u00e3o aberta ao\/\u00e0 companheirx e punho cerrado ao inimigo<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<h5>M\u00f3nica Caballero S.<br \/>\nFrancisco Solar D.<br \/>\n<em>Pris\u00e3o Villabona \u2013 Asturias <\/em><br \/>\n<em>2 de Fevereiro de 2017.<\/em><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Retirado de ContraInfo: Recebido a 10 de Mar\u00e7o de 2017 Estas palavras (2\/02) chegam-nos com o atraso pr\u00f3prio das comunica\u00e7\u00f5es restritivas nos centros de exterm\u00ednio espanh\u00f3is. 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