{"id":2129,"date":"2015-12-18T01:19:09","date_gmt":"2015-12-18T00:19:09","guid":{"rendered":"http:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=2129"},"modified":"2015-12-18T01:19:09","modified_gmt":"2015-12-18T00:19:09","slug":"fortaleza-ce-contra-o-exterminio-de-negras-e-negros-da-periferia-e-de-toda-populacao-pobre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=2129","title":{"rendered":"[FORTALEZA-CE] CONTRA O EXTERM\u00cdNIO DE NEGRAS E NEGROS DA PERIFERIA E DE TODA POPULA\u00c7\u00c3O POBRE!"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-2130\" src=\"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2015\/12\/menino-pm-300x199.jpeg\" alt=\"menino-pm\" width=\"289\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2015\/12\/menino-pm-300x199.jpeg 300w, https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2015\/12\/menino-pm-150x100.jpeg 150w, https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2015\/12\/menino-pm.jpeg 512w\" sizes=\"auto, (max-width: 289px) 100vw, 289px\" \/><\/p>\n<p><em>Recebido no email:<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o tem escolar, n\u00e3o tem lazer,<\/em><br \/>\n<em> S\u00f3 crack, arma, pol\u00edcia pra te corromper,<\/em><br \/>\n<em> O sistema \u00e9 maquiav\u00e9lico, estrat\u00e9gico, n\u00e3o erra,<\/em><br \/>\n<em> arma todo esse cen\u00e1rio de guerra<\/em><br \/>\n<em> Leandro Mc\/FOME<\/em><\/p>\n<p>Lutamos cotidianamente contra as estat\u00edsticas da morte de nosso povo, negro e pobre. E essas estat\u00edsticas trazem resultados alarmantes. Um desses resultados nos diz que um jovem negro no Brasil tem tr\u00eas vezes mais chance de ser assassinado do que um branco, sendo que 77% das v\u00edtimas de assassinatos s\u00e3o negros. A pol\u00edcia brasileira \u00e9 a que mais mata no planeta e os n\u00fameros apontam que seu principal alvo tem: cor\/ra\u00e7a e<br \/>\nclasse social.<br \/>\nPara a maior parte da popula\u00e7\u00e3o, e principalmente para os programas policialescos e as for\u00e7as repressoras do Estado, <em>\u201cbandido bom \u00e9 bandido morto\u201d<\/em>. Mas, na realidade tal pena de morte s\u00f3 \u00e9 aplicada a popula\u00e7\u00e3o negra e pobre, o que resulta num verdadeiro holocausto na periferia.<br \/>\nA pol\u00edcia civil e militar, um dos bra\u00e7os armados do Estado, \u00e9 uma<br \/>\ninstitui\u00e7\u00e3o que tem forma, poder e uma articula\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca com as estruturas da nossa sociedade (que \u00e9 dividida em classes). Sua forma \u00e9 hier\u00e1rquica, sendo pautada cotidianamente pela repress\u00e3o violenta, visando defender o Estado, o Capital, a supremacia branca e o patriarcado.<br \/>\nO Estado tem o monop\u00f3lio da repress\u00e3o atrav\u00e9s das for\u00e7as armadas, mas tamb\u00e9m devemos considerar as rela\u00e7\u00f5es de poder entre as for\u00e7as armadas\/militar e o Estado (express\u00e3o pol\u00edtico-institucional), em um determinado momento. A esfera pol\u00edtica\/jur\u00eddica\/militar traz um mar de rela\u00e7\u00f5es corruptas e uma s\u00e9rie de viol\u00eancias brutais para o nosso povo, negro e pobre.