{"id":1309,"date":"2014-07-01T18:39:53","date_gmt":"2014-07-01T16:39:53","guid":{"rendered":"http:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=1309"},"modified":"2014-07-01T18:39:53","modified_gmt":"2014-07-01T16:39:53","slug":"fortaleza-chamada-anti-brics","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/?p=1309","title":{"rendered":"[Fortaleza] Chamada Anti-Brics"},"content":{"rendered":"<p><em>Recebido no email:<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1311\" src=\"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2014\/07\/agencia_depredada_2_470-300x146.jpg\" alt=\"agencia_depredada_2_470\" width=\"300\" height=\"146\" srcset=\"https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2014\/07\/agencia_depredada_2_470-300x146.jpg 300w, https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2014\/07\/agencia_depredada_2_470-150x73.jpg 150w, https:\/\/cumplicidade.noblogs.org\/files\/2014\/07\/agencia_depredada_2_470.jpg 470w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>O que \u00e9 quebrar um banco comparado a fundar um?<\/p>\n<p>Nas Jornadas de Junho discut\u00edamos um tema que at\u00e9 ent\u00e3o somente oseconomistas tinham os conceitos adequados para faz\u00ea-lo:<\/p>\n<p>&#8211; Como aquele banco quebrou? &#8211; Qual?<\/p>\n<p>&#8211; O Ita\u00fa, o Bradesco\u2026 &#8211; Ah sim! Quebraram!<\/p>\n<p>A quest\u00e3o n\u00e3o era exatamente sobre a queda das taxas de lucros ou sobre as flutua\u00e7\u00f5es do c\u00e2mbio. Discut\u00edamos os m\u00e9todos mais eficientes para escapar \u00e0 resist\u00eancia da blindagem transl\u00facida de algumas ag\u00eancias banc\u00e1rias e \u00e0 ferocidade dom\u00e9stica do Batalh\u00e3o de Choque. Bila ou Pedra? No come\u00e7o ou no final da manifesta\u00e7\u00e3o? A pol\u00eamica se estendia noite adentro. Conclu\u00edmos que h\u00e1 duas maneiras de se quebrar um banco. A primeira, e a mais simples, \u00e9 estilha\u00e7ar suas vidra\u00e7as a pedradas e nesse caminho reto esperar que para cada caco de vidro quebrado se manifeste os ind\u00edcios da revolta contra a economia pol\u00edtica e o controle alienado da vida. Pois n\u00e3o precisamos deixar nada bem explicado. N\u00e3o precisamos de um fundamento para explicar a desigualdade social, a fome, o poder das elites e o fascismo do Estado democr\u00e1tico. Quem ainda hoje precisa de explica\u00e7\u00f5es para fazer a cr\u00edtica pr\u00e1tica da economia pol\u00edtica ainda teme por ela. Vive sob os fantasmas da abstra\u00e7\u00e3o mercantil. N\u00e3o \u00e9 preciso especialistas da economia, da pol\u00edtica ou da sociologia engajada para expor com detalhes as contradi\u00e7\u00f5es para quem as vive. A segunda maneira \u00e9 n\u00e3o deixar escapar a certeza de que estamos fazendo o certo. Pois os dispositivos de controle do poder mercantil nos presenteiam com cart\u00f5es dourados, financiam o desenvolvimento econ\u00f4mico e autossustent\u00e1vel daquela comunidade, s\u00e3o benevolentes em dar cr\u00e9dito \u00e0quele pequeno empreendedor e assim estendem a toda esfera da vida a totalidade da n\u00e3o-vida econ\u00f4mica. As ONGs, o BID, o BNDS, os dirigentes sindicais, o assessor parlamentar nos oferecem novas alternativas sociais ao capitalismo: solidariedade, sustentabilidade, democracia participativa, alimentos org\u00e2nicos e nessas uma nova possibilidade pela sobreviv\u00eancia poss\u00edvel aparece. Uma nova economia faz-se poss\u00edvel sob a mesma repeti\u00e7\u00e3o tediosa de trabalho assalariado-sobreviv\u00eancia-trabalho assalariado. E acompanhando assiduamente o crescimento do PIB nos telejornais, rapidamente nos tornamos participantes daquilo que nos \u00e9 mais estranho: a economia que s\u00f3 obedece \u00e0s suas pr\u00f3prias leis. Assim, deve ser sem culpa ou d\u00favida a pedra lan\u00e7ada sobre a transpar\u00eancia dos vidros, na esperan\u00e7a de fazer ver a mais s\u00f3lida e obscura gest\u00e3o do poder de classe que existe na benevol\u00eancia dos \u201cprojetos sociais\u201d.<\/p>\n<p>Em Julho de 2014, Fortaleza ser\u00e1 sede para a funda\u00e7\u00e3o de um novo banco. O BDB, Banco de Desenvolvimento do BRICS, ser\u00e1 pauta da 6\u00aa reuni\u00e3o da c\u00fapula do BRICS. Os dirigentes desse novo grupo pol\u00edtico de coopera\u00e7\u00e3o que re\u00fane os ascendentes Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul encenar\u00e3o mais uma vez as suas fantasias de controle sobre o caos da reprodu\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma do capital mercantil. O grau de entretenimento desse encontro pode ser medido pela comemora\u00e7\u00e3o que fez o Secret\u00e1rio de Turismo do Estado do Cear\u00e1 chamando o encontro de \u201cO neg\u00f3cio da China\u201d. Al\u00e9m do alinhamento burocr\u00e1tico para a institucionaliza\u00e7\u00e3o do banco, o encontro pretende aprovar a cria\u00e7\u00e3o imediata de um Arranjo Contingente de Reservas (ACR) de 100 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Um fundo de emerg\u00eancia para fins de combater a crise nos