{"id":2033,"date":"2015-11-05T13:46:28","date_gmt":"2015-11-05T12:46:28","guid":{"rendered":"http:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=2033"},"modified":"2015-11-05T13:46:28","modified_gmt":"2015-11-05T12:46:28","slug":"uruguai-comunicado-do-centro-social-autonomo-la-solidaria-com-relacao-a-notificacao-de-desalojo-recebido-em-30-de-outubro-de-2015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=2033","title":{"rendered":"[Uruguai] Comunicado do centro social aut\u00f4nomo La Solidaria com rela\u00e7\u00e3o a notifica\u00e7\u00e3o de desalojo recebido em 30 de outubro de 2015"},"content":{"rendered":"<p><em>Recebido ao email:<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-2034\" src=\"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2015\/11\/la_solidaria-300x225.jpg\" alt=\"la_solidaria\" width=\"383\" height=\"287\" srcset=\"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2015\/11\/la_solidaria-300x225.jpg 300w, https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2015\/11\/la_solidaria-150x113.jpg 150w, https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2015\/11\/la_solidaria.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 383px) 100vw, 383px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">No dia 30 de outubro chegou \u00e0s portas do centro social aut\u00f4nomo La Solidaria uma notifica\u00e7\u00e3o de desalojo. Segundo diz a apresenta\u00e7\u00e3o do mencionado documento \u2013 que insta a desalojar o im\u00f3vel em um prazo de 15 dias -, a casa onde funciona dito espa\u00e7o estaria \u201cprecariamente\u201d ocupada por um \u201cgrupo anarquista\u201d. Esse grupo seria respons\u00e1vel de ter invadido com viol\u00eancia o edif\u00edcio em quest\u00e3o, de ter amea\u00e7ado e atacado aos donos de dito edif\u00edcio e tamb\u00e9m da deteriora\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio e as pragas de roedores na quadra. Os anteriores donos, A Igreja Evang\u00e9lica Alem\u00e3, haviam brindado provas \u2013 que constam no informe apresentado junto com a den\u00fancia \u2013 de todas estas coisas, mas, n\u00e3o obstante, haviam tolerado a ocupa\u00e7\u00e3o. No entanto, tudo mudou porque o edif\u00edcio, ocupado faz 3 anos, havia sido vendido a uma cidad\u00e3 chilena nacionalizada uruguaia que teria a vontade de seguir os processos judiciais necess\u00e1rios para recuperar o im\u00f3vel. O domic\u00edlio da nova propriet\u00e1ria que consta na notifica\u00e7\u00e3o \u00e9 um escrit\u00f3rio do World Trade Center de Montevid\u00e9u.<\/p>\n<p><strong>Um\u00a0pouco\u00a0de\u00a0hist\u00f3ria.<\/strong><br \/>\nLa Solidaria \u00e9 um espa\u00e7o aut\u00f4nomo localizado na rua Daniel Fern\u00e1ndez Crespo 1813, quase Cerro Largo. Funciona a\u00ed desde o ano de 2012, quando o local foi ocupado por um grupo de pessoas com a ideia de construir um centro social que funcionasse com valores opostos aos que cotidianamente nos imp\u00f5em as rela\u00e7\u00f5es mediadas pelo Capital e o Estado. Esses valores que decidimos encarnar eram a solidariedade, a autogest\u00e3o, a horizontalidade e a autonomia. Desde que abriu suas portas, La Solidaria se caracterizou por ser um espa\u00e7o aberto e de constru\u00e7\u00e3o, assim como um lugar de encontro para diferentes grupos e pessoas que n\u00e3o tinham onde projetar suas ideias e compartilhar suas preocupa\u00e7\u00f5es acerca da realidade atual. Suas portas, sempre abertas, deram lugar a toda classe de projetos e atividades \u2013 todas gratuitas -, como por exemplo v\u00e1rias feiras do livro internacionais, oficinas de disciplinas que v\u00e3o desde as artes marciais e o teatro at\u00e9 