<br \/>\nOs Estados programam formas que possam encarcerar a popula\u00e7\u00e3o negra, pobre e lutadora. O controle social \u00e9 um mecanismo utilizado pelo Estado que visa, exclusivamente, punir quem n\u00e3o ler na sua cartilha, quem n\u00e3o concorda com o seu \u201ccirco\u201d. Manifesta\u00e7\u00f5es radicalizadas que possam surgir contra o ajuste fiscal, direitos das mulheres e redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal est\u00e3o seriamente amea\u00e7adas. S\u00e3o exemplos de controle<br \/>\nsocial: a Lei Antiterrorismo (de autoria do Poder Executivo, o projeto de lei segue como PL 2016\/2015 na C\u00e2mara e PL 499\/2013 no Senado), surge para tentar calar os setores mais combativos e revolucion\u00e1rios. O texto \u201cantiterror\u201d diz: \u201cincendiar, depredar, saquear, destruir ou explodir<br \/>\nmeios de transporte ou qualquer bem p\u00fablico ou privado\u201d. Para se ter apenas um exemplo, o \u201cinc\u00eandio\u201d foi o mecanismo utilizado pela comunidade do S\u00e3o Miguel horas depois da chacina da Messejana na entrada do bairro, essa foi \u00e0 arma que os populares tinham para chamar a aten\u00e7\u00e3o da sociedade sobre o caso. A defesa da propriedade privada e da ordem burguesa \u00e9 clara na lei, de maneira que nada possa amea\u00e7ar este esquizofr\u00eanico sistema desigual, opressor e racista. A redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal tamb\u00e9m \u00e9 um exemplo de controle social que tem no<br \/>\nencarceramento a solu\u00e7\u00e3o para um Estado cada vez mais militarizado.<br \/>\nA origem da pol\u00edcia remonta ao per\u00edodo escravocrata tendo a fun\u00e7\u00e3o de capturar e matar negras e negros que foram escravizadas\/os, defender a propriedade privada e o abomin\u00e1vel sistema escravista, negando dessa forma, heran\u00e7as culturais, corporeidade, sexualidade e um mundo afro.\u00a0 Desde a invas\u00e3o portuguesa \u201cO estupro, o linchamento e o genoc\u00eddio dos<br \/>\npovos originais e do povo negro s\u00e3o elementos estruturantes da nossa realidade hist\u00f3rica.\u201d [<a href=\"http:\/\/resistencialibertaria.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer\">1<\/a>]<br \/>\nQuantas Anast\u00e1cias n\u00e3o foram capturadas e silenciadas com uma m\u00e1scara de ferro, tendo sua ancestralidade negada e sua vida ceifada pelos horrores da explora\u00e7\u00e3o? Quantas Cla\u00fadias n\u00e3o foram arrastadas e mortas? De l\u00e1 pra c\u00e1 nunca existiu pol\u00edcia cidad\u00e3 ou pol\u00edcia amiga, o que vemos \u00e9 uma articula\u00e7\u00e3o repressora e exterminadora da pol\u00edcia \u2013 civil e militar.<br \/>\nPrecisamos mudar radicalmente a sociedade e n\u00e3o fazer uso das ferramentas do opressor, pois \u201cas ferramentas do mestre nunca v\u00e3o desmantelar a casa-grande\u201d (Audre Lorde).<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos reformar a pol\u00edcia nesta sociedade que \u00e9 capitalista,<br \/>\nracista e patriarcal. Se h\u00e1 um grupo de policiais que verdadeiramente \u00e9 contra o trip\u00e9 repressor de nossa sociedade eles devem sair da pol\u00edcia, pois l\u00e1 s\u00e3o e continuar\u00e3o sendo c\u00famplices do exterm\u00ednio do nosso povo.<br \/>\nO mesmo se aplica ao processo eleitoral, pois nenhuma elei\u00e7\u00e3o ir\u00e1 barrar o exterm\u00ednio de negras e negros da periferia e de toda popula\u00e7\u00e3o pobre. A elei\u00e7\u00e3o como farsa, sempre teve o papel de eleger fantoches e supostos representantes. Obama nos Estados Unidos \u00e9 s\u00f3 mais um exemplo de como esse processo \u00e9 fraudulento e racista, pois a justi\u00e7a, o governo Obama e<br \/>\nas for\u00e7as repressivas norte americana continuam encarcerando a popula\u00e7\u00e3o negra, condenando a pris\u00e3o perp\u00e9tua e levando milhares negras\/os e latinas\/os para o corredor da morte. O ex-pantera negra Mumia-Abu Jamal \u00e9 s\u00f3 mais um exemplo.