{"id":2789,"date":"2016-09-30T06:25:05","date_gmt":"2016-09-30T04:25:05","guid":{"rendered":"http:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=2789"},"modified":"2016-09-30T06:25:05","modified_gmt":"2016-09-30T04:25:05","slug":"prisoes-de-korydallos-porto-alegre-sacco-e-vanzetti-uma-viagem-atraves-do-tempo-texto-de-membros-da-ccf-para-um-evento-organizado-pela-biblioteca-anarquica-kaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=2789","title":{"rendered":"[Pris\u00f5es de Korydallos-Porto Alegre] Sacco e Vanzetti: Uma viagem atrav\u00e9s do tempo \u2013 Texto de membros da CCF para um evento organizado pela Biblioteca An\u00e1rquica Kaos"},"content":{"rendered":"<p><em>Retirado de ContraInfo:<\/em><\/p>\n<p><em>Apresenta-se abaixo <a class=\"bbc_link\" href=\"https:\/\/325.nostate.net\/2016\/09\/04\/sacco-and-vanzetti-a-journey-through-time-text-by-members-of-ccf-for-bibloteca-kaos-during-the-international-week-of-solidarity-for-anarchist-prisoners-brazil\/#more-20574\" target=\"_blank\"><strong>um texto escrito em Atenas<\/strong><\/a>, na Gr\u00e9cia \u2013 por v\u00e1rios <a class=\"bbc_link\" href=\"https:\/\/pt-contrainfo.espiv.net\/2016\/07\/19\/prisoes-de-korydallos-atenas-resumo-das-sentencas-relativas-ao-recurso-interposto-no-julgamento-por-tentativa-de-evasao-da-ccf\/\" target=\"_blank\"><strong>membros presos da Conspira\u00e7\u00e3o de C\u00e9lulas de Fogo<\/strong><\/a> \u2013 para <a class=\"bbc_link\" href=\"https:\/\/pt-contrainfo.espiv.net\/2016\/08\/24\/biblioteca-kaos-porto-alegre-atividade-integrada-na-semana-de-agitacao-pelxs-anarquistas-presxs-2708\/\" target=\"_blank\"><strong>um evento da Okupa Biblioteca An\u00e1rquica Kaos<\/strong><\/a>, no Brasil.<\/em><\/p>\n<p>A todxs xs companheirxs, a todxs xs nossxs irm\u00e3os e irm\u00e3s anarquistas presentes neste evento organizado pela biblioteca An\u00e1rquica Kaos. Deixem que os nossos pensamentos irrompam e viajem para o Brasil de forma a serem enviadas estas breves palavras, com a esperan\u00e7a de que possam sentir um pouco a nossa presen\u00e7a ao vosso lado.<\/p>\n<p>Em resposta ao tema do evento a ter lugar durante a Semana Internacional de Solidariedade aos\/\u00e0s presxs anarquistas gostar\u00edamos de lan\u00e7ar a nossa contribui\u00e7\u00e3o pessoal e hist\u00f3rica em rela\u00e7\u00e3o ao caso de Nicola Sacco e Bartholemeo Vanzetti. A Conspira\u00e7\u00e3o de C\u00e9lulas de Fogo foi desde o in\u00edcio um grupo anarquista de a\u00e7\u00e3o direta que aspirava a um recrudescimento da presen\u00e7a agressiva anarquista na Gr\u00e9cia. Assim, a CCF n\u00e3o hesitou em criticar muitas vezes aquilo que se acreditava estar a ser impeditivo da generaliza\u00e7\u00e3o dessa intensifica\u00e7\u00e3o. Mas quando a opress\u00e3o finalmente chegou \u00e0 nossa porta, a\u00ed entendemos completamente que se n\u00e3o estiv\u00e9ssemos ao n\u00edvel dos nossos padr\u00f5es ter-nos-\u00edamos recusado a defender a nossa identidade, os nossos pontos de vista pol\u00edticos e a nossa pr\u00f3pria subst\u00e2ncia. Al\u00e9m do mais, poder\u00edamos ter acabado por estar em completo contraste com as nossas cr\u00edticas contra outrxs no passado. Deste modo, sete anos ap\u00f3s o dia em que a repress\u00e3o se abateu sobre n\u00f3s, continuamos na vanguarda da dignidade anarquista, pelo menos de modo que a percepcionamos. Recusamos-nos a nos desonrar de qualquer forma e defendemos o que acredit\u00e1vamos que t\u00ednhamos de defender, pagando o pre\u00e7o da nossa atitude intransigente.