{"id":1439,"date":"2014-08-19T02:27:23","date_gmt":"2014-08-19T00:27:23","guid":{"rendered":"http:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=1439"},"modified":"2014-08-19T02:27:23","modified_gmt":"2014-08-19T00:27:23","slug":"reino-unido-o-britanico-que-quis-assassinar-franco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=1439","title":{"rendered":"[Reino Unido] O brit\u00e2nico que quis assassinar Franco"},"content":{"rendered":"<p><em>Mandado ao email:<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1441\" src=\"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2014\/08\/stuart3.jpg\" alt=\"stuart3\" width=\"224\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2014\/08\/stuart3.jpg 224w, https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2014\/08\/stuart3-120x150.jpg 120w\" sizes=\"auto, (max-width: 224px) 100vw, 224px\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-1442\" src=\"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2014\/08\/stuart1-300x168.jpg\" alt=\"stuart1\" width=\"263\" height=\"277\" \/><\/p>\n<p>Em 1964 um jovem anarquista, Stuart Christie, foi preso em Madri por participar de um plano para assassinar o general Francisco Franco e por fim a quase tr\u00eas d\u00e9cadas de regime militar. Meio s\u00e9culo depois Christie relatou a Mike Lanchin, do programa Witness, &#8220;Testemunhos&#8221;, da BBC, por qu\u00ea acabou participando no compl\u00f4 que mudou sua vida.<\/p>\n<p>Stuart Christie, de 18 anos, havia chegado \u00e0 capital espanhola com uma mochila cheia de explosivos, procedente de Londres. Haviam-lhe dito que devia ir \u00e0s oficinas da American Express para receber instru\u00e7\u00f5es. &#8220;Cheguei em Madri, fui tomar um caf\u00e9 na \u201cPuerta del Sol\u201d, e logo caminhei para as oficinas da American Express. Quando entrei vi ao menos quatro ou cinco homens com \u00f3culos escuros e lembro que pensei que devia ter cuidado&#8221;, recorda Christie. &#8220;Fui \u00e0 oficina e apresentei meu passaporte \u00e0 mo\u00e7a no balc\u00e3o e quando ia pegar o documento, foi detida pelos seus superiores que interceptaram a carta com instru\u00e7\u00f5es. Nesse momento soube que havia ca\u00eddo em uma armadilha&#8221;. Christie saiu \u00e0 rua e tentou fugir. &#8220;De repente eu me vi contra uma parede e algemado. Disse: &#8216;sou um cidad\u00e3o brit\u00e2nico, sou turista&#8217;, mas eles responderam &#8216;\u00e9s um terrorista e vir\u00e1 conosco&#8217;. A boca secou, toda a saliva desapareceu e me senti com um papagaio em uma jaula\u201d.<\/p>\n<p><strong>&#8220;T\u00ednhamos entre 16 e 22 anos&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Como Christie havia chegado a participar no plano? Meses antes, em Londres, o jovem havia entrado em contato com membros de um grupo clandestino de anarquistas, formado por exilados espanh\u00f3is que se opunham implacavelmente a Franco. &#8220;Havia muita camaradagem no grupo. Discut\u00edamos sobre pol\u00edtica, beb\u00edamos, cant\u00e1vamos, como se pode esperar de jovens. Todos t\u00ednhamos entre 16 e 22 anos&#8221;. Os exilados seguiam \u00e1vidamente os eventos no territ\u00f3rio espanhol, onde o regime respondia com crescente repress\u00e3o a seus opositores. &#8220;Me pediram que fosse \u00e0 casa de um dos membros do grupo. Ali fomos a um quarto na parte traseira da casa e me disseram: &#8216;algo sucede, estarias disposto a viajar no final do m\u00eas?'