<br \/>\nA ditadura civil-militar teve seu fim na d\u00e9cada de 1980? H\u00e1 um regime ditatorial e autorit\u00e1rio vigente, a ditadura n\u00e3o cessou para a periferia e todas as classes populares. As pr\u00e1ticas repressivas continuam e o exterm\u00ednio n\u00e3o d\u00e1 sinais de parar para periferia. Os anos de 1990 deram continuidade ao derramamento de sangue no ch\u00e3o. S\u00f3 para citar dois exemplos, as for\u00e7as do Estado estiveram envolvidas no massacre do <strong>Carandiru (1992)<\/strong> e da chacina da<strong> Candel\u00e1ria (1993)<\/strong>. O projeto de Estado brasileiro sempre foi genocida e racista, vivemos na democracia da morte<br \/>\npara o povo negro e pobre, em que o encarceramento e a pena de morte nos s\u00e3o oferecida pelo Estado.<br \/>\nA crescente militariza\u00e7\u00e3o da sociedade \u00e9 uma realidade. S\u00e3o mais UPPs, expans\u00e3o massiva do Raio (Rondas de A\u00e7\u00f5es Intensivas e Ostensivas), supostas armas \u201cn\u00e3o letais\u201d para o conjunto da guarda municipal e gest\u00e3o militar nas escolas, como \u00e9 o caso de Goi\u00e1s, em que o governador Marconi Perillo (PSDB) prop\u00f4s em meados deste ano um projeto de militariza\u00e7\u00e3o de algumas escolas, trazendo mudan\u00e7as na estrutura organizativa da escola, implementando o c\u00f3digo disciplinar militar e criando algumas taxas. [2]<br \/>\nRacismo institucional, chacina e sequestros j\u00e1 fazem parte de nosso cotidiano. Forjamento de flagrantes em homens e mulheres da periferia j\u00e1 \u00e9 pr\u00e1tica corriqueira. Tudo que difere do padr\u00e3o vigente, que \u00e9 excludente e preconceituoso, em termos de ra\u00e7a, classe, sexualidade, comportamento e idade, j\u00e1 s\u00e3o estigmatizados e considerados indesejados.<br \/>\nQuando n\u00e3o nos matam cotidianamente com v\u00e1rios tiros de diversos calibres, nos matam com a aus\u00eancia dos servi\u00e7os b\u00e1sicos sociais, nos matam com a humilha\u00e7\u00e3o di\u00e1ria e com a precariza\u00e7\u00e3o de tudo que \u00e9 considerado \u201cp\u00fablico\u201d. Portanto perguntamos: \u201cCad\u00ea o que tu prometeu pra minha favela, pra minha periferia n\u00e3o vejo nada nela\u201d (Mc Frank\/FOME). O Estado aprofunda a segrega\u00e7\u00e3o, faz uso do racismo institucional para humilhar os jovens da periferia. A pol\u00edcia vem realizando uma esp\u00e9cie de blitz nas vias de acesso aos bairros perif\u00e9ricos, em que os \u201csuspeitos\u201d, de maioria negra, s\u00e3o obrigados a descer do \u00f4nibus. O ass\u00e9dio policial humilha, criminaliza e estigmatiza a popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica negra e pobre.<br \/>\nA ordem para o controle social \u00e9 abater. Na chacina da Messejana (S\u00e3o Miguel, Lagoa Redonda e Curi\u00f3), n<strong>o \u00faltimo dia 11 de novembro, onze perif\u00e9ricos foram mortos, s\u00e3o eles: Patr\u00edcio, 16; Allison, Jardel, <\/strong><strong>Marcelo s. Mendes, Alef, Marcelo S. Pereira, Erick, todos tinham 17; Pedro,<\/strong><br \/>\n<strong> 18; Jandson, 19; Elenildo, 41; Valmir, 37.