a linguagem de sinais, o tango e a express\u00e3o pl\u00e1stica. Funcionaram ou funcionam ali v\u00e1rios projetos de r\u00e1dio comunit\u00e1ria ou alternativa, bibliotecas sociais, caf\u00e9s e tert\u00falias sobre tem\u00e1ticas v\u00e1rias, assim como projetos de luta, como a Regional Sul da Assembleia Nacional Permanente em Defesa da Terra, da \u00c1gua, e dos Bens Naturais, a Coordena\u00e7\u00e3o pelo fechamento do zool\u00f3gico de Villa Dolores, a Coordena\u00e7\u00e3o contra Monsanto, Plen\u00e1ria Mem\u00f3ria e Justi\u00e7a e o Movimento Independente de Esquizodrama e Esquizoanalisis Libert\u00e1rio, entre outros muitos grupos ou projetos contr\u00e1rios ao atual sistema de opress\u00e3o. Na atualidade, La Solidaria mant\u00eam suas portas abertas e funciona a n\u00edvel local como um lugar de caracter\u00edsticas \u00fanicas, reconhecido e aceito pelos moradores, que com frequ\u00eancia se aproximam para brindar seu apoio, informar-se ou participar livremente do espa\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Um\u00a0pouco\u00a0(mais)\u00a0de\u00a0hist\u00f3ria\u2026<\/strong><br \/>\nAntes de instalar-se o projeto atual, a casa onde funciona La Solidaria pertenceu a (ou esteve em poder de) pelo menos dois grupos religiosos diferentes, que a utilizavam para benef\u00edcio de suas congrega\u00e7\u00f5es ou \u2013 nos \u00faltimos tempos e antes de ser inabilitados pelo INAU \u2013 como \u201clar\u201d infantil. As condi\u00e7\u00f5es em que estava o edif\u00edcio eram desastrosas: totalmente destru\u00eddo e sem conex\u00e3o de saneamento; foi necess\u00e1rio repar\u00e1-lo e adapt\u00e1-lo para poder dar-lhe vida novamente. Seus donos originais, que cobravam por seus servi\u00e7os de lar\/c\u00e1rcere, n\u00e3o colocavam o dinheiro para melhorar as condi\u00e7\u00f5es da constru\u00e7\u00e3o, nem tampouco o usavam para cumprir com suas obriga\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias. O edif\u00edcio, portanto, estava em ru\u00edna em todos os sentidos. No momento de efetuar a ocupa\u00e7\u00e3o \u2013 que foi pac\u00edfica -, o \u00fanico que funcionava ali era uma biblioteca-arquivo de tend\u00eancia anarquista, que estava instalada com total consentimento de seus donos originais e ocupava s\u00f3 um c\u00f4modo da casa, o \u00fanico que estava em condi\u00e7\u00f5es de habitabilidade.<\/p>\n<p>O\u00a0pastor\u00a0mentiroso.<br \/>\nO l\u00edder da Igreja Evang\u00e9lica Alem\u00e3 \u2013 a antiga propriet\u00e1ria do edif\u00edcio -, Armin Ilhe, visitou os ocupantes em mais de uma oportunidade e manifestou seu acordo com o projeto. Durante todo o primeiro ano, o contato entre as partes foi fluido. N\u00e3o obstante, de um momento a outro decidiu reclamar a propriedade. Nesse contexto se deu a primeira tentativa de desalojo, totalmente ilegal e sem ordem judicial, que abriria a porta de um conflito entre a congrega\u00e7\u00e3o propriet\u00e1ria e os possuidores, de fato. O senhor Ilhe tentaria, em mais de uma oportunidade, vitimizar-se para gerar press\u00e3o, mas ao final, desgastado por uma luta que n\u00e3o poderia manter e prejudicava sua imagem, desistiria. Ademais, o movimento social acompanhou a reclama\u00e7\u00e3o dos ocupantes repudiando aos propriet\u00e1rios e suas manobras desleais. Um detalhe n\u00e3o menor: a primeira tentativa de desalojo coincidiu exatamente com a realiza\u00e7\u00e3o de uma das maiores grandes marchas em recha\u00e7o da mega-mineradora e do mega-projeto Aratir\u00ed, justo onde se juntava o n\u00facleo de Montevid\u00e9u que convocava e organizava a marcha.<\/p>\n<p><strong> Governo\u00a0progressista,\u00a0repress\u00e3o\u00a0fascista.