{"id":2338,"date":"2016-04-02T00:45:52","date_gmt":"2016-04-01T22:45:52","guid":{"rendered":"http:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=2338"},"modified":"2016-04-02T00:45:52","modified_gmt":"2016-04-01T22:45:52","slug":"grecia-carta-aberta-de-pola-roupa-sobre-a-tentativa-de-resgatar-a-nikos-maziotis-da-prisao-de-korydallos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=2338","title":{"rendered":"[Gr\u00e9cia] Carta aberta de Pola Roupa sobre a tentativa de resgatar a Nikos Maziotis da pris\u00e3o de Korydallos"},"content":{"rendered":"<p><em>Retirado de Kataklysma:<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2339  aligncenter\" src=\"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2016\/04\/chile_2.jpg\" alt=\"chile_2\" width=\"427\" height=\"465\" srcset=\"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2016\/04\/chile_2.jpg 544w, https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2016\/04\/chile_2-138x150.jpg 138w, https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2016\/04\/chile_2-276x300.jpg 276w\" sizes=\"auto, (max-width: 427px) 100vw, 427px\" \/><\/p>\n<p><em><strong>Em seguida se mostra a primeira parte de uma longa carta da companheira; originalmente publicada em grego no endere\u00e7o da Athens IMC (8 de mar\u00e7o de 2016).<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Em outras circunst\u00e2ncias, este texto seria escrito pela Luta Revolucion\u00e1ria. No entanto, o resultado da tentativa de libertar o companheiro Nikos Maziotis da pris\u00e3o de Korydallos me obriga a falar pessoalmente.<\/p>\n<p>Em 21 de fevereiro (de 2016), tentei libertar o membro da Luta Revolucion\u00e1ria Nikos Maziotis com um helic\u00f3ptero. A opera\u00e7\u00e3o foi planejada para que outr\u24b6s pres\u24b6s pol\u00edtic\u24b6s pudessem se unir a n\u00f3s, quem quisesse buscar seu caminho em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade. Os detalhes do plano, como consegui evitar as medidas de seguran\u00e7a e abordar o helic\u00f3ptero armada, n\u00e3o tem nenhum significado especial e n\u00e3o irei me referir a eles; embora tenha havido uma grande quantidade de informa\u00e7\u00e3o err\u00f4nea. Apenas por raz\u00f5es de clareza, mencionarei que o plano n\u00e3o foi baseado em nenhuma fuga anterior de helic\u00f3ptero, que n\u00e3o est\u00e1 associado com recomenda\u00e7\u00f5es em planos que ainda n\u00e3o foram postos em pr\u00e1tica, e que n\u00e3o tenho nenhuma rela\u00e7\u00e3o com a outra pessoa fugitiva embora os meios de comunica\u00e7\u00e3o digam o contr\u00e1rio. Al\u00e9m disso, esta tentativa n\u00e3o foi precedida por nenhum plano de fuga que \u201cnaufragou\u201d, como dizem alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um quarto da viagem depois de decolar no Thermisia em Argolida, saquei minha pistola e disse ao piloto que mudasse o rumo. Claro, ele n\u00e3o entendeu quem eu era, mas se deu conta de que era uma tentativa de fuga da pris\u00e3o. Entrou em p\u00e2nico. Atacou-me sacando uma pistola \u2013 um fato \u201comitido\u201d. Tamb\u00e9m porque el\u24b6s provavelmente tentem refutar o fato de que ele estava armado. Recordo que h\u00e1 informes dispon\u00edveis publicamente sobre a descoberta de duas armas no helic\u00f3ptero. Uma era minha, mas a segunda n\u00e3o. A segunda pistola era sua arma, a qual caiu de suas m\u00e3os durante a luta no voo. Quanto a mim, \u00e9 claro que eu tinha uma segunda pistola. Como poderia ir a tal opera\u00e7\u00e3o somente com uma?<\/p>\n<p>Ele perdeu o controle do helic\u00f3ptero e entrou em p\u00e2nico gritando \u201cnos mataremos\u201d. A descri\u00e7\u00e3o apresentada de um helic\u00f3ptero substancialmente incontrol\u00e1vel \u00e9 correta. Mas estas imagens n\u00e3o eram o resultado de minhas a\u00e7\u00f5es, sen\u00e3o as dele. O helic\u00f3ptero foi perdendo altura e rodopiava no ar. Voamos a poucos metros de cabos de eletricidade. Eu gritei que elevasse o helic\u00f3ptero, que fizesse o que eu dizia para que ningu\u00e9m sa\u00edsse ferid\u24b6.<\/p>\n<p>Em muito pouco tempo est\u00e1vamos no solo. Aquelxs que falam de uma rela\u00e7\u00e3o desapaixonada do piloto, julgando o resultado, n\u00e3o sabem o que dizem.