<\/p>\n<p>Voltando ao passado, numa \u00e9poca em que dois companheiros \u2013 os anarquistas da pr\u00e1xis forjados no fogo da revolta Nicola Sacco e Bartholomeo Vanzetti \u2013 foram presos com acusa\u00e7\u00f5es de expropria\u00e7\u00e3o armada e assassinato, enfrent\u00e1mos desafios que n\u00e3o s\u00e3o de modo algum in\u00e9ditos. Um fato que beneficia de ampla evid\u00eancia \u00e9 que tanto Sacco como Vanzetti participaram em redes militantes informais de afinidade anarquista, todas elas foram afiliadas a publica\u00e7\u00f5es como o jornal anarquista Cronaca Sovversiva, em cuja publica\u00e7\u00e3o eles pr\u00f3prios ajudaram, publica\u00e7\u00e3o essa que apoiava a necessidade de propaganda pela pr\u00e1xis. Sabe-se tamb\u00e9m que estas redes militantes informais foram respons\u00e1veis por uma s\u00e9rie de ataques que sacudiram os Estados Unidos de 1914 em diante, ataques esses que estavam a ser financiados por expropria\u00e7\u00f5es armadas. Finalmente, \u00e9 um facto que alguns dos companheiros de Sacco e Vanzetti confidenciaram, ap\u00f3s o assassinato dos dois companheiros, que eles eram dois dos cinco ladr\u00f5es da f\u00e1brica de cal\u00e7ados em Braintree, Massachusetts. Um dos companheiros de Sacco e Vanzetti, Mario Buda, por exemplo, durante uma entrevista, quando lhe perguntaram sobre o financiamento do seu grupo, respondeu: \u201c<em>N\u00f3s geralmente \u00edamos aos s\u00edtios onde poder\u00edamos encontr\u00e1-lo (o dinheiro) e lev\u00e1vamo-lo<\/em>\u201c, ou seja, aos bancos e f\u00e1bricas. Muitos anos depois, em 1955, ele recebeu a visita do anarquista Charles Poggi, que estava a investigar historicamente o caso de Sacco e Vanzetti. Na discuss\u00e3o entre eles, Buda admitiu, pelo menos, a participa\u00e7\u00e3o de Sacco no roubo em Braintree com a frase \u201c<em>Sacco estava l\u00e1<\/em>\u201d (\u201cSacco c \u2018era\u201c). Poggi ficou tamb\u00e9m com a impress\u00e3o de que Buda foi um dos assaltantes, mas devido \u00e0 discri\u00e7\u00e3o daquele, n\u00e3o levantou a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Os dois companheiros foram presos ap\u00f3s uma persegui\u00e7\u00e3o e apesar de se encontrarem armados n\u00e3o havia elementos de prova de incrimina\u00e7\u00e3o contra eles \u2013 sem a t\u00e9cnica de investiga\u00e7\u00e3o de bal\u00edstica que n\u00e3o tinha sido aperfei\u00e7oada ainda naquela \u00e9poca e uma vez as testemunhas n\u00e3o podiam testemunhar nada que fosse confi\u00e1vel. Assim, ambos os companheiros escolheram defender-se declarando que estavam inocentes do roubo, ainda que culpados como anarquistas \u2013 num tempo em que, por t\u00e3o pouco que isto representasse, poderia ser prova suficiente para algu\u00e9m ser processado, torturado, preso ou mesmo deportado \u2013 na medida em que a onda de ataques anarquistas que abalaram os EUA tinha levado o Estado a tomar medidas de emerg\u00eancia contra anarquistas e imigrantes anarquistas, atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de leis.