<\/strong>Todo o grupo de exterm\u00ednio que praticou a a\u00e7\u00e3o estava encapuzado, os mesmos arrombaram portas, arrastaram as v\u00edtimas para fora de casa e executaram. Nenhuma das vitimas tinham passagem pelo pol\u00edcia pelos ditos crimes graves. Sete outras v\u00edtimas foram lesionadas a bala e\/ou les\u00e3o corporal no momento da chacina. Um dos projetos de controle social, do programa \u201cCrack \u00e9 poss\u00edvel vencer\u201d (uma unidade fixa), a UPP de Fortaleza, situada no S\u00e3o Miguel, um dos locais da chacina, n\u00e3o viu nenhuma movimenta\u00e7\u00e3o mesmo com<br \/>\ntodas as suas c\u00e2meras de seguran\u00e7a.<br \/>\nOutras chacinas tamb\u00e9m ocorreram nos \u00faltimos meses em outros Estados. <strong>Em Salvador, por exemplo, no dia 6 de fevereiro, 16 foram mortos na chacina do <\/strong><strong>Cabula.<\/strong> A dita \u201cseguran\u00e7a p\u00fablica\u201d da gest\u00e3o de Rui Costa, do PT, executou sumariamente a juventude negra e pobre. Perseguir, capturar e<br \/>\nexecutar sempre fez parte do c\u00f3digo da pol\u00edcia, seja ela civil ou<br \/>\nmilitar.<br \/>\nA persegui\u00e7\u00e3o aos ind\u00edgenas, quilombolas e perif\u00e9ricos, negras\/os e pobres continua. No Cear\u00e1, diversas comunidades ind\u00edgenas sofrem com o ass\u00e9dio policial nas \u00e1reas de retomadas. Os quilombolas do Cumbe, Aracati, foram despejados\/as violentamente em agosto de 2013 pela PM\/Cotar de uma \u00e1rea ocupada por eles\/as para fins de recupera\u00e7\u00e3o ambiental, em<br \/>\num local que antes era um viveiro de camar\u00e3o.<br \/>\nAs mulheres negras tamb\u00e9m s\u00e3o as que mais sofrem. N\u00fameros indicam que houve um aumento de 54% em termos de homic\u00eddios (mapa da viol\u00eancia, 2013) praticados contra a mulher negra, enquanto em rela\u00e7\u00e3o a mulher branca houve uma queda de 9,8%. Outro grav\u00edssimo problema \u00e9 na unidade prisional<br \/>\nfeminina da regi\u00e3o metropolitana de Fortaleza, Auri Moura Costa, o pres\u00eddio hoje amontoa cerca de 700 mulheres e nos \u00faltimos cinco meses j\u00e1 foram registrados duas mortes (Ana Cla\u00fadia e Joelma de Souza).<br \/>\nO defasado sistema socioeducativo tamb\u00e9m abriga em sua maior parcela adolescentes negras e negros e pobres. Depois de um 2015 de muitas manifesta\u00e7\u00f5es por parte dos jovens, por conta da superlota\u00e7\u00e3o, maus tratos e p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias, o pior ocorreu. O adolescente M\u00e1rcio, 17, foi morto pelo BCPM no momento de uma manifesta\u00e7\u00e3o no Centro \u201cSocioeducativo\u201d S\u00e3o Miguel e no C. \u201cSocioeducativo\u201d S\u00e3o Francisco, no dia 6 de novembro. O caso provavelmente ser\u00e1 registrado como<br \/>\nauto de resist\u00eancia, ou seja, resist\u00eancia (do policial) seguida de morte. \u00c9 uma forma de legalizar e legitimar a viol\u00eancia cometida pelas for\u00e7as policiais, e sendo assim, quando registrado como auto de resist\u00eancia, os homic\u00eddios realizados pelo bra\u00e7o armado do Estado acabam n\u00e3o sendo investigados. Algumas semanas depois da morte de M\u00e1rcio, v\u00e1rios instrutores foram presos por conta de uma surra generalizada em um dos centros.<br \/>\nE os abusos continuam! O sequestro tamb\u00e9m faz parte do card\u00e1pio das for\u00e7as policiais. \u00a0Foi o que ocorreu com o frentista Jo\u00e3o Paulo, 20, que n\u00e3o possui passagem pela pol\u00edcia. Visto pela \u00faltima vez no dia 30 de setembro na Av. C\u00f4nego de Castro, no Parque Santa Rosa, o mesmo aparece no referido dia em imagens de uma c\u00e2mera de seguran\u00e7a sendo abordado por uma patrulha militar e sendo conduzido para um ve\u00edculo de passeio. O grupo de<br \/>\nsequestro e extors\u00e3o foi \u201cpreso\u201d e \u00e9 formado por tr\u00eas policiais da<br \/>\nFor\u00e7a T\u00e1tica de Apoio (FTA)\/BPM de Maracana\u00fa e um sargento da reserva da PM. Jo\u00e3o Paulo at\u00e9 agora n\u00e3o apareceu!