{"id":1935,"date":"2015-09-12T18:02:56","date_gmt":"2015-09-12T16:02:56","guid":{"rendered":"http:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=1935"},"modified":"2015-09-12T18:02:56","modified_gmt":"2015-09-12T16:02:56","slug":"espanha-pedido-de-solidariedade-das-pessoas-afetadas-pela-operacion-pinata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=1935","title":{"rendered":"[Espanha] Pedido de solidariedade das pessoas afetadas pela \u201cOperaci\u00f3n Pi\u00f1ata\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Recebido no email:<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1936\" src=\"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2015\/09\/acartazblog-212x300.jpg\" alt=\"acartazblog\" width=\"212\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2015\/09\/acartazblog-212x300.jpg 212w, https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2015\/09\/acartazblog-106x150.jpg 106w, https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2015\/09\/acartazblog.jpg 424w\" sizes=\"auto, (max-width: 212px) 100vw, 212px\" \/><\/p>\n<p>J\u00e1 se passaram quase cinco meses desde o dia em que nos detiveram sob a<br \/>\nacusa\u00e7\u00e3o de pertencer a uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa com fins terroristas, e<br \/>\ntalvez possa parecer um pouco estranho ver uma convocat\u00f3ria de<br \/>\nsolidariedade a essas alturas. Mas, levando em conta as acusa\u00e7\u00f5es da<br \/>\npol\u00edcia e do juiz, n\u00e3o somos e nem \u00e9ramos um grupo organizado com um<br \/>\ntrabalho em comum, por isso e por cinco de n\u00f3s durante quase dois meses<br \/>\nterem estado no c\u00e1rcere, com todo o trabalho que isso comporta, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil<br \/>\nnos juntar para falar e nem fazer nem um comunicado e nem um posicionamento<br \/>\nfrente a nada. Por isso, sai agora este texto feito em consenso e que<br \/>\ntalvez seja aplic\u00e1vel \u00e0 solidariedade com outras pessoas e coletivos.<\/p>\n<p>Como bem se sabe, no \u00faltimo 30 de mar\u00e7o ocorreu a chamada \u201cOperaci\u00f3n<br \/>\nPi\u00f1ata\u201d a cargo da Pol\u00edcia Nacional, na qual 15 pessoas foram detidas entre<br \/>\nas cidades de Barcelona, Madri e Palencia, todas n\u00f3s de milit\u00e2ncia<br \/>\nanarquista e\/ou antiautorit\u00e1ria.<\/p>\n<p>5 pessoas foram sequestradas pelo Estado por meio de pris\u00e3o preventiva<br \/>\ndurante dois meses, enquanto que as 10 restantes foram postas em liberdade<br \/>\ncom acusa\u00e7\u00f5es a espera de julgamento, todas acusadas de organiza\u00e7\u00e3o<br \/>\ncriminosa com fins terroristas.<\/p>\n<p>Em todos estes meses (tendo em conta tamb\u00e9m as mostras de solidariedade em<br \/>\nrela\u00e7\u00e3o a anterior \u201cOperaci\u00f3n Pandora\u201d), os gestos solid\u00e1rios para dar<br \/>\nvisibilidade e mostrar recha\u00e7o \u00e0 estas opera\u00e7\u00f5es repressivas ocorreram por<br \/>\ntodo o globo e nos fizeram sorrir em certos momentos cinzas. A<br \/>\nsolidariedade \u00e9 uma ferramenta inerente a toda luta e mais ainda quando o<br \/>\nEstado golpeia. Para que esta responda verdadeiramente a seu nome, n\u00e3o \u00e9 e<br \/>\nnem pode ser control\u00e1vel nem dirigida por ningu\u00e9m. A express\u00e3o solid\u00e1ria<br \/>\nn\u00e3o entende nem de normas, nem de hierarquias, sendo assim v\u00e1lidas todas as<br \/>\nsuas express\u00f5es.<\/p>\n<p>A legitimidade de analisar um golpe repressivo, ou de marcar quais s\u00e3o os<br \/>\nlimites tanto discursivos quanto pr\u00e1ticos dos atos solid\u00e1rios, n\u00e3o s\u00e3o nem<br \/>\npodem vir feitos somente por aquelas pessoas acusadas ou mais pr\u00f3ximas dos<br \/>\ncasos, sobretudo quando se pode considerar que os grupos fixos ou de apoio<br \/>\nn\u00e3o espec\u00edfico s\u00e3o os \u00fanicos v\u00e1lidos como perspectiva de luta para<br \/>\nconfrontar a repress\u00e3o, mas que a solidariedade tem que partir da m\u00e3o da<br \/>\niniciativa individual e aut\u00f4noma assim como de sua capacidade de adapta\u00e7\u00e3o<br \/>\nem cada caso e momento de conflito.