<\/p>\n<p>No pico da histeria anti anarquista, a que puseram o nome de Red Scare [Medo Vermelho], os dois companheiros tentaram equilibrar-se sem rede de modo a evitarem a pena de morte e a manterem a dignidade \u2013 uma vez que teimosamente se recusavam a perder a sua identidade, embora isso pudesse revelar-se suficientemente condenat\u00f3rio tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Infelizmente, o caso de Sacco e Vanzetti \u00e9 lembrado hoje exclusivamente como um exemplo de montagem do governo. A narrativa hist\u00f3rica que tem prevalecido est\u00e1 a tentar lan\u00e7ar um v\u00e9u no contexto hist\u00f3rico mais amplo da era em que se deu o julgamento de dois companheiros referidos, induzindo deliberadamente em erro \u2013 retratando-os como meros sindicalistas organizados quando na verdade Sacco e Vanzetti e quase todxs xs companheirxs em torno da Cronaca Sovversiva tinham sentimentos profundamente anti \u2013 formalistas, distanciando-se das organiza\u00e7\u00f5es oficiais anarquistas.<\/p>\n<p>Em \u00faltima an\u00e1lise, o caso dos dois companheiros foi sendo degradado tornando-o numa hist\u00f3ria onde se eleva o valor da v\u00edtima, em vez de ser um exemplo atemporal de uma orgulhosa insurrei\u00e7\u00e3o anarquista. Tal tema \u00e9 quase desconhecido at\u00e9 hoje. Naturalmente que cada companheirx mant\u00e9m sempre o direito de n\u00e3o dar sequer um pingo de si mesmx para o inimigo, especialmente quando t\u00eam evid\u00eancias insuficientes \u2013 se as houver at\u00e9 \u2013 para o\/a condenar.<\/p>\n<p>No entanto, isso \u00e9 uma coisa outra coisa \u00e9 o fetichismo pol\u00edtico da v\u00edtima que omite deliberadamente e totalmente aquelxs que optam pessoalmente por defender o seu compromisso militante \u00e0 anarquia. E se algu\u00e9m tem d\u00favidas, deixem-nos saber os motivos porque \u00e9 que os nomes dxs companheirxs de Sacco e Vanzetti continuam a ser lan\u00e7ados no esquecimento. Quantos ainda se lembram ou sabem sequer alguma coisa da \u201cdinamite-girl\u201d, a velha companheira de 19 anos de idade Gabriella Antollini, que reivindicou a responsabilidade do transporte de armas e explosivos? Quantos se lembram de Nicola Recci que perdeu quase toda a m\u00e3o durante a fabrica\u00e7\u00e3o de dispositivos explosivos? Com que frequ\u00eancia \u00e9 Carlo Valdinoci mencionado, ele que morreu pela explos\u00e3o de uma bomba que estava a planear colocar na casa do ministro da Justi\u00e7a Palmer; ou Andrea Salsedo, que foi atirado de uma janela pela pol\u00edcia, durante um interrogat\u00f3rio acerca de uma reivindica\u00e7\u00e3o de responsabilidade que foi descoberta na sua loja de impress\u00e3o? Todxs estxs e muitxs mais, estavam destinadxs a ser deixados de fora dos livros de hist\u00f3ria, porque como realmente \u00e9 o caso n\u00e3o eram \u201cinocentes\u201d.<\/p>\n<p>Neste ponto, apesar do stress e de se declararem inocentes das acusa\u00e7\u00f5es, nunca Sacco e Vanzetti denunciaram o seu patrim\u00f3nio insurrecion\u00e1rio. Um fato comprovado pelo n\u00famero das a\u00e7\u00f5es ofensivas em todo o mundo feito em nome da solidariedade aos dois companheiros. Desde o bombardeio, usando um carro com fios, de Wall Street at\u00e9 ao pacote-bomba enviado para o embaixador dos EUA em Paris, bem como dezenas de atentados de embaixadas americanas em diversos pa\u00edses. Os companheiros muitas vezes exortaram eles mesmos o movimento a fazer retalia\u00e7\u00f5es contra o Estado e ju\u00edzes. Em Junho de 1926, numa edi\u00e7\u00e3o da Protesta Umana, Vanzetti escreveu entre outras coisas: \u201d<em>Tentarei ver Thayer morto antes do an\u00fancio da nossa senten\u00e7a<\/em>\u201d e pediu aos\/\u00e0s companheirxs \u201c<em>Vingan\u00e7a, vingan\u00e7a em nosso nome e em nome do nosso modo de vida e mortxs <\/em>\u201c. O artigo conclui com\u00a0 \u201c<em>Health Is In You<\/em>\u201d [A sa\u00fade est\u00e1 em voc\u00ea] que foi o t\u00edtulo de um manual sobre dispositivos explosivos publicado pela Cronaca Sovversiva (alguns dizem que traduzido por Emma Goldman a si mesma).