<\/p>\n<p>Em vez de fazer o que eu lhe dizia, preferiu correr o risco de cair comigo e colidir, o que n\u00e3o ocorreu por acaso. \u00c9 desnecess\u00e1rio dizer que a partir do momento em que entrei no helic\u00f3ptero e tentei tomar o controle dele para guia-lo \u00e0s pris\u00f5es, havia tomado minha decis\u00e3o. Se ele se recusasse a fazer o que eu dizia, eu, naturalmente, reagiria. Aquel\u24b6s que afirmam que eu era a respons\u00e1vel pela descida descontrolada do helic\u00f3ptero, a 5.000 p\u00e9s do solo, o que esperavam? Que dissesse \u201cse voc\u00ea n\u00e3o quer ir \u00e0s pris\u00f5es n\u00e3o importa\u201d? Disparei minha arma e nos envolvemos \u2013 amb\u24b6s armad\u24b6s \u2013 em uma briga durante o voo.<\/p>\n<p>Preferiu correr o risco de se chocar comigo na montanha a obedecer. Quando finalmente aterrissamos no solo com velocidade, embora soubesse que a opera\u00e7\u00e3o havia sido perdida, eu tive a oportunidade de execut\u00e1-lo. Conscientemente decidi n\u00e3o faz\u00ea-lo, mesmo sabendo que com esta decis\u00e3o colocaria em risco a minha vida ou a liberdade, n\u00e3o o executei apesar de que tive a oportunidade. Ele sabe muito bem. O \u00fanico fator que me retinha era minha consci\u00eancia pol\u00edtica. E tomei esta decis\u00e3o, arriscando minha vida e a possibilidade de escapar.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 opera\u00e7\u00e3o de fuga da pris\u00e3o em si, \u00e9 \u00f3bvio que foram tomadas todas as medidas de seguran\u00e7a a fim de proteger nossa companhia d\u24b6s guardas armad\u24b6s que patrulham o per\u00edmetro da pris\u00e3o, e inclusive levava um colete \u00e0 prova de balas para o piloto. Neste caso, o objetivo era fazer com que a fuga da pris\u00e3o ocorresse de uma forma que garantisse o menor risco poss\u00edvel para o helic\u00f3ptero, \u24b6s companheir\u24b6s e, claro, o piloto. Atuei com o mesmo pensamento quando aterrissamos no solo, apesar de a opera\u00e7\u00e3o ter falhado por culpa do piloto e embora ele estivesse armado. Em ess\u00eancia, coloquei sua vida em cima da minha pr\u00f3pria e de minha seguran\u00e7a. Mas estou reconsiderando esta decis\u00e3o espec\u00edfica.<\/p>\n<p>Organizar a fuga de Nikos Maziotis foi uma decis\u00e3o pol\u00edtica, tanto quanto foi uma decis\u00e3o pol\u00edtica a de libertar a outr\u24b6s pres\u24b6s pol\u00edtic\u24b6s. N\u00e3o foi uma escolha pessoal. Se eu quisesse libertar s\u00f3 a meu companheiro Nikos Maziotis n\u00e3o teria utilizado um helic\u00f3ptero grande \u2013 feito que obrigou\u00a0que a organiza\u00e7\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o fosse mais complexa. O objetivo da opera\u00e7\u00e3o era libertar tamb\u00e9m a outr\u24b6s pres\u24b6s pol\u00edtic\u24b6s, aquelxs que realmente desejaram juntxs a n\u00f3s, fazer o seu caminho para a liberdade.<\/p>\n<p>Esta a\u00e7\u00e3o, portanto, apesar das dimens\u00f5es pessoais que s\u00e3o conhecidas, n\u00e3o era uma op\u00e7\u00e3o pessoal, sen\u00e3o pol\u00edtica. Caminhei um passo no caminho da Revolu\u00e7\u00e3o. O mesmo ocorre com todas as a\u00e7\u00f5es que realizei e cada a\u00e7\u00e3o que realizarei no futuro. Estes s\u00e3o elos de uma cadeia de planifica\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria destinada a criar condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais mais favor\u00e1veis, para ampliar e fortalecer a luta revolucion\u00e1ria. Em seguida, vou discutir a base pol\u00edtica desta escolha, mas primeiro tenho que falar dos fatos e a forma em operei at\u00e9 agora no que se refere a alguns destes fatos.<\/p>\n<p>Como mencionei anteriormente, cada a\u00e7\u00e3o que executo se refere a um ato relacionado com a planifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. No mesmo contexto, expropriei a uma filial do banco Piraeu Bank nas instala\u00e7\u00f5es do Hospital de Sotiria em Antenas em junho passado (2015). Com este dinheiro, al\u00e9m de minha sobreviv\u00eancia na \u201cclandestinidade\u201d, assegurei a organiza\u00e7\u00e3o de minha a\u00e7\u00e3o e o financiamento da opera\u00e7\u00e3o para a liberta\u00e7\u00e3o de Nikos Maziotis e outr\u24b6s pres\u24b6s pol\u00edtic\u24b6s das pris\u00f5es femininas de Korydallos. A raz\u00e3o pela qual eu me refiro a esta expropria\u00e7\u00e3o (eu n\u00e3o podia cuidar menos sobre as consequ\u00eancias deste reconhecimento) \u00e9 porque, neste momento, considero que \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio para revelar a forma em que opero no que se refere \u00e0 seguran\u00e7a d\u24b6s civis, que em certas circunst\u00e2ncias est\u00e3o presentes em a\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias em que estou envolvida, e minha perspectiva sobre o assunto em ocasi\u00e3o -sempre \u201cmutatis mutandis\u201d \u2013 da tentativa de fuga da