<\/strong><br \/>\nEsse mesmo ano, mas no m\u00eas de agosto se registraria a segunda tentativa clara de intimida\u00e7\u00e3o ou desalojo ilegal. Na tarde de 24 de agosto, previamente \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o em mem\u00f3ria do massacre de Jacinto Vera no Hospital Filtro, doze ativistas que saiam de La Solidaria seriam detidas por policiais particulares sem nenhum tipo de ordem. Este procedimento continuaria por v\u00e1rios dias mais e algumas delas seriam novamente sequestradas de forma irregular para serem levadas a declarar. Previamente, dois ativistas que estavam de passagem pela cidade haviam sido detidos e processados sem nenhuma prova, em rela\u00e7\u00e3o aos dist\u00farbios ocorridos em uma mobiliza\u00e7\u00e3o oficialista. Este novo ataque, ent\u00e3o, se configurava como o terceiro e mais contundente dos dirigidos diretamente ao espa\u00e7o. Uma vez mais se resistiu e as mobiliza\u00e7\u00f5es em rep\u00fadio n\u00e3o se fizeram esperar.<\/p>\n<p><strong>Especula\u00e7\u00e3o,\u00a0repress\u00e3o\u00a0e\u00a0capitalismo\u00a0progre.<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, agora, em 2015 e em meio de diversos conflitos e uma aut\u00eantica persegui\u00e7\u00e3o e ca\u00e7a \u00e0s bruxas dirigida contra diversos ativistas e organiza\u00e7\u00f5es sociais, La Solidaria volta a estar no meio da tormenta. Mas, o qu\u00ea \u00e9 que se esconde detr\u00e1s desta manobra? O bairro de Cord\u00f3n Norte, como quase todos os bairros centrais, est\u00e3o atualmente sendo cen\u00e1rio de um ataque silencioso, mas letal: \u00e9 o ataque do desenvolvimento em sua forma mais obscena, a do urbanismo e da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. Qualquer metro quadrado de um bairro central aumenta progressivamente de valor, e isso faz com que os tubar\u00f5es imobili\u00e1rios se lancem desesperados por qualquer migalha. Os trabalhadores e marginalizados que viviam nestes bairros enfeiavam a cidade e complicavam a din\u00e2mica de consumo pensada para os turistas e os filhos das classes acomodadas. As antigas casas de p\u00e1tio \u2013 como La Solidaria \u2013 estorvam um planejamento urbano que prefere construir m\u00f3dulos horizontais para encerrar consumidores alienados a pre\u00e7os rid\u00edculos antes que manter um desenho inclinado a alojar um tecido social diverso e m\u00f3vel, capaz de organizar-se e protestar contra aquilo que o prejudica. Nesse plano, um centro social como La Solidaria \u00e9 uma clara pedra no sapato.<\/p>\n<p><strong>Definitivamente.<\/strong><br \/>\nEsta notifica\u00e7\u00e3o, estas den\u00fancias e este processo que come\u00e7a n\u00e3o \u00e9 outra coisa que um ataque mais do sistema a n\u00f3s, que desde um come\u00e7o, nos colocamos em oposi\u00e7\u00e3o total a seus projetos e des\u00edgnios. N\u00e3o \u00e9 nada mais que um golpe em uma peleja que reconhecemos, assumimos e escolhemos dar j\u00e1 faz tempo e que, se bem nos exp\u00f5e, tamb\u00e9m nos irmana com muitos mais lutadores e lutadoras que escolheram encarar o poder. Nos golpearam, mas que o saibam: somos bons pugilistas e devolveremos todos os golpes.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o\u00a0ao\u00a0desalojo\u00a0de\u00a0La\u00a0Solidaria!<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Que\u00a0tirem\u00a0suas\u00a0m\u00e3os\u00a0de\u00a0nossos\u00a0centros\u00a0sociais!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebido ao email: No dia 30 de outubro chegou \u00e0s portas do centro social aut\u00f4nomo La Solidaria uma notifica\u00e7\u00e3o de desalojo. 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