<\/p>\n<p><em>NOSSO CH\u00c3O SAGRADO FOI MANCHADO DE SANGUE E A LUTA COTIDIANA COBRAR\u00c1 O EXTERM\u00cdNIO DA POPULA\u00c7\u00c3O NEGRA E POBRE<\/em><\/p>\n<p>O que deve ser exterminado \u00e9 o preconceito racial dentro de n\u00f3s, o discurso racista da extrema- direita e at\u00e9 de alguns setores da esquerda. Tanto direita como parte da esquerda defendem um projeto pol\u00edtico hegem\u00f4nico branco\/euroc\u00eantrico. Alguns setores afirmam que n\u00e3o h\u00e1 o racismo e outros enxergam como uma quest\u00e3o secund\u00e1ria. Para n\u00f3s, da Organiza\u00e7\u00e3o Resist\u00eancia Libert\u00e1ria [ORL-CAB], o debate e pr\u00e1tica da luta antirracista n\u00e3o \u00e9 secund\u00e1rio. Acreditamos que devemos descolonizar<br \/>\na consci\u00eancia e deixar a briga pelo poder centralizado do Estado de lado.<br \/>\nMuitos setores n\u00e3o querem discutir privil\u00e9gios e acreditam que est\u00e3o fazendo seu papel ao buscarem colocar algum representante nas cadeiras do legislativo ou em alguma secretaria sobre a quest\u00e3o racial. O Estado enquanto instrumento pol\u00edtico tem suas bases cimentadas no capitalismo, no patriarcalismo, no racismo, na heteronormatividade e outras mil e uma opress\u00f5es.<br \/>\nA reforma ser\u00e1 sempre parcial, nunca devendo mexer nem um mil\u00edmetro nas bases do Estado. ALUTA ANTIAUTORIT\u00c1RIA NEGRA [3] deve partir de baixo para cima, a partir de nossas experi\u00eancias, viv\u00eancias e pr\u00e1ticas comunit\u00e1rias em torno da igualdade entre os iguais e n\u00e3o de estruturas hierarquizadas, como o Estado, partidos e as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas.<br \/>\nAcreditamos na autoidentifica\u00e7\u00e3o racial e entendemos que o reconhecimento enquanto negra e negro deve ser o combust\u00edvel para o fortalecimento da luta espec\u00edfica, independente, aut\u00f4noma e coletiva com os outros setores. Se n\u00f3s n\u00e3o nos reconhecemos, o Estado, Pol\u00edcia e todos os opressores nos reconhecem e nos discriminam. N\u00e3o podemos aceitar essa m\u00e1scara de ferro<br \/>\nsutil e violenta, n\u00e3o devemos nos silenciar! O projeto capitalista,<br \/>\nracista e machista nos retira tudo e sua consequ\u00eancia \u00e9 sermos<br \/>\nexterminadas\/os, capturadas\/os e levadas\/os para os pres\u00eddios, sistema \u201csocioeducativos\u201d, tr\u00e1fico, explora\u00e7\u00e3o infantil e o turismo sexual. Qual a diferen\u00e7a entre a rela\u00e7\u00e3o do senhor de engenho com as negras e os negros do per\u00edodo escravocrata com os dias de hoje?<br \/>\nN\u00f3s, negras e negros, temos muito a dizer sobre tudo e em todos os espa\u00e7os, e n\u00e3o s\u00f3 sobre a quest\u00e3o negra, afrodescendente. \u00c9<br \/>\nnecess\u00e1ria a equidade racial em todos os lugares, mas sabemos dessa dificuldade, pois vivemos sob um projeto de limpeza social racista que nos quer ver mortas\/os, trancafiadas\/os e servindo de mercadoria sexual para o bel prazer do senhor. A real mudan\u00e7a desse quadro racista passa por nossas comunidades, nossos quilombos perif\u00e9ricos, seja na cidade ou no campo.