pris\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso da expropria\u00e7\u00e3o da filial do Piraeus Brank, enquanto entr\u00e1vamos mencionei \u24b6s empregad\u24b6s do banco que n\u00e3o deveriam pressionar o bot\u00e3o de alarme, j\u00e1 que isso colocaria em risco sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a, j\u00e1 que n\u00e3o estava disposta a abandonar o banco sem dinheiro. N\u00e3o xs ameacei nem xs coloquei em perigo. S\u00f3 poderiam estar em perigo pela pol\u00edcia, se chegassem ao local e, posteriormente, tiv\u00e9ssemos\u00a0um enfrentamento armado. E a pol\u00edcia s\u00f3 chegaria se algum\/a empregad\u24b6 pressionasse o alarme. Este era um acontecimento que elxs mesmxs queriam evitar. Porque as pessoas que est\u00e3o presentes nestas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o temem \u24b6s que tentam expropriar, temem a interven\u00e7\u00e3o policial. Al\u00e9m do mais, \u00e9 muito est\u00fapido que algu\u00e9m tente defender o dinheiro que pertence \u24b6s banqueir\u24b6s. E para que conste, quando uma empregada do sexo feminino me disse \u201ctamb\u00e9m somos n\u00f3s as pessoas pobres\u201d, lhe sugeri que fosse para um ponto cego, onde as c\u00e2meras n\u00e3o pudessem nos ver, para lhe dar 5.000 euros, algo que ela n\u00e3o aceitou, aparentemente por medo. Se ela houvesse aceitado o dinheiro eu poderia ter certeza de que ela n\u00e3o teria falado publicamente sobre o assunto. E um detalhe: o que eu portava era um avental m\u00e9dico para ocultar minha arma enquanto esperava fora do banco; n\u00e3o uma toalha (!) como foi mencionado v\u00e1rias vezes.<\/p>\n<p>Em cada per\u00edodo de tempo, na luta pela Revolu\u00e7\u00e3o \u2013 como no caso de todas as guerras \u2013 \u00e0s vezes xs revolucion\u00e1ri\u24b6s s\u00e3o obrigad\u24b6s a buscar a ajuda d\u24b6s civis em sua luta. Os exemplos hist\u00f3ricos s\u00e3o demasiados \u2013 uma tentativa de document\u00e1-los poderia encher um livro inteiro, e n\u00e3o \u00e9 o momento de se estender no campo \u2013 tanto na Gr\u00e9cia como em movimentos armados e organiza\u00e7\u00f5es de outros pa\u00edses. Nestes casos, no entanto, essencialmente lhes pedimos que tomem partido na guerra. Uma vez que algu\u00e9m se nega a ajudar, sua postura n\u00e3o \u00e9 apenas sobre a pr\u00e1tica em particular, mas uma postura hostil em geral contra a luta. Colocam em perigo ou anulam projetos, colocam as vidas d\u24b6s combatentes em perigo, lan\u00e7am obst\u00e1culos no caminho do processo revolucion\u00e1rio. Tomam uma posi\u00e7\u00e3o contra a guerra social e de classe.<\/p>\n<p>Nem na sucursal do Piraeus Bank nem durante a tentativa de fuga em helic\u00f3ptero desmascarei minha identidade. Portanto, nenhum\u24b6 d\u24b6s envolvid\u24b6s nestes casos sabiam que se tratava de a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Mas, depois da tentativa falha de fuga, e uma vez que \u2013 como j\u00e1 mencionei \u2013 tinha a oportunidade de matar ao piloto, mas eu n\u00e3o o fiz, arriscando a minha pr\u00f3pria vida, tenho que fazer p\u00fablico o seguinte: de agora em diante, cada vez que necessite de apoio civil, e se o considero necess\u00e1rio, relevarei minha identidade desde o princ\u00edpio. J\u00e1 que meu objetivo em qualquer caso diz respeito \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da luta para derrotar o estado criminal, que todxs saibam que qualquer poss\u00edvel negativa a cooperar e esfor\u00e7o em obstruir a a\u00e7\u00e3o ser\u00e1 tratado em consequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 minha avalia\u00e7\u00e3o depois da tentativa de fuga que deveria fazer p\u00fablica.<\/p>\n<p><strong><em>A OPERA\u00c7\u00c3O DE FUGA DA PRIS\u00c3O FOI UMA ESCOLHA REVOLUCION\u00c1RIA. [\u2026]<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Tentei a fuga da pris\u00e3o pela revolu\u00e7\u00e3o social.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Toda minha vida eu lutei pela revolu\u00e7\u00e3o social.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Vou seguir lutando pela revolu\u00e7\u00e3o social.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Pola Roupa<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Membra da Luta Revolucion\u00e1ria.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Retirado de Kataklysma: Em seguida se mostra a primeira parte de uma longa carta da companheira; originalmente publicada em grego no endere\u00e7o da Athens IMC (8 de mar\u00e7o de 2016). 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