<\/p>\n<p>Considerando que n\u00e3o temos o poder de dizer nem como e nem quando, mas sim<br \/>\ncom a inten\u00e7\u00e3o de fazer um chamado de solidariedade e buscando que esta se<br \/>\nestenda em todas as suas formas e relembrando que, apesar do que a acusa\u00e7\u00e3o<br \/>\nconsidera, as pessoas aqui fora presentes, n\u00e3o t\u00eam e nem tinham um trabalho<br \/>\npol\u00edtico pr\u00e9vio em comum, e queremos definir uma linha de acordos m\u00ednimos<br \/>\nneste chamado de solidariedade:<\/p>\n<p>&#8211; Que ningu\u00e9m fale em nosso nome, como n\u00f3s n\u00e3o falamos em nome de nenhuma<br \/>\noutra pessoa e nem de nenhum coletivo.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o queremos nenhum tipo de vincula\u00e7\u00e3o, nem que se busque o apoio de<br \/>\npartidos nem institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Porque, como \u00e9 evidente, n\u00e3o apenas<br \/>\nsignifica um choque frontal com nossas ideias pol\u00edticas, mas porque<br \/>\ntampouco queremos que nenhum partido ou institui\u00e7\u00e3o do Estado ganhe cr\u00e9dito<br \/>\npol\u00edtico \u00e0s nossas custas.<\/p>\n<p>&#8211; Que n\u00e3o se coloque a dualidade inoc\u00eancia\/culpa. Sabemos que este \u00e9 um<br \/>\nataque \u00e0 dissid\u00eancia e n\u00e3o somos n\u00f3s que atuaremos em termos de inoc\u00eancia<br \/>\nou culpa. Buscar a absolvi\u00e7\u00e3o das pessoas \u201cinocentes\u201d pode significar<br \/>\nassinalar \u201cas culpadas\u201d, al\u00e9m de obrigar (as pessoas acusadas) a se<br \/>\nposicionarem sobre determinadas pr\u00e1ticas ao inv\u00e9s de analisar a situa\u00e7\u00e3o<br \/>\nrepressiva em si. Al\u00e9m disso, se reduz tudo a um mero conflito legal \u2013 se<br \/>\ntem-se rela\u00e7\u00e3o com o delito ou n\u00e3o \u2013 ao inv\u00e9s de colocar a repress\u00e3o como<br \/>\num fato pol\u00edtico.<\/p>\n<p>&#8211; Que n\u00e3o se fale de montagem policial, levando em considera\u00e7\u00e3o que neste<br \/>\ncaso se d\u00e1 uma clara constru\u00e7\u00e3o de um inimigo interno gra\u00e7as a t\u00e3o banal<br \/>\nliteratura policial. A palavra montagem foi usada abusivamente por parte<br \/>\ndos diferentes movimentos de esquerda no passado, e seu abuso deslegitima<br \/>\nas pr\u00e1ticas de luta de muita gente, al\u00e9m de enfrentar a repress\u00e3o somente a<br \/>\npartir do posicionamento do bin\u00f4mio inoc\u00eancia-culpa. Seguindo a l\u00f3gica<br \/>\nanterior, falar de montagem policial em alguns casos leva a entender que no<br \/>\nresto a atua\u00e7\u00e3o policial seria justific\u00e1vel. Ainda assim, \u00e9 evidente que a<br \/>\npolicia mente e inventa provas, que os meios de comunica\u00e7\u00e3o propagam estas<br \/>\nmentiras e que os ju\u00edzes encarceram sem diferenciar-se de toda a literatura<br \/>\npolicial que \u00e9 apresentada em cada caso. E isto acontece sempre, desde o<br \/>\natestado policial exagerado que ajuda a encarcerar o batedor de carteiras<br \/>\nreincidente, at\u00e9 a en\u00e9sima opera\u00e7\u00e3o antiterrorista. Este posicionamento, em<br \/>\nsi mesmo, \u00e9 fruto de evitar a exist\u00eancia de um conflito aberto entre o<br \/>\nEstado e todo aquele que se posicione e atue contra seus interesses e sua<br \/>\nordem estabelecida, e de cujo confronto se deriva uma repress\u00e3o l\u00f3gica. N\u00e3o<br \/>\nconsideramos tal repress\u00e3o nem mais nem menos leg\u00edtima quando se efetua a<br \/>\npartir de provas sobre atos que o estado decide que s\u00e3o criminosos (e<br \/>\npenaliz\u00e1veis desta ou daquela forma) segundo seus interesses ou quando se<br \/>\nmaterializa na forma de uma constru\u00e7\u00e3o policial onde as pe\u00e7as se encaixam a<br \/>\nseu gosto\u2026 desta forma, o objetivo \u00e9 o mesmo: eliminar, paralisar e<br \/>\nsilenciar um discurso e pr\u00e1ticas pol\u00edticas que confrontam diretamente seus<br \/>\ninteresses e que por tanto se tornam inc\u00f4modas para o poder.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o consideramos os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massas como canais<br \/>\nutiliz\u00e1veis, j\u00e1 que tais meios possuem um papel crucial, entre muitas<br \/>\noutras coisas, na constru\u00e7\u00e3o da imagem do inimigo necess\u00e1ria em cada<br \/>\nmomento. \u00c9 clara a vincula\u00e7\u00e3o de todos eles com os diferentes interesses<br \/>\npol\u00edticos, assim como sua total depend\u00eancia de seus benfeitores econ\u00f4micos.