<\/p>\n<p>A rica contribui\u00e7\u00e3o da anarquia insurrecional no movimento de solidariedade com Sacco e Vanzetti est\u00e1 a ser, em grande parte, negligenciada at\u00e9 hoje. Na ocasi\u00e3o da chamada para a Semana de Ac\u00e7\u00e3o Internacional pelxs anarquistas encarceradxs, vale a pena ser definitivamente lembrado em toda a sua perspetiva o legado de tal solidariedade militante. Quem acredita que a dissocia\u00e7\u00e3o com atos militantes de solidariedade \u00e9 nova ou tem falta de ra\u00edzes, est\u00e1 profundamente enganadx.<\/p>\n<p>Um fato not\u00e1vel \u00e9 que, enquanto certos c\u00edrculos anarquistas na Argentina caluniavam Severino Di Giovanni, acusando-o mesmo de ser um fascista, a vi\u00fava de Sacco \u2013 numa correspond\u00eancia, alguns dias ap\u00f3s a execu\u00e7\u00e3o de ambos os companheiros \u2013 expressava a sua gratid\u00e3o pelo apoio daquele ao caso. Na mesma carta, indicava que o diretor de uma determinada empresa de cigarros com o nome \u201cCombinador\u201d se tinha oferecido para dar a um tipo particular de cigarros da marca o nome \u201cSacco e Vanzetti\u201d, tentando obter descaradamente lucro da notoriedade do caso. Em 26 de Novembro de 1927, uma bomba colocada por Di Giovanni e companheirxs explodiu numa filial da referida empresa em Buenos Aires. Fazia parte desse mesmo grupo o companheiro de Sacco e Vanzetti Ferrecio Coacci, o qual tinha sido deportado dos EUA. Coacci tamb\u00e9m era suspeito no roubo pelo qual Sacco e Vanzetti foram condenados, tendo a sua casa sido a primeira a ser invadida na investiga\u00e7\u00e3o do caso.<\/p>\n<p>Esperamos que consigamos nestas poucas palavras incentivar o interesse dos\/as participantes do evento, definindo as bases para um aut\u00eantica discuss\u00e3o de companheirismo sobre todas as quest\u00f5es acima mencionadas \u2013 uma vez que, infelizmente, estamos condenadxs a nada aprender da nossa hist\u00f3ria, condenando-nos assim ao mesmo erro, uma e outra vez.<\/p>\n<p>Do cora\u00e7\u00e3o, enviamos a todos v\u00f3s as nossas mais calorosas sauda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por fim, devemos lembrar-nos da frase do anarquista Luigi Galleani, companheiro de Sacco e Vanzetti e um dos editores de Cronaca Sovversiva: \u201c<em><strong>Nenhum ato de rebeli\u00e3o \u00e9 in\u00fatil; nenhum ato de rebeli\u00e3o \u00e9 prejudicial<\/strong>.<\/em>\u201d<\/p>\n<p>Os membros da Conspira\u00e7\u00e3o de C\u00e9lulas de Fogo<\/p>\n<p>Michalis Nikolopoulos<br \/>\nGiorgos Nikolopoulos<br \/>\nHaris Hatzimihelakis<br \/>\nPanagiotis Argirou<br \/>\nTheofilos Mavropoulos<br \/>\nDamiano Bolano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Retirado de ContraInfo: Apresenta-se abaixo um texto escrito em Atenas, na Gr\u00e9cia \u2013 por v\u00e1rios membros presos da Conspira\u00e7\u00e3o de C\u00e9lulas de Fogo \u2013 para um evento da Okupa Biblioteca An\u00e1rquica Kaos, no Brasil. 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