<br \/>\nDevemos refletir nossos problemas e pensar a partir de nossas<br \/>\npossibilidades, n\u00e3o nos cabe fechar nossas consci\u00eancias apenas as teorias euroc\u00eantricas, sobretudo aquelas que pesam o hist\u00f3rico de domina\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA luta antiautorit\u00e1ria negra n\u00e3o ter\u00e1 intermedia\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica, j\u00e1 est\u00e1 se organizando na periferia e combater\u00e1 qualquer forma de subservi\u00eancia. Nenhum partido nos for\u00e7ar\u00e1 dar um passo atr\u00e1s, a luta antirracista diz e dir\u00e1: Nenhum passo atr\u00e1s! Reaja ou ser\u00e1 mortx! (Campanha Reaja ou Ser\u00e1 Mortx). Podemos at\u00e9 est\u00e1 no mesmo barco, mas nosso povo NEGRO continua sofrendo com o preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o e o racismo, mas estamos saindo dos por\u00f5es dos navios negreiros para destruir os senhores que est\u00e3o na parte superior dos v\u00e1rios \u201cLa Amistad\u201d. [4]<br \/>\nN\u00f3s da Organiza\u00e7\u00e3o Resist\u00eancia Libert\u00e1ria reafirmamos nosso<br \/>\ncompromisso com xs de baixo e o nosso repudio a todas as formas de opress\u00f5es. Por isso dizemos n\u00e3o a redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal e n\u00e3o ao exterm\u00ednio da juventude negra e pobre. Lutaremos para impedir que a marcha f\u00fanebre prossiga!<\/p>\n<p>NOSSO SANGUE \u00c9 NEGRO E VERMELHO E NOSSO CORPO \u00c9 SIN\u00d4NIMO DE<br \/>\nRESIST\u00caNCIA!<\/p>\n<p>ZUMBI E DANDARA SOMOS N\u00d3S!!!<\/p>\n<p>[<a href=\"http:\/\/resistencialibertaria.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer\">1<\/a>] Coletivo Editorial Sunguilar. Anarquismo e Revolu\u00e7\u00e3o Negra, 2015.<\/p>\n<p>[2] Passa Palavra, Goi\u00e1s: comunidade se mobiliza contra militariza\u00e7\u00e3o de<br \/>\nescola<\/p>\n<p>[3] Lorenzo Kom \u2018Boa Ervin. Falando de Racismo e liberta\u00e7\u00e3o Negra<\/p>\n<p>[4] Navio negreiro tomado por negros e negras no s\u00e9culo XIX, no Oceano<br \/>\nAtl\u00e2ntico<\/p>\n<p>resistencialibertaria.org [<a href=\"http:\/\/resistencialibertaria.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer\">1<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebido no email: N\u00e3o tem escolar, n\u00e3o tem lazer, S\u00f3 crack, arma, pol\u00edcia pra te corromper, O sistema \u00e9 maquiav\u00e9lico, estrat\u00e9gico, n\u00e3o erra, arma todo esse cen\u00e1rio de guerra Leandro Mc\/FOME Lutamos cotidianamente contra as estat\u00edsticas da morte de nosso &hellip; <a href=\"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=2129\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":6952,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[123],"tags":[],"class_list":["post-2129","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-fortaleza"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2129","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/6952"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2129"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2129\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2131,"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2129\/revisions\/2131"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2129"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2129"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2129"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}