pa\u00edses do bloco e prover seguran\u00e7a ao investidor internacional. Inicialmente o Brasil deve contribuir com 18 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Estima-se que todos os gastos com a Copa do Mundo de 2014 (incluindo aeroportos, projetos de (i)mobilidade urbana, est\u00e1dios) chegar\u00e3o a 25 bilh\u00f5es de reais. Isso \u00e9 pouco mais da metade do que pretende dar inicialmente o governo Dilma em subs\u00eddios aos grandes monop\u00f3lios capitalistas com a cria\u00e7\u00e3o desse A configura\u00e7\u00e3o de um estado de exce\u00e7\u00e3o econ\u00f4micopol\u00edtico objetivo e a inconsist\u00eancia das a\u00e7\u00f5es dos governos tanto sob a ideologia do livre mercado quanto subsidiando setores espec\u00edficos da produ\u00e7\u00e3o de mercadorias, formam uma combina\u00e7\u00e3o eficiente para o crescimento da explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, assim como para o aumento da popula\u00e7\u00e3o exclu\u00edda nesse processo, e o necess\u00e1rio controle pol\u00edtico e policial de ambas. O Fantasma da crise mobiliza trabalhadores do mundo inteiro em favor de uma nova economia, mais benevolente, em que capitalistas e governos populares unem-se na luta contra a fome e a exclus\u00e3o social. A Declara\u00e7\u00e3o de E-Thekwini, documento aprovado pela V c\u00fapula do BRICS em Durban, diz: <em>\u201cressaltamos que a agenda de desenvolvimento para al\u00e9m de 2015 deve basear-se no marco dos ODMs, mantendo o foco na erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e no desenvolvimento humano, ao mesmo tempo em que enfrenta os desafios emergentes do desenvolvimento e leva em conta as circunst\u00e2ncias nacionais individuais de pa\u00edses em desenvolvimento. Nesse sentido, a quest\u00e3o fundamental da mobiliza\u00e7\u00e3o de recursos para implementa\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia aos pa\u00edses em desenvolvimento deve ser um objetivo abrangente.\u201d<\/em> Nesse encontro discutia-se os planos para a \u00c1frica miser\u00e1vel. Sabemos que frente \u00e0 recess\u00e3o mundial, a produ\u00e7\u00e3o de mercadorias deve ser equivalente \u00e0s possibilidades de acesso a esses bens de consumo. Resumindo, os miser\u00e1veis do mundo devem integrar a esfera do consumo em massa. Assim, a forma dos Aux\u00edlios, das Bolsas, do assalariamento globalizado cumprem com duas faces da mesma c\u00e9dula: participamos politicamente da nossa explora\u00e7\u00e3o enquanto exploram toda participa\u00e7\u00e3o como dispositivo de controle social. Toda a atividade mort\u00edfera do poder consiste em gerar tal ru\u00edna de um lado enquanto disp\u00f5e no outro as bases de uma nova economia.<\/p>\n<p>\u00c9 deste modo que BRICS, BNDS, BID, apoiam os mais diversos tipos de experimenta\u00e7\u00f5es coletivas de governan\u00e7a pseudo-democr\u00e1ticas tipo bancos populares e moedas sociais, or\u00e7amentos participativos e todas as ilhas de diferen\u00e7a que pretendem evitar a crise do humanismo e depois rebater a culpa andando de bicicleta ou adotando o vegetarianismo pol\u00edtico. Porque essa nega\u00e7\u00e3o interna ao pr\u00f3prio sistema s\u00e3o dist\u00farbios acidentais necess\u00e1rios \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria heteronomia do sistema (re)produtor de mercadorias. Capturados, embotam o car\u00e1ter subversivo da resist\u00eancia \u00e0 totalidade do mundo mercantil, assim como fizeram os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa domesticando a transmiss\u00e3o da experi\u00eancia insurreta das Jornadas de Junho com pautas sociais tipo Fim da PEC-69, abaixo os 0,20 centavos e etc. Desde a resist\u00eancia \u00e0 ditadura militar n\u00e3o v\u00edamos brotar t\u00e3o rapidamente tantas teorias sobre os movimentos sociais como vimos sobre as Jornadas de Junho. Mas nestas, poucos se arriscaram a dizer o mais simples e tamb\u00e9m o mais comprometedor com a tarefa vindoura: \u00e9ramos jovens insurretos, assalariados, numa contesta\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria contra a copa, em solidariedade aos trabalhadores da educa\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro, em apoio \u00e0 resist\u00eancia turca na pra\u00e7a Tahrir, na lembran\u00e7a \u00e0 rebeldia dos estudantes franceses em maio de 68, em mem\u00f3ria aos communards de 1871, sendo algo como as grandes mobiliza\u00e7\u00f5es de Seattle, de G\u00eanova nos fins dos anos 90, na manuten\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o revolucion\u00e1ria do ANTI-BID de 2001 em Fortaleza<\/p>\n<p>(\u2026)<\/p>\n<p><strong>Que vejamos a ordem questionada novamente! Em 14 de Julho de 2014, todas e todos em Fortaleza!<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contato: <a href=\"https:\/\/fulvetta.riseup.net\/sm\/src\/compose.php?send_to=antibrics%40riseup.net\">antibrics@riseup.net<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebido no email: O que \u00e9 quebrar um banco comparado a fundar um? 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