&#8221;. &#8220;N\u00e3o perguntei que devia fazer especificamente, mas sabia que seria algum trabalho de mensageiro. Supus que se trataria de armas ou explosivos. Me senti entusiasmado de passar \u00e0 a\u00e7\u00e3o finalmente, em lugar de simplesmente esperar&#8221;. Christie disse a seus amigos que ia trabalhar em vinhas no sul da Fran\u00e7a durante o ver\u00e3o e viajou de Londres a Paris. Ali um contato lhe deu v\u00e1rios pacotes com explosivos e afirmou que devia entreg\u00e1-los a um indiv\u00edduo na &#8220;Me disse que quando encontrasse o contato na Espanha devia usar um len\u00e7o como se tivesse uma atadura na m\u00e3o. Algu\u00e9m se aproximaria para dizer-me &#8216;como est\u00e1, d\u00f3i?&#8221;. &#8220;Eu deveria dizer &#8216;n\u00e3o d\u00f3i&#8217;. E se me falassem deveria responder &#8216;sou alem\u00e3o&#8217;, entregar os pacotes e regressar \u00e0 Fran\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Banhado em suor&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Antes de chegar a Espanha Christie decidiu tirar os explosivos de sua mochila e escond\u00ea-los. Prendeu-os em seu corpo com fita adesiva e em pleno ver\u00e3o colocou por cima um su\u00e9ter grosso de l\u00e3 que lhe havia tecido sua av\u00f3. &#8220;Estava banhado em suor e al\u00e9m disso o carro parou v\u00e1rias vezes, por isso tive que descer e empurr\u00e1-lo. Com o suor a fita adesiva afrouxou e eu sentia como os explosivos me deslizavam. Havia agentes de tr\u00e2nsito na rua e temi que o pacote acabasse nos p\u00e9s de um policial e me descobrissem&#8221;. N\u00e3o foram os explosivos os que delataram Christie. A pol\u00edcia secreta de Franco havia se infiltrado nos grupos de exilados em Paris e Londres e estavam sabendo do compl\u00f4. &#8220;Ap\u00f3s me prenderem, levaram o carro para a sede do organismo de seguran\u00e7a. Come\u00e7aram a interrogar-me e n\u00e3o encontraram nada ao princ\u00edpio, mas quando inspecionaram meu saco de dormir viram os explosivos. Sabiam exatamente o qu\u00ea buscavam e ademais j\u00e1 tinham a carta com instru\u00e7\u00f5es em seu poder&#8221;.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1443\" src=\"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2014\/08\/stuart4-193x300.jpg\" alt=\"stuart4\" width=\"193\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2014\/08\/stuart4-193x300.jpg 193w, https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2014\/08\/stuart4-96x150.jpg 96w, https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2014\/08\/stuart4.jpg 386w\" sizes=\"auto, (max-width: 193px) 100vw, 193px\" \/><\/p>\n<p><strong>\u00a0&#8220;Ainda sou anarquista&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Christie foi declarado culpado de terrorismo e condenado a 20 anos de pris\u00e3o, mas foi liberado ap\u00f3s tr\u00eas anos e meio, em setembro de 1967. Vive no sul da Inglaterra, onde tem uma imprensa e ainda participa em pol\u00edtica. Qu\u00ea sente 50 anos depois? &#8220;Ainda sou um anarquista e n\u00e3o vejo como isto possa mudar no futuro. No mais, o tempo que passei na pris\u00e3o fortaleceram e consolidaram minhas ideias&#8221;. &#8220;Minha av\u00f3 me disse, n\u00e3o podes ir pela vida sendo um espectador, deves ser respons\u00e1vel por tuas a\u00e7\u00f5es. Esse sentido de responsabilidade foi o que me levou a envolver-me na resist\u00eancia antifranquista&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Senti que n\u00e3o tinha alternativa&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mandado ao email: Em 1964 um jovem anarquista, Stuart Christie, foi preso em Madri por participar de um plano para assassinar o general Francisco Franco e por fim a quase tr\u00eas d\u00e9cadas de regime militar. 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