<br \/>\n\u00c9 o circo midi\u00e1tico que criminaliza, aponta e legitima a repress\u00e3o. \u00c9<br \/>\nespecialmente delicada a situa\u00e7\u00e3o de todas aquelas pessoas que est\u00e3o sendo<br \/>\nacusadas de yihadismo em uma nova tentativa de criar um inimigo exterior<br \/>\nque esteja de m\u00e3os dadas com o inimigo interior. Ambos legitimam a<br \/>\nexist\u00eancia de todo o aparato antiterrorista.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o \u00e9 um ataque contra as ideias como algo abstrato. Por detr\u00e1s das<br \/>\npalavras existem pr\u00e1ticas consideradas muito mais perigosas pelo status quo<br \/>\natual e contra as quais se lan\u00e7am estas acusa\u00e7\u00f5es de terrorismo. A pr\u00f3pria<br \/>\ndefini\u00e7\u00e3o de terrorismo \u00e9 voluntariamente amb\u00edgua para que possa ser<br \/>\nadaptada em fun\u00e7\u00e3o dos desejos e necessidades da pol\u00edcia e dos ju\u00edzes. \u00c9 a<br \/>\nauto-organiza\u00e7\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o de redes de apoio m\u00fatuo e de pontos de encontro<br \/>\ncom outras lutas, a extens\u00e3o da solidariedade, a cria\u00e7\u00e3o de comunidades\u2026 o<br \/>\nque se ataca. E \u00e9 por isso que os \u00faltimos golpes repressivos, amparados<br \/>\npela lei antiterrorista, n\u00e3o est\u00e3o separados dos que tem golpeado<br \/>\ncompanheiros da Gal\u00edcia ou no meio de esquerda abertzale. Da mesma forma<br \/>\nque se est\u00e1 atacando xs grevistas, ou as companheiras detidas durante<br \/>\nmanifesta\u00e7\u00f5es e\/ou desalojos, etc.<\/p>\n<p>&#8211; Tamb\u00e9m gostar\u00edamos de relembrar o fato de que entre as pessoas acusadas<br \/>\nnesta opera\u00e7\u00e3o existem companheiras que se definem como anarquistas e<br \/>\noutras que n\u00e3o, e que tampouco necessitam se definir de nenhuma forma. \u00c9<br \/>\nimportante frisar isto porque ver nestas opera\u00e7\u00f5es um ataque unicamente<br \/>\ncontra o meio anarquista significa simplificar e reduzir o conflito x a um<br \/>\nmeio, definido como tal a partir da pr\u00f3pria repress\u00e3o e isol\u00e1-lo do resto<br \/>\ndas lutas. N\u00e3o esque\u00e7amos que se trata de um ataque contra um conjunto de<br \/>\npr\u00e1ticas utilizadas no passado, e esperemos que muitas se mantenham no<br \/>\nfuturo, por diferentes movimentos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Dito tudo isto, s\u00f3 nos resta mandar uma sauda\u00e7\u00e3o fraternal cheia de for\u00e7a a<br \/>\ntodas as companheiras alvos de repres\u00e1lias em diferentes casos,<br \/>\ncircunst\u00e2ncias e ideias pol\u00edticas, especialmente as que se encontram<br \/>\nsequestradas na pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Entendemos a repress\u00e3o como algo inerente a toda luta que busque<br \/>\ntransformar nossa realidade de mis\u00e9ria e explora\u00e7\u00e3o. Por isso\u2026<\/p>\n<p>\u2026a luta \u00e9 o \u00fanico caminho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebido no email: J\u00e1 se passaram quase cinco meses desde o dia em que nos detiveram sob a acusa\u00e7\u00e3o de pertencer a uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa com fins terroristas, e talvez possa parecer um pouco estranho ver uma convocat\u00f3ria de solidariedade &hellip; <a href=\"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=1935\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":6952,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[126,1,164,53,4],"tags":[],"class_list":["post-1935","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espanha","category-guerra-social","category-operacao-pinata","category-presxs","category-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1935","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/6952"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1935"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1935\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1937,"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1935\/revisions\/1937"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1935"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1935"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1935"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}